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As relações humanas em a Biografia Involuntária dos Amantes
Na Estante
10 jan 2018 | Por Jornalismo Júnior

Movido por histórias de amor, desilusões e a imprevisibilidade da existência, o livro Biografia Involuntária dos Amantes, de João Tordo, retrata a amizade entre dois homens que muda de perspectiva a partir do momento em que, numa estrada da Galiza, atropelam um javali. O narrador – sem nome -, professor universitário, divorciado e em desentendimento com a filha, começa a descobrir mais sobre as origens da constante melancolia de Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano, ao ler a biografia escrita por Teresa, um grande amor da vida do amigo.

A moça, que então havia falecido, escreveu sobre a vida conturbada em meio à família portuguesa – que envolvia um pai alcoólatra e ausente, uma mãe superprotetora, avós e um irmão que sofreram com o desenvolver da vida rebelde da menina – um primeiro amor e o desandar do que seria uma vida pacata e segura. Ainda impactado pelo efeito do amor de Teresa, que se tornou uma relação problemática – e assim permaneceu mesmo depois de seu fim -, Saldaña Paris busca lutar contra seus demônios e decepções enquanto o professor busca entender por completo a história dos dois amantes.

O enredo da obra é interessante, a visão geral do que se passa nas páginas chama a atenção e promete uma boa história. Apesar disso, a narrativa inicial é monótona e sem grandes acontecimentos, o que acaba por desestimular a leitura. Outro fator que pode causar esse mesmo efeito é o vocabulário de Portugal: muitas palavras são diferentes das que temos no Brasil – o que pode ser visto como um empecilho ou não, já que o entendimento geral não é comprometido. O livro prende realmente o leitor a partir do momento em que a biografia de Teresa é apresentada, que é quando a história toda começa a ficar mais clara e envolvente.

De forma geral, é uma obra sobre obsessões e a dificuldade de abandonar o passado. Tem um quê de crueldade no livro que não é extrema ou colocada no sentido de que há um “mal” a ser combatido, mas sim retrata a realidade dos desencontros e reviravoltas da vida que não podem ser evitados. É um enredo que trata de persistência, arrependimento, busca pela compreensão – o que nem sempre se pode alcançar – e como cada personagem lida com as fatalidades. É um livro que retrata a humanidade.

Por Júlia Mancilha 
juliabman@gmail.com

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