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FLIPOP 2021: Dias 3 e 4

Com grandes nomes da literatura para jovens adultos, festival apostou em plataforma interativa e na diversidade de formatos literários para discutir representatividade na adolescência

Eu Fui
26 jul 2021 | Por Equipe Sala33

O Festival de Literatura POP (FLIPOP) chegou a sua quinta edição na última quinta-feira (22), organizado pela editora Seguinte — selo jovem da Companhia das Letras — em parceria com várias outras editoras. Seguindo o modelo do ano passado em decorrência da pandemia da Covid-19, o FLIPOP 2021 foi realizado de forma totalmente online e gratuita, ao longo de quatro dias (22 a 25 de julho). O diferencial deste ano foi a plataforma exclusiva utilizada nas transmissões ao vivo, que contou com simulação de ambiente e espaços para interação.

Além da participação em sessões de autógrafos mediante compras de livros, o público pôde acompanhar bate-papos com autores nacionais e estrangeiros e discutir leitura e escrita na juventude, bem como representatividade em seus mais diversos aspectos. Confira o que rolou nos dois últimos dias do FLIPOP.

 

Dia 24/07, sábado

“As várias faces do nordeste”, com G.G Diniz, Ilustralu e Pedro Rhuas

Por Caroline Kellen

G.G Diniz, Ilustralu e Pedro Rhuas conversaram com Deko Lipe sobre a literatura voltada à região nordeste do país. [Imagem: Reprodução/FLIPOP – Editora Seguinte]

G.G Diniz, Ilustralu e Pedro Rhuas conversaram com Deko Lipe sobre a literatura voltada à região nordeste do país. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

A primeira mesa do FLIPOP no sábado contou com G. G. Diniz, Ilustralu e Pedro Rhuas como convidados e Deko Lipe como mediador. Os escritores discutiram os aspectos desafiadores do mundo editorial atual no que tange a literatura nordestina.

A conversa entre o grupo se iniciou com a exposição do nordeste vivido por cada autor, que juntos desafiaram a estereotipização da região como previsível e pouco variada com o intuito de dar o reconhecimento devido às vastas realidades encontradas fora do sudeste. A adaptação ou não das variações linguísticas no momento de escrita foi outro ponto interessantíssimo, já que o modo de falar dos sudestinos não é modificado em prol dos públicos de outras regiões. 

Além disso, a visão da literatura nordestina como regionalista e a sudestina como nacional foi o fio condutor da discussão e suscitou a importância da representatividade de minorias em todo o processo editorial para solidificar “espelhos com histórias próximas”, como disse Ilustralu ao se referir às narrativas possíveis de serem escritas no Brasil, que refletem o real.

O grupo também impulsionou os telespectadores/aspirantes a escritores a serem proativos, contarem com as ferramentas midiáticas e “fazerem o seu”, pois há lugar para todos no mundo literário, mesmo que tomar seu espaço nesse mercado editorial centralizado seja desafiador. Por fim, Ilustralu incentivou os leitores a buscarem e lerem autores do nordeste e das outras partes do Brasil.

 

“Escritores no mercado editorial”, com Ana Rosa, Iris Figueiredo e Solaine Chioro

Por Maria Vitória Faria

Jana Bianchi, Ana Rosa, Iris Figueiredo e Solaine Chioro em conversa sobre as dificuldades, as belezas e as oportunidades do mercado editorial. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Jana Bianchi, Ana Rosa, Iris Figueiredo e Solaine Chioro em conversa sobre as dificuldades, as belezas e as oportunidades do mercado editorial. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

A segunda mesa desse dia de FLIPOP, mediada por Jana Bianchi, escritora e podcaster, foi iniciada em tom nostálgico sobre a infância e a entrada das convidadas no mercado editorial. O mais interessante é que cada uma teve um processo único e, dentro deste setor, atuam de diferentes formas, o que mostra a amplitude de possibilidades para quem se interessa a trabalhar com livros.

Ana Rosa, por exemplo, que hoje atua na divulgação editorial, conta como não imaginava como o setor era diverso. Iris Figueiredo, escritora, pesquisadora e autora de Céu sem estrelas (Editora Seguinte, 2018), e Solaine Chioro, tradutora e autora de Reticências (Globo Alt, 2021), afirmaram como é importante expor seu trabalho e conhecer o mercado editorial se você tem interesse nele. Um bom começo é a série Do autor ao leitor, da Editora Seguinte, que explica esse meio ao público. Mas, como todo trabalho, possui seus pontos negativos, como o cansaço e a saturação pelo contato diário com os livros, além da dificuldade de se manter nesta área por sua elitização e exclusão com aqueles que não moram nos centros urbanos, como conta Iris.

Após uma conversa educativa e descontraída, Ana Rosa lembra que “sempre tem alguém que quer ler seu livro”, dando esperanças para aqueles que sonham em escrever.

 

“Romances de fazer suspirar”, com Jennifer Niven e Maurene Goo

Por Maria Vitória Faria

Para o FLIPOP, Iris Figueiredo, Jennifer Niven e Maurene Goo relembrando influências literárias da infância, inspiração para os romances e mais. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Iris Figueiredo, Jennifer Niven e Maurene Goo relembrando influências literárias da infância, inspiração para os romances e mais. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

De entrevistada à mediadora, Iris Figueiredo abriu a terceira mesa do dia com Jennifer Niven, autora de Sem Ar (Editora Seguinte, 2021) e de Por Lugares Incríveis (Editora Seguinte, 2015), adaptado para a Netflix em 2018, e com Maurene Goo, autora de romances inspirados em k-dramas, como Isso Que A Gente Chama de Amor (Editora Seguinte, 2021). 

A mesa (provavelmente) mais romântica de toda a FLIPOP passou por crushes literários, o valor da tensão romântica em narrativas, indicações de k-dramas e de k-pop’s, o que proporciona um bate-papo leve e a possibilidade de reconhecimento entre admiradora e ídola — pois Maurene e Jennifer conversaram e expuseram seus lados leitoras, que também suspiram e se emocionam com os livros. 

Em um cenário tão complexo quanto à pandemia, foi reconfortante ouvir essas escritoras tão talentosas como elas também encontraram nos livros uma fuga da realidade. Mas, mais que isso, Jennifer e Maurene lembraram aos leitores algo que, muitas vezes, não é percebido por aqueles que encontram refúgio entre as páginas: que não estão sozinhos, são necessários e muito amados. Neste momento, é disto que os jovens precisam, de esperança.

 

Dia 25/07, domingo

Bate-papo com Alice Oseman

Por Rosiane Lopes

No Flipop, Alice Oseman, autora inglesa, sentou para conversar com o público brasileiro sobre seus títulos, que chegam esse ano ao país. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Alice Oseman, autora inglesa, sentou para conversar com o público brasileiro sobre seus títulos, que chegam esse ano ao país. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

A mesa contou com uma transmissão pré-gravada e foi mediada por Luiza de Souza, ou Ilustralu, ilustradora e quadrinista de Arlindo. O bate-papo se iniciou com a apresentação da Alice Oseman, autora de Heartstopper, um graphic novel que conta a história de Nick e Charlie, dois jovens que se tornam amigos e logo engatam em um romance. A obra será publicada no Brasil pela editora Seguinte. Oseman é, ainda, autora de obras que trazem representatividade e temáticas variadas como Rádio Silêncio (Rocco, 2016), Loveless (2020) e outros. No início da conversa, Alice contou que Heartstopper começou como um webcomic (quadrinho veiculado pela internet) e, conforme mais pessoas se interessaram pela obra, decidiu a auto publicar e obteve grande sucesso.

Ao longo da conversa, ela discutiu sobre o processo de criar os seus personagens e suas personalidades e sobre a influência do próprio caráter neles; como é lidar com a demanda dos fãs e suas opiniões sobre o desenvolvimento de suas obras; a influência da pandemia em sua escrita e processo criativo; seus hobbies e seus livros preferidos — a autora até citou sua última leitura: Quinze Dias (Globo Alt, 2017), de Vitor Martins, e a elogiou bastante! Além disso, comentou sobre o processo de adaptação de Heartstopper para série na Netflix e, apesar de não poder dar muitos detalhes, antecipou que a produção é “incrível” e elogiou os atores.

O bate-papo no FLIPOP foi animado e os fãs puderam saber mais sobre Oseman e seu processo de escrita. Alice já veio ao Brasil em 2018, mas deseja voltar novamente e conhecer os fãs de Heartstopper.

 

“Um novo mercado, com Alec Costa, Bruna Fontes e Stefano Volp

Por Eduarda Ventura

Bruna Fontes, Alec Costa, Estefânio Volp e Raissa Pena debateram as desigualdades e mudanças do mercado editoral. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Bruna Fontes, Alec Costa, Estefânio Volp e Raissa Pena debateram as desigualdades e mudanças do mercado editoral. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

A penúltima mesa do FLIPOP 2021, patrocinada pela Estante Virtual, tratou do novo mercado editorial que se mostra rapidamente mutável, intrinsecamente ligado às redes sociais e, mais do que nunca, inclusivo. A mediação de Raissa Pena garantiu um ambiente bem humorado e integrado entre os três participantes: a autora Bruna Fontes, o produtor de conteúdo Alec Costa e o escritor Estefânio Volp. 

A mesa debateu a iniciação dos convidados no universo literário e escancarou as diferenças de oportunidade entre Volp, Alec e Bruna, uma vez que os dois primeiros, nascidos em bairro carente do Rio de Janeiro, enfrentaram inúmeras dificuldades por não terem, nas palavras do escritor, “referência nenhuma no mundo dos livros”. Já a autora de Sob o Mesmo Teto (independente, 2017) contou que os livros foram uma forma de canalizar sua criatividade desde a infância. 

As perguntas abordaram a rotina e contato dos três com seus respectivos públicos, e, com muito carinho, foram relatados o sentimento de comunidade que sentem em relação àquelas pessoas que os acompanham, que são a motivação de que precisam para continuar trabalhando com livros. 

Ao serem questionados sobre suas rendas advindas desse meio, eles afirmam que é possível se manter tendo como única fonte o mundo dos livros, mas é preciso paciência, verdade, persistência e muito trabalho duro, sendo essas as características que eles disseram necessitar no início de suas carreiras. Nesse ponto, relataram também o preconceito enfrentado e a necessidade da compreensão pelas pessoas da validade do trabalho de autores e criadores de conteúdo como qualquer outro. 

Por fim, a mesa do FLIPOP discutiu com esperança, mas crítica, a maior inclusão e diversidade nos universos literários: Volp alertou para a participação ainda insuficiente das editoras nesse processo, que, apesar de positiva neste momento, ainda tem muito para melhorar. Bruna e Alec concordaram e apontaram que os debates levantados pelos autores e leitores acerca de narrativas mais inclusivas abrem caminho para mais e mais diversidade nos livros e respeito na sociedade.

 

“Uma conversa sobre Blackout, com Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicola Yoon

Por Gabriela Lima

FLIPOP: Érica Imenes. Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Ashley Woodfolk, Nicola Yoon e Angie Thomas conversaram sobre Blackout e mulheres negras na literatura. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Érica Imenes. Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Ashley Woodfolk, Nicola Yoon e Angie Thomas conversaram sobre Blackout e mulheres negras na literatura. [Imagem: Reprodução/Editora Seguinte]

Para encerrar o evento, a última mesa do FLIPOP contou com a participação das autoras internacionais Dhonielle Clayton, Tiffany Jackson, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicole Yoon. As cinco escreveram a série de contos Blackout (Editora Seguinte, 2021) — que será lançada esse ano no Brasil — junto com Nic Stone, que não participou devido a um conflito de agenda. A conversa teve mediação da produtora de eventos Érica Imenes.

O bate-papo foi descontraído, as cinco autoras mostraram ter muita intimidade e a mediadora Érica fez um excelente trabalho ao se conectar com o grupo desde o início. À princípio, elas responderam algumas perguntas relacionadas a Blackout, como “Por que as garotas negras nunca têm uma história de amor?”. Dhonielle iniciou a discussão e ainda citou que o cinema e a literatura, na maior parte das vezes, foca mais na violência contra o negro e deixa de lado outros temas. “Os jovens [negros] precisam ver que há mais do que apenas brutalidade policial e Black Lives Matter”, é o que conclui Angie Thomas, “nós temos o direito de ver outras histórias”.

A comunidade LGBTQIA+ também foi citada, especialmente por Ashley Woodfolk, que é bissexual. Houve também um espaço para elogiar os leitores brasileiros. Tiffany e Nicola disseram que eles são muito apaixonados pelas histórias. Angie completou que, mesmo que escreva sobre personagens estadunidenses, os brasileiros e pessoas de outras partes do mundo conseguem facilmente se identificar com eles.

Nos minutos finais, as autoras falaram sobre seus novos projetos e a adaptação de Blackout para a Netflix, que será produzida pelo casal Obama. Apesar dos problemas com barulhos externos e a conexão, a conversa fechou o evento com chave de ouro e tratou de temas relevantes com leveza. “Todo mundo em nossa comunidade merece uma história de amor”, finalizou Dhonielle.

 

*Imagem de capa: Reprodução/Editora Seguinte

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