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Lado B olímpico: esportes pouco conhecidos e estreias de Tóquio 2020
ARQUIBANCADA
11 maio 2019 | Por Arquibancada

Por Caio Santana
caiosantana@usp.br

Foi na Grécia Antiga que se iniciou a competição, com o objetivo de reunir os povos das cidades-estado gregas. Promovendo a amizade e cordialidade, os jogos começaram com a corrida sendo o único esporte, mas logo incrementou outras nove modalidades. Dentre elas, estavam salto em distância, pentatlo, luta e lançamento de dardo. Mesmo com a invasão romana, os Jogos pararam apenas quando um imperador converteu-se ao cristianismo. A característica da rivalidade surge, inclusive, com a chegada dos romanos.

Realizados a cada quatro anos, estima-se que os Jogos Olímpicos da antiguidade tenham tido 293 edições, de 776 a.C. até 394 d.C. As Olimpíadas que conhecemos hoje ganharam o formato atual com o recomeço dos jogos em seu berço grego: Atenas, em 1896.

Porém, do final do século 19 para cá, muitos esportes surgiram e foram incorporados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Passa uma edição e entra outra, quase sempre deixamos passar por despercebido alguns esportes e modalidades pouco praticadas no Brasil ou sem tradição.

A última edição olímpica — organizada em solo brasileiro na capital fluminense, Rio de Janeiro, em 2016 — trouxe às nossas tevês transmissões de esportes que nem sabíamos que existiam. Ou que não acreditávamos que seriam olímpicos. Por sediar os Jogos , o Brasil teve vaga garantida em muitas modalidades e isso deu oportunidade para que atletas pudessem competir e ir em busca de medalhas inéditas.

 

Os menos conhecidos

1. Badminton: O esporte ganhou forma na Índia, com o nome de Poona, sendo levada por militares ingleses à Europa. Após a entrada em continente europeu, o Badminton se consolidou do final do século XIX até a estreia nos Jogos Olímpicos apenas em 1992, na edição de Barcelona. Por ser país anfitrião, o Time Brasil possuía duas vagas automaticamente nos Jogos do Rio, que possibilitou a estreia olímpica do país nesse esporte na Rio 2016.

Os responsáveis por entrarem pela primeira vez como representantes brasileiros em jogos olímpicos foram os jovens atletas Ygor Coelho de Oliveira, no masculino, e Lohaynny Vicente, no feminino. Apesar dos esforços, nenhum dos dois conseguiram sequer passar da fase de grupos.

Mas isso não os abalou. A participação em olimpíadas é inexplicável e incendeia um sentimento sem igual. Sobre sua estadia nos Jogos, Lohaynny conta: “foi sensacional a experiência incrível que tive. Posso jogar outras olimpíadas e não vão ser iguais a essa (Rio 2016)”. Ela ainda acredita em uma classificação para Tóquio 2020, quem sabe talvez com sua irmã, Luana Vicente. As duas foram medalha de prata na disputa de duplas feminina nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Badminton é um esporte que demanda apenas dois equipamentos: uma raquete e uma peteca. Pode ser jogado em duplas simples e mistas ou individualmente. Sua partida é disputada em melhor de três sets com 21 pontos cada. Muito semelhante ao tênis, a diferença é o uso de quadra reduzida e uma rede mais alta.

Lohaynny Vicente em disputa nos Jogos Rio 2016 [Imagem: Marcelo del Pozo/ REUTERS]

2. Esgrima: Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), “a definição técnica de esgrima é a arte de manusear o florete, sabre e a espada (armas ‘brancas’ usadas para ataque, defesa e contra-ataque). É o único esporte de combate em que não é permitido contato corporal.”

O advento do esporte decorre da datação de um trabalho em baixo relevo encontrado em um templo construído por Ramsés III, no alto Egito, por volta de 1190 a.C. São passados quatro milênios até que o esporte fizesse parte do retorno dos Jogos Olímpicos na modernidade, em Atenas 1896. O principal objetivo de sua disputa é tocar o adversário sem ser tocado.

Em 2016, o Brasil foi forte por já possuir oito vagas como país sede. Os atletas que iriam disputar deveriam, evidentemente, possuir boas colocações em rankings e competições. Além das oito vagas, o Brasil conseguiu classificação em florete por equipes no masculino, após o 13° lugar no ranking mundial, depois da Copa do Mundo disputada em Bonn Alemanha no começo de 2016. Eles estavam empatados com a equipe canadense e o critério desempate foi o resultado do Pan-Americano de Toronto, em 2015. Na ocasião, o Canadá foi bronze e o Brasil, prata.

Um dos grandes nomes do esporte no Brasil, Guilherme Toldo, esteve em todas melhores classificações na Rio 2016: quartas de final do florete individual e florete por equipes (juntamente com Ghislain Perrier e Henrique Marques). Ele contou ao Arquibancada um pouco sobre como foi representar a esgrima em casa. “Eu já tinha experiência de Londres, então pude aproveitar um pouco melhor essa edição dos Jogos Olímpicos. Todo calor da torcida, dos voluntários, o ambiente e atmosfera criado no Rio de Janeiro, foi muito interessante e particular. Foi o que me deu uma força a mais para poder ter, de repente, esse melhor resultado aqui”.

Toldo é um aspirante e grande colecionador de bons resultados, sobretudo em competições no continente americano. Jovem de 26 anos, ele já coleciona medalhas de ouro, prata e bronze no florete individual e em equipes, nos campeonatos sul-americanos e pan-americanos. É destaque também nos jogos pan-americanos, tendo dois bronzes de Guadalajara 2011 e a prata que garantiu vaga no florete por equipes, em Toronto 2015.

Ele está em preparação para Tóquio 2020, e revela uma estratégia que segundo ele, é diferenciada de outros atletas brasileiros. Toldo dá a fórmula: ter os melhores resultados em copas do mundo, ficar entre os top 30 e 20 em todas competições e, assim, crescer no ranking mundial e em número de medalhas. O objetivo é chegar bem nas Olimpíadas e ter exemplares, como ele diz ter feito no Rio de Janeiro.

No feminino, o resultado mais expressivo também foram as quartas de final, dessa vez com a ítalo-brasileira Nathalie Moullhasen. Ela decidiu representar o Brasil após conseguir a cidadania verde e amarela. Pela Itália, ela já havia sido campeã mundial, em 2009.

Promessa da esgrima brasileira, Guilherme Toldo possui ótimos resultados e participou dos Jogos Londres 2012 e Rio 2016 [Imagem: Alex Livesey/ Getty Images/ Stringer]

3. Tiro esportivo: Um dos esportes que fez parte da reestreia olímpica na modernidade, em Atenas 1896, e que não deveria ser pouco conhecido por aqui, visto sua importância na história olímpica brasileira. Em 1920, em Antuérpia, na Bélgica, o Brasil participava pela primeira vez de uma olimpíada. E desempenhou ótimo resultado. Foram três medalhas: uma de ouro, uma de prata e outra de bronze. Todas conquistadas graças ao tiro esportivo.

As primeiras medalhas olímpicas nesse esporte não conseguiram levar um legado satisfatório. Nas edições seguintes, o Brasil sequer ganhou uma medalha de bronze. Passados 96 anos, tudo mudou com a Olimpíada sendo realizada em casa. A primeira medalha de 2016 veio com o tiro esportivo, no segundo dia da competição. Felipe Wu garantiu a medalha de prata para o Brasil.

Por possuir nove cotas olímpicas para esse esporte, o Brasil abriu mão de duas, já que Felipe Wu e Cassio Rippel foram medalhistas de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em 2015.

Após 96 anos, em casa, o Brasil ganha novamente uma medalha no tiro esportivo [Imagem: Danilo Borges]

4. Ginástica de trampolim: Quem diria que o pula-pula viraria esporte olímpico. Brincadeiras a parte, apesar de ser muito parecido com a famosa cama elástica, a ginástica de trampolim moderna surgiu com outra finalidade: treinar astronautas e desenvolver habilidades acrobáticas em atletas de outros esportes. A criação de George Nissen em 1934 nos EUA só viria a fazer parte das olimpíadas em 2000, na edição da cidade australiana de Sydney.

A prova de trampolim individual é a única inserida na competição olímpica. Devem ser realizadas várias execuções dadas pelos árbitros, além de uma série com dez elementos, com saltos simples, duplos e triplos, com ou sem piruetas.

Na Rio 2016, O Brasil teve como representante o Rafael Andrade, que não avançou para a final, terminando em 15° no quadro geral. Ele é um dos principais nomes brasileiros que está em competições continentais e intercontinentais.

Talvez o desconhecimento dessa modalidade no Brasil se deve a sua vinda tardia para cá. Apenas em 1975 esse esporte chegou aqui e foram necessários 15 anos para que o país participasse pela primeira vez de um campeonato mundial nessa modalidade, em 1990 na Alemanha.

Representante brasileiro na Rio 2016, Rafael Andrade não foi para a final de sua modalidade, ginástica de trampolim {Imagem: Ricardo Bufolin/ CBG]

Hóquei sobre grama: Com início semelhante ao da esgrima, também há indícios de que no Egito Antigo esse esporte já estava sendo praticado. Ganhou hegemonia no Reino Unido no século 18, onde foram formuladas as primeiras regras, times e associações esportivas. Sua tradição seria expandida também para suas colônias, que teriam ótimos resultados no século seguinte.

Sua entrada no grupo de esportes olímpicos com medalhas ocorre somente em 1928, na edição olímpica de Amsterdã. A Índia conquistou o primeiro ouro e consagrou-se, daí em diante, como a detentora suprema do lugar mais alto do pódio. Os indianos ganharam oito ouros no masculino, desde 1928, mas estão em decadência desde 1980, última vez que pegaram pódio (nas edições seguintes, não chegaram nem nas semifinais).

O esporte veio para o Brasil ainda no século 19, com ingleses que vinham a trabalho. Contudo, ficou por aí mesmo. O país seguiu apagado e, apenas em 2012, participou pela primeira vez de uma competição organizada pela Federação Internacional de Hóquei (FIH), no pré-olímpico de Londres em Kakamigahara, no Japão.

A estreia em olimpíadas não ocorreu em Londres, mas em casa. Dessa vez, sem cota olímpica. O Brasil teve que garantir sua vaga de país sede ficando no Top 30 do ranking mundial em 2014 ou estando ao menos em 6° nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015. E conseguiu o quarto lugar em solo canadense. Porém, apenas no masculino. A equipe feminina sequer conseguiu ranqueamento e a vaga de país sede foi realocada para o Japão.

Apesar da torcida da casa, a seleção brasileira amargou um último lugar no seu grupo com uma campanha desastrosa para alguns e orgulhosa para outros: era a primeira participação numa olimpíada, e chegar nessa competição foi algo muito louvável.

Após difícil estabelecimento do esporte no Brasil, a equipe brasileira de hóquei sobre grama estreou em casa, nos Jogos Rio 2016 [Imagem: Vasily Fedosenko/ REUTERS]

6. Rúgbi: Se Atenas foi o berço das olimpíadas da antiguidade, o Reino Unido deve ser lembrado como o berço de muitos esportes das edições modernas. O rúgbi, mais uma vez, teve sua trajetória traçada em solo inglês, desde as partidas medievais até a formulação de regras e federações.

O esporte passou a fazer parte do programa olímpico em Paris 1900, tendo como grande incentivador o Barão de Coubertin. Em Saint Louis 1904, sai do programa e retorna em Londres 1908. Porém, a saída de Coubertin da presidência do Comitê Olímpico Internacional (COI), em 1925, significou a saída do esporte das futuras edições olímpicas.

Em 2009 é aprovado seu retorno, na versão sevens, a partir da edição de 2016. O Brasil garantiu vaga para as seleções masculina e feminina. A equipe masculina saiu da competição em 11° lugar, enquanto a feminina teve um desempenho um pouco melhor: o 9° lugar.

A popularidade do esporte do Brasil é datada na década de 60. Em 1963 é criada a União de Rúgbi do Brasil, substituída em 1972 pela Associação Brasileira de Rúgbi (ABR). Com o retorno olímpico e a necessidade de uma maior organização, é constituída no início de 2010 a Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu), que sucede assim, a ABR.

O rúgbi das primeiras edições olímpicas tinha 15 jogadores. A modalidade sevens é formada apenas por sete, e foi introduzida primeiramente na Escócia, em 1884.

Com 9º lugar geral, a seleção brasileira feminina de Rúgbi teve participação modesta na Olimpíada Rio 2016 [Imagem: David Rogers/ Getty Images]

Os estreantes

Em 2020, Tóquio servirá de palco para cinco estreias de esportes no programa. Ter um esporte reconhecido como olímpico é saber que aquele momento se tornará o auge da exibição de seu país por um atleta ou pelas seleções.

São eles: Beisebol (Softbol na versão feminina), Caratê, Surfe, Skate e Escalada. Após anos de luta e inscrições, esses esportes entraram para o programa olímpico por unanimidade, segundo informou o Comitê Olímpico Internacional.

A aceitação de esportes nesse programa não é fácil. Para Tóquio, foram feitas duas triagens, até que se chegasse aos cinco esportes selecionados. Como se não bastasse essas duas pré seleções, foram utilizados dois critérios, de acordo com o COI: esportes que são muito populares no Japão (beisebol/softbol e caratê) e esportes que atrairá atenção juvenil (skate, surfe e escalada).

Arquibancada
O Arquibancada é a editoria de esportes da Jornalismo Júnior desde 2015, quando foi criado. Desde então, muito esporte e curiosidades rolam soltos pelo site, sempre duas vezes na semana. Aqui, o melhor de todas as modalidades, de todos os pontos de vista.
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