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Mais experimental, Far From Alaska retorna com “Unlikely”
Escuta Aí
18 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

O Far From Alaska investiu pesado para o seu 2017. Após receber um prêmio internacional, fazer uma turnê na gringa e ainda explodir no cenário nacional conquistando seu próprio espaço com seu primeiro álbum, a banda do Rio Grande do Norte foi aos Estados Unidos gravar seu segundo disco com Sylvia Massy. A produtora, que já trabalhou com System of a Down e Deftones, tem um impacto imenso na produção de Unlikely, o mais novo trabalho do quinteto.

O sucesso de crítica do trabalho não é fruto apenas da produção, claro.  Os membros da banda demonstram novos recursos nesse álbum e outras influências não presentes em modeHuman. Isso não significa que soa diferente da gravação de 2014. A banda mantém os recursos e estilos de sua antiga fase, evoluindo o trabalho e atingindo novas referências que enriquecem as músicas.

Unlikely possui riffs de guitarra com muito mais swing, pincelando uma influência no Funk Americano, e tons pop misturados com paredões de drive e sintetizadores. A cozinha do álbum se mostra muito criativa e alinhada, sempre conversando muito bem em todas as faixas. Não se pode ignorar a nova identidade visual da banda, muito mais colorida, que reflete a mais recente fase presente no disco.

Cobra é a primeira faixa do CD, música que já havia sido lançada antes do trabalho completo com direito à videoclipe. Ela abre esse novo caminho da banda de maneira agressiva e, principalmente, barulhenta. As linhas de baixo e de bateria são simples e elegantes, montando o clima perfeito para a entrada do sintetizador e da guitarra que parecem gravadas por uma orquestra inteira,  se esta fosse feita de guitarras com muito fuzz.

Unlikely segue com Bear, que mostra mais a nova cara da banda, deixando muito mais clara essa fusão entre estilos completamente diferentes que o álbum propõe. A música tem vozes que lembram muito o pop, com muitos paredões sonoros ao fundo. Flamingo, terceira faixa, abre com um clima típico de modeHuman, que logo é quebrado pela linha de baixo de Dudio. Rafael Brasil logo emenda um riff que não estamos acostumados a ouvir de sua guitarra: apenas uma nota, que ganha muita força por conta do swing da palhetada de Raffa.

Pig retoma o Lap Steel da Cris característico do modeHuman e que dá o tom dos solos do Far From Alaska. A guitarra havaiana, como também é conhecida no Brasil,  reforça a cara pop das vozes de Emmily, que, nessa música em específico, tem leves referências de um som country. A faixa evidencia a sintonia incrível dos membros e como eles lidam muito bem com as diferentes ambientações sonoras exploradas ao longo do álbum.

Na sequência, ouvimos um novo Far From Alaska em Elephants, que usufrui de uma cadência bem mais devagar e de efeitos que não estamos acostumados na banda, enquanto o refrão entrega exatamente o que se espera do quinteto. Diferentes atmosferas em uma mesma faixa; nada que surpreenda no conceito do álbum, o que é impressionante. Monkey, a sexta do CD, traz uma mistura de Red Hot Chilli Peppers em seus tempos de Funk Americano com o próprio Far From Alaska. Riffs que lembram os álbuns iniciais da banda californiana e um refrão típico do grupo nordestino fazem uma aposta certa que casa muito bem com o conjunto do trabalho.

Pelican da sequência sendo, talvez, a música mais pop do disco. Mesmo quando o peso do fuzz e dos pratos da bateria aparece, a faixa continua com a mesma pegada pop-rock dançante. A ponte de Pelican é um dos pontos mais altos de Unlikely, combinando vozes e sintetizadores e referenciando o estilo de música eletrônica. Em contraponto, Pizza embala o disco em uma jornada de acordes barulhentos quase punk, com pausas para os versos que soam completamente diferentes e levam a uma fusão incrível de dois estilos: a ponte da música te leva a uma jornada pelo estilo Pop mais nostálgico, com sintetizadores que fazem referência à épocas mais antigas do estilo e muito voicecoder. Talvez essa seja uma das faixas que melhor sintetizam o álbum.

A dinâmica espetacular conduzida pela cozinha de Lauro e Eduardo e a presença do slicer na guitarra tão característico junto ao som da SG do Raffa são as marcas mais fortes de Armadillo. Rhino é uma pitada de modeHuman misturada nessa nova fase do Far From Alaska.

Algumas influências da banda são muito claras nesse álbum. Esse fenômeno não é exclusivo de Unlikely, e é algo muito comum na produção musical buscar expressar essas referências. Slug é uma clara homenagem à Metallica, tanto em timbre quanto em peso no refrão, com um andamento mais devagar. Essa faixa tem um tom bem único no CD, apesar de não fugir da sua proposta. Assim como o resto do álbum, o número de atmosferas em um curto espaço de tempo é enorme.

Coruja é a música encarregada de fazer o serviço complicado de finalizar Unlikely. “Can you believe” na presença do baixo nessa música? A mistura de oitavador e fuzz em um baixo destaca o som grave, trazendo uma sensação incrível ao ouvir a faixa. As vozes “oitavando” para cima se contrapõem à isso, exaltando todo o clima da faixa. A última canção desse álbum sintetiza toda sua atmosfera, criando a mesma ambientação do álbum.

Unlikely é um grande avanço do primeiro trabalho do Far From Alaska. Emmily Barreto, Cris Botarelli, Rafael Brasil, Eduardo Filgueira e Lauro Kirsch colocaram muitas referências de diversos estilos musicais em seu som. A evolução da sonoridade da banda é gritante: os recursos técnicos e as influências para a produção desse novo trabalho diversificaram o estilo dos potiguares e permitiram à eles explorarem novos caminhos dentro do seu próprio estilo. Essa nova era promete ser muito interessante. O repertório do segundo álbum promete trazer um ambiente incrível aos seus futuros shows da banda, que já se destaca ao vivo, assegurando apresentações espetaculares.

O show de lançamento de Unlikely em São Paulo acontece no dia 28 de setembro, no Sesc Pompeia.

Por Pedro Gabriel
peedrog98@usp.br

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