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O difícil adeus a The Good Wife
Controle Remoto
07 maio 2016 | Por Jornalismo Júnior

Em sua sétima temporada, chega ao fim nesse domingo (08) o seriado americano The Good Wife (CBS). Mesmo após a confirmação de que essa seria a última temporada da protagonista Julianna Margulies e do casal de roteiristas Michelle King e Robert King – além da saída de outros atores importantes para a série ao longo das temporadas -, o futuro do drama jurídico ainda era incerto até o começo desse ano. Porém, no dia 7 de fevereiro, durante o intervalo do Super Bowl, a CBS confirmou o que muitos fãs já especulavam: que a sétima temporada seria a última do show. Diferentemente de outras séries americanas de TV aberta, como Grey’s Anatomy e Two and a Half Men, famosas por terem se estendido mesmo após a saída de atores protagonistas, The Good Wife não sofrerá desse mal e, no que depender do que prometeram os King, terá direito a uma conclusão satisfatória.

https://www.youtube.com/watch?v=SqWZUYTfTiU

A série

The Good Wife conta a história de Alicia Florrick (Julianna Margulies), advogada que, após 13 anos sem praticar a profissão, se vê obrigada a voltar a trabalhar quando seu marido, o procurador de justiça Peter Florrick (Chris Noth), é destituído do cargo e preso devido a um escândalo de corrupção envolvendo favores sexuais. Em meio à exposição na mídia e seus dramas pessoais com o marido, Alicia começa a trabalhar como advogada de defesa no escritório de advocacia Stern, Lockhart & Gardner, tendo como um de seus chefes sua antiga paixão da época de faculdade, Will Gardner (Josh Charles).

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Alicia (Julianna Margulies) e Peter (Chris Noth) em uma das primeiras cenas da série. Foto: divulgação

Um dos cartazes de divulgação da primeira temporada continha o slogan “não deixe o nome te enganar”, provavelmente um aviso àqueles que, por razões óbvias, associam o título The Good Wife (“a boa esposa”, em tradução livre) a um sentido sexista. Mas o que acontece é totalmente o contrário: Alicia Florrick é uma mulher forte e independente, e o que a série nos mostra com sua personagem é que é possível ser mãe solteira, dona de casa e ter uma carreira promissora ao mesmo tempo, sem precisar de um marido que “sustente o lar”. Além disso, quando se vê no dilema entre perdoar Peter pelas traições (para manter a família unida) ou se aventurar com Will, Alicia sabe que a decisão é apenas sua, e não se sente obrigada a tomar nenhuma decisão para cumprir o papel de “boa esposa”.

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Da esqueda para a direita: Will (Josh Charles), Alicia (Julianna Margulies) e Peter (Chris Noth). Foto: divulgação

Mas o triângulo amoroso não é o ponto mais forte da trama. Ao tratar de direito e política, a série traça um paralelo entre os dois mundos, envolvendo-os, muitas vezes, com os dramas pessoais dos personagens, criando, assim, enredos incríveis e diálogos memoráveis. Somam-se a isso personagens muito bem construídos, que não se resumem àquele maniqueísmo de “bem e mal”, mas que lutam pelos seus próprios interesses e fazem o que for preciso para conseguirem o que querem.  Essa genialidade narrativa dos King é um dos motivos pelos quais The Good Wife pode ser colocada no patamar de um dos melhores dramas atuais da TV aberta americana e também um exemplo do por que se despedir da série será tão difícil.

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O elenco de The Good Wife. Foto: divulgação

Os casos

The Good Wife segue a linha procedural, tipo de série que acompanha um caso a cada episódio. Mesmo esse formato não sendo muito popular atualmente, o drama jurídico da CBS se destaca dos demais ao tratar de casos que conversam com a atualidade e refletem acontecimentos reais, abordando temas como direitos civis de casais formados por pessoas do mesmo sexo, trotes universitários, estupro e violência policial motivada por racismo. Um tema muito atual que também já foi abordado foram as ações do grupo Anonymous, em um episódio onde membros do grupo se manifestam dentro do próprio tribunal. Além disso, a série ousa ao tocar em temas polêmicos como a vigilância exercida pelo governo norte americano, sendo que na quinta temporada a própria Lockhart&Gardner é monitorada pela NSA.

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Membros do grupo Anonymous em episódio da quarta temporada. Foto: reprodução

 

Poder feminino

Além da protagonista, outras personagens femininas possuem papéis importantes e que em muitas outras séries provavelmente seriam interpretados por um homem.  Ao lado de Will Gardner, Diane Lockhart (Christine Baranski) é uma das sócias da Stern, Lockhart & Gardner, firma de advocacia que é um dos principais cenários da história. Além de ser uma excelente advogada de defesa, resolvendo casos com estratégias muito inteligentes, Diane prova que o principal cargo de uma empresa pode ser sim exercido por uma mulher e muito bem.

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Christine Baranski como Diane Lockhart em The Good Wife. Foto: reprodução

Já a misteriosa Kalinda Sharma (Archie Panjabi) é a investigadora da firma. Com seus métodos nada convencionais de investigação, Kalinda conquista o público com seu jeito badass e sua habilidade e rapidez na hora de encontrar pistas que ajudem os advogados a solucionar os casos.

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Archie Panjabi como Kalinda Sharma em cena memorável da série. Foto: reprodução

Prêmios e indicações

Sete anos no ar renderam a The Good Wife 39 indicações ao Emmy Awards e 14 ao Globo de Ouro, sendo que neste último a única vitória foi em 2010, com o prêmio de melhor atriz em série de drama para Julianna Margulies. Já no Emmy Awards a série arrebatou 5 estatuetas, sendo as mais importantes a de melhor atriz coadjuvante para Archie Panjabi em 2010 e de melhor atriz para Julianna Margulies em 2011 e 2014.

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Julianna Margulies recebendo seu Emmy de melhor atriz em 2014 pela sua atuação na quinta temporada. Foto: reprodução

No Brasil, as seis primeiras temporadas podem ser conferidas no Netflix e a sétima e última temporada tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2016 no Universal Channel.

Por Diego Andrade
diego13.andrade@gmail.com

 

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