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O Enigma da Rosa: a brutalidade dos segredos de uma família normal
CINÉFILOS
17 out 2019 | Por Renata Souza (renatasouza@usp.br)

Morde o lábio. Respira. Crava as unhas na mão. Respira. Cerra os dentes. Em poucos minutos O Enigma da Rosa (Bajo la Rosa, 2019) começa a te fazer repetir movimentos como esses, que serão levados até o último instante.

O suspense espanhol retrata as consequências do sequestro da pequena Sara Castro (Patricia Olmeda). A história se desenrola quando, alguns dias após o desaparecimento da menina, o suposto sequestrador entra em contato com a família da garota propondo um encontro. São informados que para ter sua filha de volta um dos familiares, Julia (Elisabet Gelabert), Oliver (Pedro Casablanc) ou Alex (Zack Gómez), respectivamente sua mãe, pai e irmão, deve revelar um grande segredo que esconde dos demais.

Toda a sequência se passa em apenas uma noite, na qual hora após hora as personagens sofrem uma intensa degradação. Essa aposta de roteiro pode ser arriscada caso a construção não seja capaz de manter o espectador interessado naquele mesmo ambiente. Mas nesse caso funciona. As cenas oscilam dos momentos de suspense para os de angústia, sem deixar espaço para o tédio.

Em certo momento, para lá do meio do filme, parece que a sequência da história está ficando previsível e que a partir dali já se pode saber como as coisas funcionarão. Depois você percebe que não é bem assim. Além de manter a narrativa dinâmica, o roteiro aborda questões sócio-estruturais relevantes e complexas.

O Enigma da Rosa reúne os elementos clássicos de um bom suspense: paleta de cores fria, uma ótima trilha sonora, que nesse caso é composta apenas por concertos,  roteiro bem amarrado e um final de tirar o fôlego.

O desespero de Julia na notável interpretação de Elisabet Gelabert [Imagem: Divulgação]

Agora algo que deve ser ressaltado são as grandes interpretações de Elisabet Gelabert, a mãe, e Ramiro Blas, o sequestrador. Mesmo as personagens tendo suas histórias pouco desenvolvidas em relação ao passado da noite em que tudo se passa, Julia e o “homem de preto”, interpretado por Ramiro, desenvolvem as figuras da mãe que faria qualquer coisa pela segurança da filha e do sequestrador frio, sádico e controlador da situação de maneira admirável.

No fim das contas, a sensação provocada pelo longa-metragem de Josué Ramos pode ser resumida em uma palavra: angústia.

Já premiado internacionalmente, o longa tem data de estreia prevista para o dia 17 de outubro no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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