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Outros tempos – Velhos: Um retrato fiel da velhice
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09 jul 2017 | Por Jornalismo Júnior

“Melhor idade”? “A vida só começa depois dos 40”? É o que dizem. Mas envelhecer não é algo romântico e maravilhoso como muitos idealizam. A realidade precisa ser notada. E é essa a proposta de Outros tempos – Velhos. A nova série documental do canal MAX mostra como é envelhecer no Brasil dos dias de hoje.

Ao longo de seus oito episódios, a série dialoga com várias pessoas da terceira idade, mostrando suas rotinas, hábitos e, principalmente, sua história. Cada um é estruturado da seguinte forma: duas pessoas, uma personalidade conhecida e a outra, uma anônima, dividem o episódio que contrasta as duas vidas e visões diferentes de mundo.

As protagonistas do primeiro episódio são Lídia Serrano e Regina Guerreiro. Lídia, com 83 anos, é a “anônima”. A ex-dançarina de flamenco, agora dona de casa, conta sobre suas vivências desde a infância até a maturidade. Em seus relatos, Lídia fala com animação sobre a época em que era dançarina e vivia pela arte. Até que, em um baile, conheceu aquele que seria seu futuro marido. Assim, com o casamento, Lídia deixou tudo para trás para se dedicar à edificação de sua família.

Já Regina Guerrero, é a personalidade conhecida. Aos 75 anos, ela é referência no mundo da moda e uma jornalista bem-sucedida do ramo. Em seu luxuoso apartamento, ela abre portas para sua vida, relatando desde a infância, como uma garota solitária, até adentrar o universo fashion. Regina formou-se na faculdade Cásper Líbero, contra a vontade de seu pai, visando trabalhar com jornalismo escrito e ser redatora. Mas acabou, por acaso, se tornando uma das maiores image makers do Brasil. No seu currículo, encontram-se suas várias experiências na carreira em revistas como Harper’s Bazaar, Elle e Vogue – nesta última, atuou como editora de moda por 14 anos.

Regina Guerrero, famosa jornalista de moda, relembra os auges da sua carreira. Foto: Divulgação

Ao decorrer do primeiro episódio, as personagens opinam sobre diversos assuntos, cada uma com um ponto de vista diferente, devido às suas criações e vidas, que seguiram rumos completamente distintos. Quanto à família, Lídia se mostra a típica “Dona Nenê”. Matriarca de uma grande família, ela preza pelos valores familiares, pelo seu casamento e pela união dos filhos. Somos convidados a acompanhar a famosa tradição dos almoços de domingo, em que ela, juntamente do marido, faz questão de ter uma mesa sempre lotada (de pessoas e comida). Por fim, a personagem revela que acredita ser essa sua missão no mundo: cuidar da família.

Regina, por sua vez, é o completo oposto. Ela diz não gostar de todo esse conceito da vida familiar e hábitos como os frequentes almoços familiares nos domingos, dias em que ela geralmente passa sozinha. Esse pensamento é como uma consequência da sua infância, solitária e individualista, que acabou refletindo em sua vida. Por conta do trabalho e carreira – que sempre foram seus principais focos – Regina não teve muitas condições de dedicar-se à uma família. Assim, a jornalista chegou à velhice sem nenhum filho e viúva do único casamento que a fez feliz.

Deste modo, somos convidados a ouvir os protagonistas abrirem seu coração e confessarem várias vezes ao telespectador suas mais profundas decepções e conquistas ao longo da vida. Chegam a abordar até mesmo temas como a morte. Nesse caso, ambas as personagens do primeiro episódio concordam que já fizeram tudo que tinham de fazer na vida. Creem que agora só lhes resta viver o presente, porque “o futuro é agora. Vai acabar daqui a pouco” – como afirma Regina.

A atriz, Tânia Alves, é uma das estrelas da série e relata sobre o envelhecer. Foto: Divulgação

A série ainda promete muitas histórias, além da participação de vários outros personagens, como o cantor Ney Matogrosso e a atriz Tânia Alves, mostrando o que significa ser um idoso e envelhecer no Brasil do século XXI. Várias temáticas polêmicas também entram em pauta e suas visões na sociedade são debatidas. Certamente, a série é mais um dos acertos nas produções documentais originais do grupo HBO.

Tanto para os mais maduros, mas principalmente, para os mais jovens, a produção é uma lição de moral. Somos ensinados sutilmente da necessidade de valorizar todas as fases da vida, para que ao final de tudo, nos futuros tempos velhos, restem apenas alegrias com as boas lembranças e orgulho por ter superado todos os obstáculos de nossas longas jornadas. Sem dúvidas, é algo que vale a pena conferir! Outros tempos – Velhos será exibida todas às terça-feiras, 23h, no canal Max.

Gabriel Bastos
gabriel.bastos@usp.br

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