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Retrospectiva 2017: melhores álbuns internacionais
Escuta Aí
01 jan 2018 | Por Jornalismo Júnior

Em 2017, os álbuns internacionais foram marcados pela sua grande qualidade: com letras bem elaboradas e produção rica e diversa, o ano deixou uma série de álbuns que ficarão como referência! O Sala 33 elaborou uma lista com os dez melhores, sem uma ordem específica. Confira abaixo!

Paramore – After Laughter

O Paramore lançou um disco novo após quatro anos do último trabalho que leva o nome da banda no título. Nesse período, o baixista Jeremy Davis saiu do grupo, enquanto o baterista Zac Farro retornou a Hayley Williams e Taylor York, o que trouxe felicidade a muitos fãs que sonham em ver e ouvir a formação original da banda novamente. O retorno de um dos irmãos Farro reflete na sonoridade do grupo, que tem levadas muito mais interessantes considerando os trabalhos anteriores. A sonoridade do grupo mudou muito em relação ao último trabalho da banda, que já apresentava novos rumos há um tempo. As músicas, muito mais pop que punk, abordam temas complicados com melodias alegres, trazendo uma certa leveza ao CD.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

2017 foi o ano em que ambos os irmãos Gallagher lançaram um trabalho novo e infelizmente não foi nada relacionado ao Oásis. O trabalho de Noel mostra um lado diferente do britânico que não conhecíamos até então. Com uma sonoridade muito cheia e pouco simples, o novo CD de Noel Gallagher é um passo de distância de sua antiga banda sonoramente. Muito distante do Oasis, Noel se reinventou e produziu um trabalho excelente, com grandes linhas de metais ao fundo e uma cozinha excelente, muito alinhada. Os graves do novo trabalho são o destaque da obra, que criam a vibe perfeita para aproveitar o disco. Talvez o Oasis nunca volte, mas se for o caso, o trabalho solo de Noel parece ser um dos pontos positivos disso.

Harry Styles – Harry Styles

Os meninos de One Direction foram se aventurar sozinhos dessa vez e parece que Harry Styles acertou no caminho para isso. O britânico estourou com seu primeiro álbum, que lançou hits incríveis como Sign of the Times, Kiwi e Woman. O autor deste texto confessa o preconceito com o CD antes de ouvi-lo, mas hoje admite o erro que foi esse momento. Harry fez melodias incríveis e mostrou lados musicais que nenhum fã conhecia até então com músicas em diversos estilos, inclusive o famoso Rock’n Roll. As linhas de guitarra são incríveis, assim como o vocal e os backing-vocals que não deixam a desejar. Uma obra grandiosa merece ser ouvida novamente em 2018 e nos anos seguintes, um álbum que causa diferentes sensações enquanto se escuta, todas muito intensas.

Jay – Z – 4:44

Vocês lembram quando a Beyoncé lançou o Lemonade no ano passado? É, então, a outra metade do casal decidiu seguir a onda e se abrir com o público. “4:44” saiu para os ouvintes conhecerem mais sobre o lado mais pessoal do rapper, quebrando o semblante tradicional de Jay-Z que mostrava um cara frio e distante. O álbum mostra vários aspectos da vida pessoal do cantor, inclusive o momento em que traiu sua esposa. Além disso, as músicas são muito bem trabalhadas. Cada faixa mostra um cuidado muito grande por parte do artista, talvez pela mensagem nas músicas ou pelo perfeccionismo do artista. De qualquer forma, o álbum foi muito bem aceito pela crítica e merece um espaço nessa lista.

Kendrick Lamar – DAMN.  

O quarto disco de estúdio de Kendrick Lamar, “DAMN.”, é a obra de consagração de um grande artista em ascensão nos últimos anos. Kendrick trabalha no simples, as batidas por trás não são complexas, o que deixa o foco para suas rimas que, como sempre, falam muito bem. O rapper não decepciona. Fala sobre suas convicções e constatações com muita propriedade, trazendo inúmeros hits para o álbum. Além disso, para completar esse trabalho incrível traz parcerias sensacionais, como Rihanna e U2. O single Humble pode ser considerado como uma das melhores músicas do ano, sendo um dos pontos altos do disco. Loyalty tem um refrão incrível e a voz de Rihanna faz toda a diferença na música.

Kelela – Take Me Apart

Kelela já demonstrava sua versatilidade e potência vocal desde a época de sua mixtape e EP. “Take Me Apart”, porém, foi uma consolidação artística contundente: letras maduras e expressivamente intensas e  produção rica e diversa que criaram uma sonoridade característica para a cantora. A ambição da sua personalidade se expande e atinge todos os níveis sonoros e visuais. Ao mesmo tempo, cada  sutileza presente no álbum ajuda a magnificar sua força e expressividade. Em Turn To Dust,  a cantora relata a frustração perante um amor que não progride, ao mesmo tempo em que reconhece a inevitabilidade das suas emoções e a devoção, construindo uma atmosfera que dialoga com a paralisação e confusão dos sentimentos. A letra é auxiliada por uma produção de Arca, em que o maior momento da música se dá graças à diversidade de camadas vocais e à instrumentalidade com finalização súbita. Em Blue Light a cantora explora a sensação de se permitir entrar em uma nova extensão sentimental, deixando atrás a posição de cautela, auxiliada por uma batida estimulante e energizante. Todos seus elementos ajudam a construir uma obra densa, íntima e coesa, para auxiliar no posicionamento da cantora e do álbum como uma das mais marcantes de 2017.

SZA – Ctrl

O próprio lançamento do álbum de estréia de Solána Rowe já parecia uma vitória: a cantora sofreu com diversos atrasos e problemas para a efetivação da obra, atravessando graves crises de ansiedade e insegurança além de entraves burocráticos com gravadoras, chegando a anunciar sua desistência da carreira musical em certo momento. Esses empecilhos demonstraram um grave retrocesso para uma artista que já havia consolidado uma sonoridade própria, chegando a colaborar com artistas como Kendrick Lamar em seu terceiro EP, lançado independentemente. As expectativas eram diversas, e o resultado é um projeto tão bem estruturado que o furacão por trás dele parece imperceptível ou, possivelmente, foi impulsionador de uma obra ainda mais aprofundada. Em Normal Girl,  a cantora evoca uma grande sinceridade lírica envolvendo insegurança pessoal e em relação aos outros, favorecida por uma progressão de teclado envolvente, que é potencializada pela guitarra no momento de ápice da música. Momentos como esse provam a versatilidade vocal e instrumental do “Ctrl”: um álbum aberto sobre amor, desilusão e autoestima, atrelados a uma vivência não apenas atual, mas real. SZA não segura sentimentos nem opiniões, o que a ajudam a se aproximar ainda mais dos ouvintes e transmitir sua mensagem com mais efetividade.

Tyler, The Creator – Flower Boy

A mensagem de Tyler, The Creator nem sempre foi bem assimilada: sua atitude era agressiva e determinante, dividindo seus ouvintes entre aqueles que simpatizavam com suas letras e ideia, conseguindo assimilar o que ele dizia de uma forma relativamente bruta, e aqueles que se confundiam com suas intenções. Muitas vezes, ele próprio parecia não se importar muito em relação à interpretação tida por aqueles que ouviam sua música. A nebulosidade de sua obra passada parece se esfumar para abrir espaço a “Flower Boy”, um projeto que recolhe o que Tyler havia construído e o sintetiza em um imaginário belo, ideal e mais claro. Não que esteja desprovido de sentimentalidade densa ou momentos escuros, mas muitas vezes esses vêm acompanhados de produção refinada e bem estruturada, que ajudam a criar uma atmosfera diferente daquela vista em outros momentos. Independente do que se perceba sobre Tyler, a curiosidade perante sua construção artística permanece e se desenvolve ainda mais em “Flower Boy“, consolidando-o como um dos principais projetos de hip-hop do ano.

Lorde – Melodrama

O Pop moderno é cada vez mais desafiante, tanto sonora quanto lírica e até esteticamente. A  exigência para a consolidação de canções mais inovadoras mas ao mesmo tempo sinceras e expressivas é cada vez maior. Quando surgiu em 2013, Lorde pareceu uma respiração de ar fresco: a sua produção era diferente mas dançante e diversa, as letras eram tocantes para seus contemporâneos de idade e relataram expressividade sincera de uma menina dos subúrbios neozelandeses. Nesse sentido, se “Pure Heroine foi uma apresentação para a personalidade dessa garota fora da curva e tímida, que tinha seu mundo voltado em torno da sua realidade local, “Melodrama” representa a consolidação de uma jovem mulher após seu reconhecimento pelo mundo e o seu crescimento pessoal nos últimos anos, lidando não apenas com a vida pública mas com o drama da vida pessoal, envolvendo seu término amoroso e os diferentes níveis de emoção que ele pode causar. “Melodrama” é uma porta aberta para os sentimentos da cantora, muito mais visceral do que a encontrada na sua estréia de quatro quatro anos atrás – acompanhada das influências de hip-hop que já se faziam presentes em PH e novos elementos. “Melodrama é uma euforia sentimental e uma viagem pela sensação de entrega e perda, o que o fazem valer a pena.

LCD Soundsystem – american dream

Assim como a consolidação do álbum da SZA, a existência de “american dream já é uma vitória: o álbum de retorno da banda gerou diversas expectativas em seus fãs após o impacto da sua separação. O fato é que o álbum se consolidou como uma intensa viagem introspectiva que transporta a diferentes atmosferas sensoriais com sucesso. É uma combinação da sonoridade clássica com umas novas tentativas. how do you sleep? é um dos principais momentos do álbum em em que esses novos caminhos se percebem: os pulsantes e contínuos sintetizadores ajudam a compor uma sensação de incerteza que transporta quem escuta. Essa é a maior característica desse álbum: uma explosão que retoma um ambiente disco eletrônico-psicodélico sensual que chama para a pista de dança e mesmo assim consegue promover reflexões sobre angústias e emoções, por isso um destaque para 2017.

 

Por Daniel MedinaPedro Gabriel
danieltmedina@gmail.com | peedrog98@usp.br

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