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Síndrome de Luna, ou personagens que amamos, mas não conhecemos muito bem
CINÉFILOS
18 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Mariana RudzinskiNatan Novelli Tu
marianarudzinski71@gmail.com
natunovelli@gmail.com

772. Este é o número de personagens que fazem parte do universo de Harry Potter. A soma inclui todos os bruxos, trouxas e criaturas fantásticas mencionados durante os sete livros escritos. O mundo criado por J.K. Rowling é tão complexo e tão cheio de detalhes que, obviamente, não foi possível desenvolver as histórias de todos esses personagens, mesmo ao longo das 1.084.170 palavras escritas pela autora. Nos filmes, então, explorar todas essas criaturas é ainda um pouco mais complicado, devido à limitação de tempo dos longas, algo que não ocorre nas páginas. Ainda assim, as adaptações dos livros do bruxo para as telas estão entre as melhores já realizadas até hoje, e mesmo os personagens que não são centrais no enredo chamam a atenção e conquistam o carinho mesmo daqueles que não são leitores da saga.
PersonagensHP

Pensando nisso, o Cinéfilos descobriu, através de pesquisas altamente fantásticas (isto é, usamos magia), que algo nunca antes estudado acomete alguns dos integrantes mais queridos do mundo fantástico de Harry Potter: um fenômeno que decidimos batizar de Síndrome de Luna. Essa síndrome é encontrada naqueles personagens tão interessantes, e com tanto potencial, mas que aparecem poucas vezes nos livros (e que têm menos tempo ainda nas telas), e que gostaríamos de conhecer melhor. Fizemos, então, uma relação de algumas figuras marcantes que evidentemente possuem a Síndrome de Luna e nos propusemos a analisá-los. O motivo? Com o lançamento do novo filme que aborda o mundo mágico, Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016 ) – que contará as aventuras de Newt Scarmander, que aconteceram bem antes do Menino Que Sobreviveu nascer – , quem sabe os produtores (e J.K. Rowling) não se empolgam e lançam também outros filmes sobre esses personagens? Os fãs certamente agradeceriam!

Luna Lovegood

Quem melhor para encabeçar esta lista do que a personagem que empresta o nome para o fenômeno? Luna Lovegood é uma das personagens mais queridas de toda a série, que foi aos poucos se tornando amada, tanto pelos fãs quanto pelos próprios personagens da história, por seu jeito excêntrico e falas sempre muito honestas, mas com doses únicas de loucura, que só ela é capaz de conciliar.
Luna Lovegood_1

A garota da casa Corvinal apareceu pela primeira vez em Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007). Desde então, ela teve importância relativamente grande nos filmes seguintes, principalmente por apresentar a Harry algumas criaturas misteriosas – como os testrálios e os narguilés, por exemplo (além de citar várias outras, que apenas ela e seu pai, Xenofílio Lovegood, acreditam existir) e por sempre acreditar no protagonista, mesmo quando a maioria do mundo bruxo não o fazia. Além disso, ela é responsável por algumas das melhores frases dos filmes, como “as coisas que perdemos sempre encontram uma maneira de voltar para nós”, “você é tão são como eu” ou “você está excepcionalmente ordinário!”, ao se referir à aparência de Harry.

Luna, que, segundo Rowling, é o tipo de pessoa que provavelmente acreditaria em 10 coisas impossíveis antes do café da manhã, é tão única que certamente daria uma ótima protagonista. Gostaríamos muito de saber mais sobre a sua família igualmente excêntrica, sobre como ela conseguiu seus Spectrespecs (óculos que possibilitam que bruxos enxerguem itens magicamente ocultos), sobre suas habilidades como narradora de quadribol (mais uma cena maravilhosa protagonizada por ela que não apareceu nos filmes) e talvez também sobre seu senso de estilo tão encantador – que inclui a escolha de brincos no formato de rabanetes, por exemplo.
Luna Lovegood_2

Argo Filch

Argo, da mitologia grega, era o nome de um gigante de 100 olhos que servia de vigia da deusa Hera. Filch, do inglês, significa roubo, normalmente de maneira furtiva. Juntando os dois, temos então o perfeito resumo da personalidade e função deste personagem. Como vigia da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Filch tentava, sempre de forma muito silenciosa, flagrar alunos em momentos inoportunos, a fim de enquadrá-los em suas corriqueiras detenções.
filchdh

Seja na companhia de sua fiel gata, Madame Norra, nas desventuras contra os irmãos Weasley, ou nas reclamações acerca de Pirraça, o poltergeist, Filch é muitas vezes lembrado como o lado sombrio e misterioso de Hogwarts. No entanto, do ano em que entra, em 1973, até o que Harry conclui sua formação, Filch guarda sem dúvidas muito das histórias e segredos da instituição, entre eles, o Corredor Proibido e o Mapa do Maroto. E falando no Mapa, não é difícil imaginar que o nosso vigia tenha também tido muitos problemas com o quarteto de amigos que o criou.

Em nenhum momento, o filme parece nos dar pistas do motivo de Filch ser tão ranzinza. Uma boa hipótese remete a um possível passado sofrido decorrente da sua condição de aborto, em outras palavras, filho de pelo menos um bruxo, que não conseguiu desenvolver poderes mágicos. Curiosamente, parte dessa personalidade surge como alívio cômico no quarto e no último filmes, em que ele, por exemplo, dispara o canhão de início do Torneio Tribuxo cedo demais ou grita cartunescamente com alunos que parecem nem dar bola para ele. Essa abordagem, mesmo que funcione, tira infelizmente um pouco dos enigmas envoltos sobre o personagem.

Por fim, algumas teorias ainda supõem um possível relacionamento de Filch com Irma Pince, a também irascível bibliotecária de Hogwarts. Especulação que ganha força, uma vez que os dois são vistos juntos no funeral de Dumbledore. Mas é claro que para destrincharmos tudo o que ele poderia acrescentar à narrativa, precisaríamos ter mais oportunidades de conhecê-lo. E é por isso que o Cinéfilos o selecionou. Afinal, conhecer mais de Filch é conhecer mais do próprio universo mágico.

Argus Filch_2

Os marotos

“Eu juro solenemente não fazer nada de bom”

Se você conhece o universo de Harry Potter, provavelmente já usou essa frase em alguma ocasião, e talvez já tenha pensado que seria muito útil ter em mãos o Mapa do Maroto, para evitar trombar com pessoas indesejadas. Mas quem, afinal, são os marotos?
Marotos_1

Os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas (Remo Lupin, Pedro Pettigrew, Sirius Black e Tiago Potter, respectivamente) criaram o objeto mágico encontrado pelos gêmeos Weasley e presenteado a Harry Potter em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004), mas não sabemos muito sobre eles, além do que os filmes e livros mostraram, que abrange basicamente seus papéis como protetores de Harry (no caso de Sirius e Lupin, pelo menos). Na verdade, nunca foi feita a ligação entre esses personagens e o mapa, mas a autoria foi confirmada por Rowling. Há um grande interesse por parte dos fãs para descobrir como eram os marotos quando foram alunos de Hogwarts, principalmente depois de termos um pequeno vislumbre no quinto filme, quando o protagonista tem acesso a uma memória de Severo Snape, que estudou com os marotos, sobre o grupo.

No terceiro filme, haveria um flashback exclusivamente sobre os marotos – o que existe também no livro –, porém a cena foi cortada na edição final. O diretor do longa, Alfonso Cuarón, fez uma revelação sobre como eles seriam representados nos filmes, comparando-os com os Beatles, para diminuir (ou aumentar ainda mais) a curiosidade dos potterheads: “Tiago era como Paul [McCartney] – bonito e seguro consigo mesmo – e Sirius era como John [Lennon], já que ele era um pouco encrenqueiro e anarquista”.

Infelizmente, J.K. Rowling disse em várias ocasiões que não pretende escrever sobre os marotos, ainda que eles sejam tão amados. Contudo, já que a própria autora não o fará, os fãs, que sentem falta dos personagens nos livros e filmes, encarregaram-se de escrever histórias a respeito do grupo, detalhando como se conheceram, como foi sua juventude e explorando melhor suas personalidades. As fanfics sobre os marotos são bastante populares e numerosas, e funcionam como uma maneira de conhecermos melhor esses personagens tão curiosos.

Marotos_2

 

Sibila Trelawney

E fechando esta lista está a professora de Adivinhação, Sibila (que no inglês ‘Sybill’ é o nome de uma sacerdotisa da mitologia grega, além de ‘sibila’ ser justamente uma mulher que prevê o futuro) Trelawney. Tataraneta da grande vidente Cassandra Trelawney, Sibila sempre viveu sob a sombra da antepassada. Tendo ela mesma estudado Adivinhação em Hogwarts, Sibila quase chegou a perder sua profissão, uma vez que várias de suas previsões se mostrariam erradas, se ela não tivesse entrado em transe exatamente no dia em que ela estava para ser demitida, e previsse a derrota de Voldemort. A previsão então levaria Dumbledore a acolher Harry Potter, de onde toda a trama se sucederia. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix, há todo um segmento em que Harry vai até o Hall das Profecias no Departamento de Mistérios do Ministério da Magia para ouvir justamente esta mesma profecia de Trelawney.

Hall of Prophecy

Com seu visual espalhafatoso e jeito contido, Sibila chegou até mesmo a prever a morte de Harry, que de fato esteve por muitas vezes perto de acontecer. Mesmo que muitos questionassem suas previsões, muitas delas foram no final consumadas, como a grande quantia de ouro que Harry acabou ganhando com o Torneio Tribuxo e da herança de Sirius Black ou o posto que ele teria no Ministério da Magia. Por fim, ainda é interessante traçar um paralelo de como o olhar cético que os bruxos têm sobre a adivinhação se parece com o que os trouxas têm sobre a bruxaria. E, se mesmo que muitas das previsões banais acabem não se realizando, a mais importante de todas preveniu grandes infortúnios. Por conta disso, o Cinéfilos acredita que um maior destaque à Sibila e suas previsões provavelmente renderia novas e envolventes estórias ao universo criado por J. K. Rowling.

Sibila Trelawney

A relação de nomes, com certeza, poderia se estender por muitas e muitas outras palavras. Mesmo assim, o que se pode tirar disso é uma excelente constatação: a riqueza de personagens, ambientes e criaturas só mostra como Rowling foi bem-sucedida em introduzir um mundo tão imersivo na cultura popular de todo o planeta. Não à toa, blogs, canais do YouTube, celebrações, parques temáticos e até peças de teatro são inteiramente dedicadas ao bruxinho. Que venha então Animais Fantásticos e Onde Habitam. Juremos solenemente não fazer nada de bom enquanto o filme não tiver estreado.
fantasticbeasts

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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