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Verdade ou Desafio não convence como filme de terror nem como drama adolescente
CINÉFILOS
02 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

Um grupo de amigos decide passar o feriadão da faculdade no México. Regada a muita curtição, a viagem esconde em seu final uma experiência estranha que trará consequências inimagináveis para os jovens. Verdade ou Desafio (Truth or Dare, 2018) é um filme que tenta desenvolver uma trama original, mas que cai no mais do mesmo do cinema de horror.

A ideia por trás da premissa é muito interessante: de que demônios podem possuir não só pessoas mas também ideias, como um simples jogo de verdade ou desafio. Apesar do conceito diferente, o desenvolvimento do longa é fraco e cheio de artifícios ultrapassados para assustar e causar medo.

A introdução do filme é boa e instiga muito a curiosidade de quem assiste. A primeira cena causa certo impacto e estranhamento, uma vez que mostra uma jovem que para em um posto de gasolina e logo em seguida ateia fogo no corpo de uma mulher. O uso desse recurso insere o espectador na trama de forma repentina, fazendo com que ele se sinta perdido sem saber o que está acontecendo.

Apesar disso, quando o filme tenta dar profundidade aos personagens acaba se perdendo. O clima macabro da história fica subordinado às atitudes dos protagonistas, que são baseados em clichês do gênero. Olivia (Lucy Hale) é extremamente ingênua, ao ponto de levar os amigos para uma igreja abandonada com um homem que acabou de conhecer em uma festa. Tyson (Nolan Gerard Funk) é aquele típico personagem que tenta ser cômico de maneira extremamente forçada, chegando a fazer piada da morte de um de seus amigos. Esses são apenas alguns exemplos da forma estereotipada que alguns personagens são tratados pelo roteiro raso.

Verdade ou Desafio

Olivia e seus amigos na igreja abandonada [Blumhouse/Universal Pictures]

Toda a história acaba sendo moldada pelos dramas dos jovens. As duas personagens que mais ganham destaque são Markie (Violett Beane) e Olivia, sendo que a relação de amizade existente entre elas não é tão bem explorada. Alguns temas acabam sendo expostos mas não discutidos profundamente, como a questão do suicídio do pai da Markie e o segredo que Olivia esconde da amiga em relação a esse acontecimento.

Outro aspecto que chama a atenção é a forma como o mistério se desenvolve. No último arco da trama, as soluções para o problema aparecem rapidamente, e tudo é explicado de uma vez só. O conteúdo desse mistério é muito interessante, porém a forma como tudo vem à tona não é eficiente. Deixar pistas ao longo do filme seria um artifício mais inteligente do roteiro porque faria o espectador pensar mais para tentar ligar os pontos da história, não o subestimando.

Um ponto que merece destaque é o recurso estético que dá a forma bizarra como o demônio se manifesta. A descrição da personagem de Lucy Hale é muito sugestiva: como se as pessoas estivessem usando um filtro estranho do snapchat.

Verdade ou Desafio

Manifestação do demônio em uma das personagens [Blumhouse/Universal Pictures]

O desfecho da história também deixa muito a desejar. Com um final semelhante ao de O Chamado 3 (Rings, 2017), a resolução do problema, quando tudo parecia estar acabado, é muito preguiçosa.

Carregado de jump scares previsíveis e mortes sem nenhuma criatividade, Verdade ou Desafio tenta apresentar conceitos interessantes mas desenvolve a história de forma rasa, focando em dramas adolescentes que servem de sustentação para terror.

O filme estreia dia 3 de maio. Confira o trailer no link abaixo:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

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