Por Ana Carolina Mattos (a.carolinamattosn@usp.br), Fernando Silvestre (fernando.silvestre@usp.br) e Victória Guedes (victoria.guedes12@usp.br)
Em 1910, um time inglês viajava pela América do Sul com o objetivo de popularizar e disseminar o futebol pelo mundo. O clube em questão era o Corinthian Football Club, fundado em 1882 com a ambição de criar um adversário à altura de times escoceses que, à época, eram os grandes vitoriosos do futebol, com times fortes, unidos e que diferentemente de muitos outros daquele período, pouco trocavam seus jogadores.

O fundador do Corinthian, Nicholas Lan Jackson, recrutou os melhores jogadores de faculdades e colégios da época e formou um time composto por amadores. O clube era reconhecido por difundir um “futebol honesto”, pautado em valores de parceria e em defesa de jogos justos – se um jogador do time adversário saía do jogo, por exemplo, algum integrante do Corinthian também era retirado de campo, com o intuito de manter o jogo o mais justo possível.
Em 31 de agosto de 1910, o Corinthian jogava na cidade de São Paulo uma partida que venceria contra o time Associação Atlética das Palmeiras, um importante clube paulista à época, extinto em 1929 devido a dificuldades em se adaptar à profissionalização do futebol. Na torcida, assistiam ao jogo o grupo de trabalhadores Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira, Rafael Perrone, Anselmo Côrrea e Carlos Silva, que já pensavam em fundar um time de futebol no bairro em que viviam, o Bom Retiro. Assim, em 1° de setembro de 1910, muito inspirados pelo time inglês, fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, clube que já nasceu com a aspiração de ser um time feito pelo povo, para o povo, com a proposta de um futebol mais popular.
“O Corinthians será o time do povo e o povo é quem vai fazer o Corinthians”
Frase atribuída a Miguel Battaglia, presidente do Corinthians em 1910

A foto que retrata o time inicial do Corinthians em 1910 foi tirada por seu presidente na época, Miguel Battaglia [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Apesar dos poucos dias no cargo, Miguel Battaglia foi o primeiro presidente do Corinthians. O time tinha um caráter tão popular que a primeira bola da equipe foi comprada com dinheiro arrecadado em um financiamento coletivo realizado com as doações de moradores do bairro do Bom Retiro. Com o clube fundado, uma bola e o time formado, em 14 de setembro de 1910 acontecia o primeiro jogo da história do Alvinegro.
A partida era contra o União da Lapa, considerado um dos melhores no meio do futebol da várzea paulista. Apesar da vitória do time adversário, o placar de 1 a 0 revelou que o recém nascido Sport Club Corinthians Paulista já mostrava um grande potencial. O jogo seguinte, realizado apenas quatro dias depois, em 18 de setembro, foi contra outro time de várzea da época, o Estrela Polar. Com um placar de 2 a 0, era a primeira vitória da história do Corinthians, iniciada pelo gol do atacante Luigi Salvatore Fabbi Filho, seguido pelo gol de Jorge Campbell, sendo esse o único gol do jogador em sua carreira no Corinthians.
O jogo ocorreu no que seria o primeiro campo da história do time, um terreno no Bom Retiro alugado entre 1910 e 1912, o Campo do Lenheiro. No ano seguinte, 1913, a maioria dos jogos passaram para o Parque Antártica que, anos depois, seria comprado pelo Palmeiras, antigo Palestra Itália, rival histórico do Corinthians.
Talvez o mais emblemático de todos, o Parque São Jorge, também conhecido como Fazendinha, serviu como sede dos jogos do Corinthians por anos até a torcida se tornar grande demais para o espaço, forçando o clube a buscar alternativas para sediar os jogos, como o Estádio Pacaembu. Dali, surgiu uma das imagens mais proeminentes da história do Corinthians – a associação do clube com São Jorge, considerado o santo padroeiro do time.
A legitimidade de São Jorge como padroeiro do Corinthians é um consenso; existem, porém, diferentes versões de como essa relação se estreitou. Alguns registros afirmam que a associação nasceu a partir da compra do terreno em 1914, alegando que os donos do local eram devotos do santo e que torná-lo padroeiro seria uma espécie de homenagem. Mas, segundo o historiador do Corinthians Fernando Warner em entrevista ao portal Meu Timão, a relação de São Jorge com o clube se deu devido a Antônio Pereira, um dos fundadores do Corinthians que insistia há anos na compra do terreno, era devoto de São Jorge e até teria feito uma missa para celebrar a compra do local.
Existe ainda a relação do santo com a equipe inglesa Corinthian Football Club – já que também era considerado padroeiro do time europeu -, além da teoria de que a explicação seria o próprio nome da rua em que ficava o terreno, a “Rua São Jorge”. O santo é considerado protetor de soldados e guerreiros e em geral, associado à resistência e aos atributos dos guerreiros.
Durante o ano de 1911, o Corinthians continuou progredindo. Jogou novamente contra o União Lapa e ganhou ambos os jogos, com placares de 6 a 1 e 3 a 1. Em 1913, o clube passa por um processo seletivo para integrar a Liga Paulista de Futebol, o atual Campeonato Paulista.
Para conquistar a vaga na Liga, o clube superou o Minas Gerais Futebol Club e o São Paulo do Bixiga – considerado um forte oponente na disputa -, garantindo assim seu lugar na torneio. Apesar de todo o esforço do clube, a campanha não foi tão boa quanto o esperado, já que o Corinthians terminou em quarto lugar dentre os cinco times concorrentes. Em um dos jogos mais marcantes do torneio, o time enfrentou uma derrota por 7 a 1 do Americano.
No ano seguinte, o Timão reverteu esse quadro e conquistou o primeiro título de sua história com apenas quatro anos de existência, na Liga Paulista de Futebol, temporada na qual venceu todos os 10 jogos que disputou. O campeonato estava dividido entre Corinthians e Campos Elyseos, que se enfrentaram em um jogo terminado em 4 a 0 para o Alvinegro, garantindo o primeiro de inúmeros campeonatos para o Corinthians.

Escalação vencedora da Liga Paulista em 1914 [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Foi no período entre 1914 e 1916 que a clássica camiseta listrada corinthiana surgiu. Um dos mais famosos relatos vem do primeiro jogo contra um time internacional, o italiano Torino, partida na qual a equipe teria estreado o novo uniforme, antes descrito como simples camisetas beges que se tornavam brancas devido ao grande número de lavagens. Por pelo menos dois anos depois de sua criação, a camisa não teve brasão. Seu primeiro escudo foi um modelo simplista, apenas com as letras “C” e “P”, de Corinthians Paulista, sobrepostas.

Uma das muitas histórias datadas dos anos iniciais do Corinthians é a de que a parceira de um dos fundadores do time teria não só criado o brasão, como também bordado o primeiro escudo do time nos uniformes de todos os jogadores, com um “C” e um “P” [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Wanner alega que a camiseta listrada foi criada e vestida como uma forma de protesto à Liga Paulista, que havia impedido a atuação do time devido à presença de um jogador negro na equipe. Ainda segundo registros, alguns jogos ocorreram com a camiseta listrada em 1915, e em seu livro “Campeão dos Campeões”, o jornalista esportivo Celso Unzelte, aponta o amistoso contra o Rio-Claro como a primeira aparição do uniforme listrado na história do Corinthians.
O time abandonou a Liga Paulista em 1915, mas regressou em 1916, ano em que se tornou campeão pela segunda vez. No ano seguinte, um jogo histórico contra o Palestra Itália, na época ainda recém-formado, terminou com a derrota do Corinthians com o placar de 3 a 0 e a construção de uma das famosas rivalidades da história do futebol.
O time continuava forte e em destaque: tornou-se vice-campeão da Liga Paulista em 1918 por apenas dois pontos de diferença do vencedor, o Paulistano. A equipe continuou a se fortalecer e, em 1920, construiu o agressivo placar de 11 a 0 sobre o Santos no Campeonato Paulista, o maior número de gols em uma partida da história do time até os dias atuais.
Em 1922, o Corinthians era o líder da Liga Paulista e mais tarde, venceria o título que seria o primeiro do seu famoso tricampeonato, conquistando a taça da Liga Paulista por três anos consecutivos em 1922, 1923 e em 1924. Ainda em 1922, o time alvinegro enfrentou seu rival, Palestra Itália, mais uma vez. Em 9 de julho daquele ano, os times entraram em campo para uma disputa pela Taça Cântara Portugália, uma homenagem a dois aviadores portugueses que haviam atravessado o Atlântico em um hidroavião. O placar final foi de 2 a 0 para o Corinthians.
Em 1928, o Corinthians Paulista conquistava a Taça Ballor após mais um jogo contra o Palestra Itália. A taça se tornaria propriedade do clube que vencesse o Campeonato Paulista três vezes, feito histórico alcançado pelo Corinthians após vencer o título em 1923, 1924 e 1928. Entre 1937 e 1939, também se tornou tricampeão paulista, mas desta vez em um cenário diferente de suas conquistas anteriores – como um time profissionalizado.

Escalação do time do Corinthians em 1930 [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
A profissionalização do Sport Club Corinthians Paulista veio na década de 1930, especificamente em 23 de janeiro de 1933. Naquele ano, uma série de órgãos e ligas foram criadas ao redor do país com o objetivo de profissionalizar oficialmente o futebol, com destaque para a Liga Carioca de Futebol (LCF), além da Confederação Brasileira de Desportes (CBD) que em 1979, se tornou a atual CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
Depois de anos em uma crescente prosperidade e construção do “Campeão dos Campeões”, em 1943 as coisas começam a esfriar com a saída de importantes jogadores. Entre eles, o famoso Teleco, que marcou seu último gol pelo Corinthians em 29 de agosto de 1943, em um jogo contra o São Bento. Apesar disso, o time continua com uma série de vitórias, vencendo a Quintela de Ouro em 1942 e a Taça de São Paulo, que conquistou com a sua colocação no campeonato do ano anterior, 1941.
História e Consolidação
Desde sua fundação, o Corinthians consolidou-se ao longo das décadas como um dos maiores clubes do futebol brasileiro. Com uma história marcada por conquistas e uma das torcidas mais apaixonadas do país, o time integra o seleto grupo dos “quatro grandes de São Paulo”, ao lado de Palmeiras, Santos e São Paulo.
A popularidade do clube se deu, principalmente, por seu cunho popular, já que era o único da época em que todos podiam jogar, inclusive os pobres. No início do século 20, o futebol no Brasil era comandado pela elite e ligado a famílias ricas, e portanto o requisito para jogar em alguns times era ser sócio, ter dinheiro e até uma “boa origem”. Por isso, com sua torcida formada majoritariamente por operários e trabalhadores, o time carrega até hoje a alcunha de “Time do Povo”.
O Timão também representa outra marca importante para o futebol brasileiro: foi o primeiro clube da capital paulista a aceitar jogadores negros no elenco. Mesmo com recusas pela federação paulista, após uma longa briga política com a Liga Paulista de Futebol, o clube persistiu, e no ano de 1919, finalmente conseguiu inscrever o atleta Asdúbal Cunha (Bingo) – atacante habilidoso da época.
Além de sua trajetória centenária, a reputação do Corinthians no cenário nacional é fortemente sustentada por suas conquistas. O clube ostenta dois títulos mundiais, uma Copa Libertadores da América, uma Recopa Sul-Americana, três Copas do Brasil, cinco Taças Rio-São Paulo, 31 campeonatos paulistas — sendo o maior vencedor do torneio — e sete títulos do Campeonato Brasileiro. Com esse histórico, o “Campeão dos Campeões” reafirma seu lugar como um dos maiores clubes do Brasil.
O Corinthians também se destaca, na atualidade, por seu investimento em múltiplas modalidades esportivas. Além do consolidado time de futebol feminino — referência nacional —, o clube mantém equipes em esportes como basquete, futsal e, mais recentemente, expandiu sua atuação para os e-sports. O envolvimento com as batalhas de rima, movimento cultural fortemente associado às periferias urbanas, reforça ainda mais o lema de “Time do Povo”, ampliando a presença do clube em diferentes expressões populares, muitas vezes marginalizadas.
Torcida
O maior patrimônio de todo clube é a sua torcida, e com o Corinthians não é diferente. A torcida corinthiana, apelidada como “Bando de Loucos”, é uma das mais apaixonadas do Brasil e acompanha o clube independentemente da sua fase nos campos. Demonstração disso é a chamada “Invasão Corinthiana” de 1976, quando o clube completava 22 anos em jejum de títulos. A torcida invadiu o Maracanã em jogo contra o Fluminense pela semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano. O fato ficou marcado com um número expressivo de mais de 70 mil corinthianos no Rio de Janeiro em apoio ao Timão.
Outro episódio da famosa invasão aconteceu em 2012, na final do campeonato mundial, quando mais de 30 mil torcedores se deslocaram ao Japão em busca do bicampeonato mundial de clubes da FIFA. O movimento gerou imagens icônicas da fiel torcida atravessando o globo por amor ao clube, que felizmente saiu campeão em um jogo difícil contra o Chelsea finalizado em 1 a 0 para o clube paulista.
Fundada em 1969, a Gaviões da Fiel é a maior torcida organizada do Corinthians e tem como principal objetivo acompanhar o clube em todos os jogos, dentro e fora de casa. Mais do que apoio nas arquibancadas, os torcedores promovem ações sociais, culturais e comunitárias, evidenciando o vínculo entre o clube e as camadas populares. A Gaviões marca presença, também, no universo do samba, com uma das maiores escolas do país, que leva o mesmo nome. A relação entre Corinthians e Gaviões da Fiel é marcada por uma conexão simbólica forte — dois lados de um mesmo coração alvinegro.
Democracia Corinthiana
É impossível contar a história do Corinthians sem citar a Democracia Corinthiana. O movimento – um dos maiores políticos e sociais do futebol – é uma parte marcante da história do clube.
Criada no período da ditadura militar, a Democracia Corinthiana se estabeleceu entre os anos de 1982 e 1984 e teve como principais nomes Sócrates (ídolo máximo do clube) – Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon. Tal iniciativa foi fundamental para a evolução do futebol, já que foi a partir daquele momento que se concretizou a democracia nos clubes.
O movimento provocou mudanças estruturais que resultaram em decisões mais democráticas no funcionamento interno do time, já que estabeleceu que todos os funcionários teriam o mesmo peso em seus votos e opiniões. Como resultado da ação, o time, que vinha de uma má campanha em 1981, se reergueu, e além de faturar o Campeonato Paulista de 1982 contra o rival São Paulo, chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro no mesmo ano, sob o comando do ilustre treinador Mário Travaglini.
Após isso, o Corinthians só deslanchou e se consolidou como grande força nos campeonatos nacionais, faturando em 1983 o bicampeonato estadual, novamente em cima do tricolor. Dessa forma, ao fim da década, com mais um título estadual em 1988, o clube passou a ter maior força e importância no cenário esportivo brasileiro, não só no futebol mas também no basquete: nessa época, o clube já havia conquistado sete Campeonatos Paulistas, três Campeonatos Brasileiros (1965, 1966 e 1969) e dois Campeonatos Sul-Americanos de Clubes (1964 e 1969), se estabelecendo como uma das maiores forças do basquete sul-americano e mundial.
“A Democracia Corinthiana foi uma exceção na história do Corinthians e na história do futebol, que é um meio autoritário, reacionário e conservador”
Celso Unzelte
Elas também são Fiel: a revolução do futebol feminino alvinegro

Foto oficial da comemoração da Libertadores feminina de 2024, conquistada pelo Corinthians [Imagem: Reprodução/Agência Brasil]
A equipe feminina do Sport Clube Corinthians Paulista tem revolucionado o futebol feminino brasileiro. Em entrevista ao Arquibancada, Celso Unzelte definiu o futebol feminino do Corinthians como “uma ilha de prosperidade”, destacando-o como “uma das poucas coisas que realmente dão certo no clube”.
Apesar de ter começado em 1997, o time feminino – protagonizado pela rainha das embaixadinhas assumidamente corinthiana Milene Domingues, que atuou no time até 2001 – passou por turbulências e só foi reativado em 2016, quando o clube percebeu o sucesso dos rivais na liga feminina e estabeleceu uma parceria com o Grêmio Osasco Audax, conquistando uma Copa do Brasil (2016) e uma Libertadores (2017).
O Corinthians iniciou sua trajetória independente no futebol feminino no final de 2017, quando anunciou o fim da parceria com o Audax. A partir de 2018, o clube passou a administrar seu próprio time feminino. A principal motivação para essa mudança foi uma exigência da Conmebol: a partir de 2019, todos os clubes participantes da Copa Libertadores masculina deveriam, obrigatoriamente, manter uma equipe feminina em atividade. Vale recordar que, por causa da separação, o Timão perdeu o direito de disputar a Libertadores de 2018 e só retornou em 2019.
O técnico Arthur Elias permaneceu à frente da equipe, dando continuidade ao trabalho. Assim, teve início oficialmente a era de glórias do Corinthians Feminino, que já em 2018 conquistou o Campeonato Brasileiro desbancando o Rio Preto na final. A partir daí, o clube intensificou seus investimentos na modalidade, com a criação a categoria sub-17 feminina em 2019 e a conquista, pelo profissional, de três Paulistas (2019, 20 e 21), mais cinco Brasileiros (20, 21, 22, 23 e 24) e cinco Libertadores (2019, 2021, 2023 e 2024, além do título de 2017, quando a parceria ainda estava em vigor). O Corinthians também foi o primeiro time a faturar a então inédita Supercopa do Brasil Feminina, que aconteceu pela primeira vez em 2022. O primeiro campeão da competição a conquistou mais duas vezes, em 2023 e 2024. Com a saída do técnico multicampeão Arthur Elias para a seleção brasileira em 2023, hoje as “Brabas”, como são conhecidas as atletas, são comandadas por Lucas Piccinato.
Desde então, o Corinthians tem sido responsável por formar várias das jogadoras convocadas para a seleção brasileira. Neste ano, quatro atletas foram selecionadas para a Copa América 2025, da qual o Brasil saiu campeão contra a Colômbia: a zagueira Mariza, a atacante Jhonson e as meio-campistas Duda Sampaio e Yaya. Assim, o Corinthians tornou-se o clube com mais jogadoras convocadas para o torneio sul-americano.
Ícones do Corinthians
Durante a trajetória do clube, diversos jogadores e jogadoras consolidaram suas carreiras devido ao destaque do time e suas habilidades. Celso Unzelte, escritor do livro TIMÃO – 100 anos, 100 jogadores, 100 jogos (Gutenberg, 2009), afirma que entre as maiores jogadoras estão Vic Albuquerque e Tamires.

Livro de Celso Unzelte conta a história do time através de 100 jogadores mais marcantes e jogos importantes para a trajetória [Imagem: Divulgação/Gutenberg]
Vic Albuquerque é a jogadora com mais gols em todo o time: contabiliza 119 em 231 jogos. A jogadora é meia-atacante e conquistou 16 títulos no time, incluindo quatro Libertadores. Já Tamires tem sido um destaque na seleção atual. A lateral-esquerda possui 15 títulos conquistados com a camisa do Corinthians, e é conhecida como “Mãe da Fiel”.
Sobre a seleção masculina, Celso Unzelte, também docente do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, demonstra-se saudoso com as personalidades antigas. O pesquisador do esporte declara que, em sua concepção, “o melhor jogador do Corinthians de todos os tempos e que, ironicamente, não chegou a ser campeão paulista nem brasileiro, é o Roberto Rivelino”. Unzelte cita também entre os grandes nomes do passado Gilmar do Santos Neves, goleiro e campeão mundial em 1958, Sócrates e a geração dos anos 1950 – com Cláudio, Luizinho e Baltazar.
“[Neco] pode ser considerado o primeiro de todos os ídolos. Uma época em que eles pagavam mensalidade para jogar, em vez de receber, na época do amadorismo. Uma época mais romântica”
Celso Unzelte
Porém, o jornalista também cita Cássio como um ídolo mais atual. O ex-goleiro do clube foi o jogador que mais atuou no Corinthians durante o século 21. Na sua trajetória, Cássio possui 316 vitórias contra 217 empates e 179 derrotas. O goleiro conquistou nove títulos, entre eles, o Mundial de Clubes de 2012.
Situação atual do Corinthians
Após o impeachment de Augusto Melo, causado pela denúncia acerca de irregularidades com patrocínio, tornou-se necessária uma nova eleição. Em agosto deste ano, o vice-presidente do mandado de Melo, Osmar Stabile, venceu as eleições indiretas para a nova presidência. Osmar estava cumprindo um mandato temporário após a destituição de Augusto Melo.
Na visão do jornalista, o modo indireto de eleição dentro do Corinthians é uma perda de tempo. “O Corinthians não é só um clube social, cujo destino pode ser resolvido por um colégio eleitoral de cerca de 200 conselheiros que votaram ontem. […] está mais do que na hora dos clubes de futebol democratizarem esse acesso aos seus sócios, que não são só sócios de clubes sociais, são torcedores”, afirma o pesquisador.
Unzelte acredita que a restrição do poder de decidir os cargos administrativos do clube afeta negativamente o Corinthians, o que tornaria necessário dar ao sócio-torcedor o direito ao voto. Para ele, manter o poder na “mão dessa gente” produz uma falta de perspectiva de melhora do time. O jornalista compara a instituição a um feudo, uma vez que, ao longo dos 115 anos do Corinthians, poucos nomes conseguem resumir grande parte da existência do clube: “Andrés Sanchez, Alberto Dualib, Vicente Matheus e Alfredo Ignácio Trindade”. Todos esses nomes marcaram a presidência do clube e estenderam seu poder por muitos anos, o que impediu um dinamismo e efetuou um enrijecimento na estrutura do clube.
O time atualmente possui uma dívida de quase R$2,5 bilhões de reais em decorrência de má administração e contratos não pagos, por exemplo. Segundo Celso Unzelte, o caminho para solucionar os problemas do time é quitar as dívidas e não realizar novas. A exposição do nome do Corinthians como o time mais endividado e um mal pagador tem retraído a participação e patrocínio de marcas, o que danifica a imagem da Instituição. “Quem faz mal ao Corinthians são as pessoas que fazem essas dívidas”, segundo Unzelte.
A necessidade de reorganizar os moldes do futebol para além de um clube esportivo para uma instituição mais próxima de uma empresa é um fator fundamental para o jornalista. Refazer o escalão que detém poder no time com indivíduos focados em resolver os problemas financeiros do Corinthians é um primeiro passo importante. Para o pesquisador, se esse problema for finalizado por meio de uma reforma, o time terá uma grande perspectiva de crescimento.
“No futebol em geral e no Corinthians em particular, só se pensa em colher. Colher contratações para reforçar o time. Mas [sobre] plantar para [conseguir] isso, ninguém fala”
Celso Unzelte
