Por Bianca Candido (biancasantoscandido@usp,br), João Paulo Mansur (joaopaulomansur@usp.br) e Murilo Bezerra (murilobezerra@usp.br)
Taylor Alison Swift, Taylor, ou loirinha para os fãs, começou a carreira ainda adolescente, em 2006, com um violão e letras sinceras. De lá para cá, são duas décadas de estrada e 12 álbuns de estúdio, em uma trajetória que passou pelo country, pelo pop, pelo folk e pelo synthpop sem nunca tirar a composição do centro. No ano de 2026, Taylor se tornou a artista mais jovem a integrar o Hall da Fama dos Compositores, aos 36 anos de idade, no primeiro ano de elegibilidade.
Cada fase tem identidade própria: do country jovial dos primeiros discos ao pop mainstream, do recolhimento das histórias de bosque às madrugadas sem sono. Essa variedade é o que torna a carreira da artista tão única e original. Aqui, vamos ranquear os 12 álbuns, da última à primeira posição, olhando para a composição, a produção e a coesão de cada um.
12. The Life Of A Showgirl (2025)
A posição do 12° álbum de Taylor no ranking não se justifica pelo fato deste ser também seu número na ordem de lançamentos da cantora. Pelo contrário, é um lugar merecido. Com 12 faixas inéditas, The Life Of A Showgirl nasce com a proposta de ser mais um álbum pop da loirinha e com a clara intenção de hits, visto a parceria com os produtores Max Martin e Shellback, presentes em outros álbuns de Swift, como 1989 (2014) e Reputation (2017). Entretanto, essa colaboração não vinga. Falta emoção e potência na produção das faixas, que são dignas de canções de ninar. Vale ressaltar que esse é o primeiro trabalho da loira desde 2013 sem seu parceiro de produção, Jack Antonoff, e sua ausência é nítida.
Mas o problema não é apenas a produção. As composições com metáforas rasas parecem ter saído diretamente de um esquete de programa de humor estadunidense. É difícil acreditar, realmente, que quem está por trás do álbum é a mesma artista que compôs THE TORTURED POETS DEPARTMENT (2024), antecessor da coletânea. São poucas as músicas que realmente funcionam, porém um álbum não é feito de singles. — Murilo Bezerra
Faixas destaque: The Fate Of Ophelia, Opalite, Father Figure e Ruin The Friendship
11. Taylor Swift (2006)
Sua porta de entrada na indústria musical foi calmamente construída ao longo de anos. Muitas músicas foram escritas para seu debut e é possível perceber, ao longo das faixas, quais são somente ideias que precisavam de mais trabalho e quais são pensamentos completamente construídos. Tim McGraw, sua primeira música, é a semente de august, e uma de suas letras mais bem escritas até os dias atuais. Mas, quando se coloca na balança, o álbum contém poucos momentos realmente interessantes e completamente construídos, e seus maiores destaques não compensam sua produção amadora.
Esse disco é resultado do esforço de uma jovem compositora em montar uma coleção de músicas a fim de se apresentar ao mundo, mas, ainda sim, é somente um rascunho do que Taylor logo mostraria ser capaz de fazer. — João Paulo Mansur
Faixas destaque: Tim Mcgraw, Teardrops On My Guitar, Cold As You e Our Song
10. Lover (2019)
Alegria, purpurina e a vontade de fazer dar certo — mas não deu. Lover fica na 10ª posição pela falsa impressão de um álbum detalhado e coeso. As faixas por si só são bem construídas, pensadas para transparecer realismo e particularidade, mas no combo, elas destoam da estética romântica inicialmente prometida. A valorização das mulheres e dos direitos LGBTQIA+ são pontos fortes e notáveis do disco, em The Man e You Need to Calm Down por exemplo, mas não ultrapassam isso.
O resto das faixas lidam com o desespero da perda e a condolência eterna por aquilo que já se encerrou, além do medo escancarado da perda de uma relação já consolidada. Por fim, a tristeza toma conta — provavelmente reflexão planejada pela compositora — com faixas de arrependimento e mudança, mas a luta acometida por Taylor não fica totalmente clara e coloca o álbum em uma posição esteticamente perdida e subjetiva. — Bianca Candido
Faixas destaque: Cruel Summer, The Man, Paper Rings e Daylight
9. reputation (2017)
Intimista e revelador, o reputation é o furacão que estremece a carreira da loirinha e a tira da zona de conforto. Seu lugar na 9ª posição é justificado pelo seu único objetivo: resposta midiática diante das fake news atribuídas à cantora, além do desejo pelo seu amado. A batida intrigante e as trocas de estilos em cada soundtrack traz para o álbum um dinamismo e um desejo de descoberta do próximo passo, porém, esse sentimento não se sustenta.
Na comparação do lírico de cada música, poucas faixas se destacam pelo repertório utilizado como em Getaway Car e Call it What You Want. No entanto, mesmo com sonorização agradável e envolvente em algumas pontes —destaque da Taylor durante sua carreira — o restante das músicas são mera repetição de uma estética vingativa e efêmera, que serviu como transição para elevar a carreira da cantora. — Bianca Candido
Faixas destaque: End game, Getaway Car, Call it What You Want e Look What You Made me Do.
8. evermore (2020)
A irmã mais nova de folklore (2020) veio ao mundo somente cinco meses depois, é o álbum mais esquecido de Taylor Swift. Em partes, se deve ao fato de ter vindo logo após o sucesso estrondoso de seu antecessor, mas o outro lado das críticas vêm de sua falta de coesão e de história linear. Enquanto o anterior mantém uma narrativa contínua durante as faixas, esse experimenta mais, sai um pouco do lugar e apresenta bons resultados, mas também poços fundos.
A fantasia desencanta em momentos como champagne problems, dorothea e coney island (feat. the national), uma colaboração com a banda The National. Para seu azar, evermore viverá para sempre nas sombras de folklore. Taylor decidiu ir mais fundo e adentrar a floresta folclórica, mas seus melhores recursos já haviam sido usados e a continuação não é nem um pouco ruim, mas soa pequena perto do que ela mostrou poucos meses antes. — João Paulo Mansur
Faixas destaque: tolerate it, ivy, cowboy like me e marjorie.
7.Midnights (2022)
Treze faixas, treze noites mal dormidas. Assim pode ser definido o décimo álbum de Taylor Swift. Depois da sequência folklore-evermore, o pop volta, e com uma proposta diferente do colorido Lover: Midnights traz um olhar mais introspectivo da cantora. A sensação é de estar dentro da mente de Swift, mas sem chegar a mergulhar nela, como em The Tortured Poets Department. Os jogos de palavras e trocadilhos pontuais são astutos e bem estruturados, sem muitos excessos.
A produção usa e abusa de sintetizadores e faz o ouvinte se sentir numa madrugada sem sono. Com composições limpas e produção completa, o álbum gira em torno de si mesmo: a introspecção está lá, mas fica na superfície, numa órbita um pouco cansativa. É coeso e competente, mas arrisca pouco, e por isso fica na sétima posição. — Murilo Bezerra
Faixas destaque: Maroon, Anti-Hero, You’re On Your Own, Kid e Mastermind.
6. THE TORTURED POETS DEPARTMENT (2024)
Após uma sequência de discos construídos por metáforas e fantasias, Taylor decidiu ser o mais detalhista e confessional possível. Por conta de sua especificidade, o álbum se torna quase incompreensível para ouvintes alheios, mas é um banquete para os fãs mais atentos ao roteiro de sua vida. O resultado de um lançamento apressado, feito no ápice de sua fama, é uma coleção de faixas do seu mais alto nível lírico, mas de nível mediano na produção.
A falta de edição do álbum, a fim de fechar logo um capítulo doloroso de seu diário, é sua maior fraqueza e seu ponto mais forte ao mesmo tempo. A composição detalhada e intimista é intrinsecamente Taylor, mas a falta de versatilidade dos arranjos a impede de atingir seu máximo potencial. Com talvez dois meses a mais de pós-produção, Tortured Poets estaria facilmente competindo por uma vaga no top 3. — João Paulo Mansur
Faixas destaque: But Daddy I Love Him, Fresh Out The Slammer, Guilty as Sin e loml.
5. Fearless (2008)
Fearless traduz perfeitamente a ascensão de Swift no mundo da música. Com apenas 18 anos, Taylor trouxe um ar jovial ao country estadunidense. Mesmo com letras que contam dramas adolescentes, a forma com que os relatos são feitos é genuína, sem forçar a barra ou parecer infantil.
Na composição, as histórias têm começo, meio e fim, com refrões feitos para grudar e pontes que carregam o clímax emocional, como em Love Story e The Way I Loved You. A produção segue a receita do country, com violões, banjos e cordas, mas já deixa o pop espiar nas baterias e nos refrões amplos. É um disco coeso e cheio de energia, que soa simples em alguns momentos, mas a simplicidade faz parte do charme. — Murilo Bezerra
Faixas destaque: Fifteen, You Belong With Me, Love Story e The Way I Loved You.
4. Red (2012)
Red é o álbum mais representativo de quem é Taylor Swift como artista. Com músicas pop, baladas country, diversos números pop-rock, meditações sobre fama e faixas melancólicas, o disco encapsula uma discografia inteira em 16 músicas. Ele contém diversas das principais faixas de sua carreira — e, talvez, a melhor de todas, All Too Well — mas desliza levemente ao tentar produzir sons pop com melodias imaturas e letras iludidas , como Stay Stay Stay e Starlight.
Mesmo com pequenos empecilhos, é um triunfo de uma jovem adulta que navega o mundo abalada pelas desilusões amorosas e pelos horrores dos holofotes. O disco trata o amor como um objeto de estudo e Taylor executa com maestria a tarefa de analisá-lo e de trazer suas descobertas ao público, afinal, essa é a missão de sua carreira. Caso você queira começar a ouvi-la, Red é um bom ponto de partida. — João Paulo Mansur
Faixas destaque: State of Grace, Red, All Too Well e Holy Ground.
3. 1989 (2014)
Em terceiro lugar, fica o álbum que marcou a entrada definitiva da loirinha no gênero pop. Com batidas e lições de moral que aproximaram a artista de novos ouvintes, 1989 consagra grandes hits da carreira da artista. A essência de Taylor é colocada nessa produção a todo vapor: romântica, sensível, mas não tão inocente para deixar para trás aquilo que a machucou.
No auge de seu amadurecimento, Taylor escreveu sobre aqueles sonhos mais selvagens e sem fim que nos assombram e sempre continuarão ali — e ela canta que está tudo bem se sentir assim. Esse pop não fica na superficialidade, pelo contrário, é recheado de detalhes da perspectiva de Taylor sobre as relações sociais e o espírito livre que contorna todas as 16 faixas.
Alguns críticos podem pensar que 1989 só esteve no topo das paradas pela estética nova iorquina e a correlação com affairs famosos, e essa é a briga que ele sempre disputará para permanecer no top 3. — Bianca Candido
Faixas destaque: Shake it Off, Blank Space, Style e Out of the Woods
2. Speak Now (2010)
Em segundo lugar, Speak Now mostra que Taylor já era uma compositora gigante aos 19 anos. Ela lança o disco com canções escritas inteiramente por ela, e o risco compensa: o álbum passeia pelo country, pelo pop e pelo pop rock, como em The Story Of Us e Better Than Revenge, e ganha uma energia própria.
As letras são fortes e cheias de narrativas marcantes, de uma artista que sabe exatamente o que quer dizer. Cada faixa traz detalhes pessoais e uma voz já madura, sem depender de ninguém para dar forma às suas emoções. Poucos discos escritos tão cedo chegam tão longe, e é por isso que ele briga de igual para igual pelo topo do ranking. — Murilo Bezerra
Faixas destaque: Mine, Sparks Fly, The Story Of Us e Long Live.
1. folklore (2020)
Depois da tormenta, vem a calmaria e o Grammy do ano. Em tempos de pandemia, folklore conseguiu atingir a ferida de muitos fãs e ultrapassou tudo que Taylor já tinha produzido anteriormente. A mistura de indie e folk foi inserida em sua discografia e superou expectativas de críticos que achavam que a cantora só conseguia fazer mais do mesmo.
Com personagens próprios e histórias de amadurecimento, Taylor criou o triângulo amoroso do álbum com uma narrativa profunda e conectada ao longo de 16 músicas impecáveis. Inicialmente, ela traz a hipótese do que poderia ter acontecido sem se arrepender do que realmente foi, e em seguida, segue com um storytelling digno de cinema. Com metáforas e falas dos seus próprios alter egos, Taylor se coloca na quarta parede e atribui perspectivas como se estivesse olhando de fora das composições.
O olhar realístico também é um dos destaques do top 1, com comparações e detalhes que fazem você acreditar na fantasia como se fosse real. Eles enriquecem as faixas de forma com que a sonorização de cada música — que difere ao longo das faixas — não atrapalhe a estética intimista e perspicaz do álbum, que é muito bem pontuada desde sua divulgação. — Bianca Candido
Faixas destaque: the last great american dynasty, my tears ricochet, mirrorball e august.
Metodologia
A metodologia utilizada nesse ranking foi a análise da estratégia de produção de cada disco — em termos de sonorização, lírico e intenção —, a particularidade das faixas, o breve contexto que esteve inserido e o que cada composição agrega para a estética principal do álbum. A escolha de considerar apenas álbuns standard (edição original) foi uma opção para facilitar a interpretação e o estudo de cada disco da cantora.
O ranking do 12° ao 1° álbum, do inferior ao superior, foi construído e acordado pelos três repórteres. A popularidade e o número de premiações vencidas não foram critérios bases para a escolha das posições e construções das descrições individuais dos discos, somente utilizados para contextualizar algumas descrições.
*Imagens: Reprodução/@taylornation e @taylorswift no Instagram e X (Twitter); taylorswift.com
*Foto de capa: Reprodução/Instagram/ @taylorswift/@taylornation












