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Onde estão os pilotos que almejam correr na Fórmula 1?

Por Bruna Arimathea Lewis Hamilton, Sérgio Perez, Romain Grosjean, Nico Hülkenberg. Conhece esses nomes? É fácil apontar que eles têm em comum o fato de serem atuais pilotos da Fórmula 1. Mas lá atrás eles também foram jovens que aspiravam alçar uma carreira maior, olhando seus ídolos brilharem e construírem uma carreira. Outra semelhança? Todos eles …

Onde estão os pilotos que almejam correr na Fórmula 1? Leia mais »

Por Bruna Arimathea

Lewis Hamilton, Sérgio Perez, Romain Grosjean, Nico Hülkenberg. Conhece esses nomes? É fácil apontar que eles têm em comum o fato de serem atuais pilotos da Fórmula 1. Mas lá atrás eles também foram jovens que aspiravam alçar uma carreira maior, olhando seus ídolos brilharem e construírem uma carreira. Outra semelhança? Todos eles correram pela GP2, o acesso que reúne tanto talentos promissores quanto os sonhos de uma geração que quer correr cada vez mais rápido.

O que é?

Criada em 2005 com o nome de GP2 Series, a categoria passou por uma mudança aprovada pelo conselho da FIA (Federation Internacionale de L’Automobile) Passando a se chamar Fia Fórmula 2 em março deste ano, sendo a temporada de 2017 a primeira sob a nova proposta.

Diferente do que muitas pessoas pensam, a Fórmula 2 é uma categoria de base da Fórmula 1 e não uma segunda divisão do esporte. Seu objetivo é preparar os pilotos e habilitá-los para que eles possam competir na carreira principal do automobilismo. Funciona, em certos aspectos, como uma espécie de vitrine, onde existe a oportunidade demonstrar talentos e atrair a atenção de equipes maiores.

O histórico de ser um lugar para selecionar potenciais existe desde a década de 60, com a primeira Fórmula 2, que se tornou muito cara com o passar dos anos e foi substituída pela chamada Fórmula 3000. Essa, por sua vez, se tornou muito distante de sua função quando começou a não disponibilizar carros que se assemelhassem à condição da Fórmula 1 e, em 2005, foi novamente reformulada passando a se chamar GP2 Series, agora com monopostos e condições de corrida, como a pontuação, por exemplo, de maior semelhança com a categoria principal.

GP do Bahrein (Imagem: FIA)

Como funciona

A categoria herdou a estrutura da GP2 e conta com 20 pilotos, sendo 2 pilotos em cada equipe, portanto 10 equipes, onde todos os carros são iguais no chassi, no motor e nos tipos de pneus, mas se diferenciam nas especificidades de suas equipes. Assim é possível, muitas vezes, assistir uma corrida com mais ultrapassagens e disputas do que na própria Fórmula 1.

Já no seu formato, as coisas funcionam um pouco diferente. A F2 possui duas corridas em cada fim de semana de competição, com diferentes pontuações nas duas provas – uma realizada no sábado e a outra no domingo, com exceção da prova de Mônaco (com corridas na sexta-feira e no sábado). Os locais de prova geralmente acompanham os GPs da Fórmula 1 e acontecem no mesmo fim de semana e circuito.

Quanto ao campeonato, existem 2 competições que acontecem simultaneamente: pilotos e construtores. Ambas são decididas pelo total de pontos conquistados no fim de semana, no qual o piloto pontua por si, individualmente, e a equipe pontua de acordo com o desempenho de seus dois pilotos. E tem mais: o piloto vencedor da F2 naquele ano não pode mais disputar a categoria.

Treinos

O fim de semana da Fórmula 2 começa com uma sessão de treino livre de 45 minutos, onde os pilotos podem conhecer o traçado da pista e ajustar seus carros da melhor maneira possível para as corridas. Essa é uma parte muito importante para a equipe que pode modificar configurações do carro até o acerto ideal para a ocasião.

A prova de classificação para a corrida 1 acontece em 30 minutos. Esse é o tempo disponibilizado para que os pilotos mostrem, em pista, o seu desempenho e façam a volta mais rápida. Simples assim. Ao final da meia hora de treino o grid é definido a partir da ordem de melhores tempos.

Corrida 1

A primeira corrida tem a obrigatoriedade de cumprir pelo menos 170km, que determinam quantas voltas ela vai durar de acordo com a extensão da pista. São oferecidos 2 tipos de pneus por fim de semana, sendo que um deles pode ser de escolha da equipe, além dos pneus para chuva. A obrigatoriedade se dá também na realização de pelo menos um pit stop – uma parada para a troca de pneus – sendo que nessa primeira corrida os dois compostos disponíveis para o fim de semana devem ser utilizados.

Infografia: Gabriela Teixeira/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

Aqui, a pontuação funciona do mesmo jeito que na Fórmula 1: o 1º colocado recebe 25 pontos, o 2º recebe 18, o 3º recebe 15, e assim sucessivamente, até o 10º que recebe 1 ponto. Ainda, o piloto que fizer a volta mais rápida, se chegar entre os 10 primeiros colocados, ganha mais 2 pontos.

Corrida 2  

Com uma menor duração, 120Km, ou 45 minutos no máximo, a segunda corrida não possui a obrigatoriedade de parada para pit stop e tem sua formação de largada bem diferente do que estamos acostumados a ver. O grid desta corrida é formado de acordo com a posição de chegada do dia anterior, com exceção dos 8 primeiros carros que invertem sua posição. Parece complicado, mas na prática é uma simples troca de lugares: o piloto que termina a corrida 1 na 8º posição largará na pole aqui. Segue-se, então, essa lógica até o 1º colocado na corrida 1, que largará em 8º lugar na corrida 2.

A pontuação também muda: o 1º colocado recebe 15 pontos, o 2º recebe 12, e assim sucessivamente até o 8º colocado, que recebe 1 ponto. Existe ainda mais uma bonificação seguindo a mesma ideia da primeira corrida, na qual o piloto que fizer a volta mais rápida, se chegar entre os 10 primeiros, leva mais 2 pontos para o campeonato.

GP da Espanha (Imagem: FIA)

A Categoria

Ao longo da história, uma série de erros e acertos foram feitos para tentar aproximar, cada vez mais, a Fórmula 2 do que é Fórmula 1. Nesse sentido é que Jean Todt, presidente da FIA, juntamente com o novo grupo que gerencia a Fórmula 1, Liberty Media, propôs a mudança da GP2 para a Fórmula 2.

As mudanças ainda são pequenas. Para o ano de 2017 a principal mudança parece ser apenas o nome. Em entrevista ao Arquibancada, Flávio Gomes, jornalista do site Grande Prêmio, comenta que as modificações deste ano “não têm impacto técnico nenhum, os carros são os mesmos, com 7 ou 8 anos de uso ”, e complementa: “a mudança de nome tem fundo comercial, para tentar agrupar tudo o que é monoposto. Mudanças grandes mesmo vamos ter a partir do ano que vem”.

GP do Bahrein (Imagem: FIA)

Uma outra mudança é a pontuação na carteira do piloto para obter a permissão de correr na Fórmula 1, a superlicença. O método adotado pela FIA visa regulamentar a qualificação do piloto e garantir que ele tenha experiência ao guiar um monoposto. Para esse ano, a intenção é manter a superlicença para que a F2 seja o último degrau para subir para a Fórmula 1, mas facilitar a obtenção da carteira, ampliando os pontos finais para os três primeiros colocados, ao invés de somente o campeão e o vice levarem os pontos para casa. Flávio conta que a mudança é positiva: “Não tem porque restringir tanto. Eu acho que os critérios para a concessão superlicença deveriam ser, realmente, técnicos, até com uma quilometragem mínima”, ressaltando a importância da experiência de pista do piloto.

Deu para perceber que existem muitas semelhanças entre o funcionamento das duas categorias, mas ainda há passos que devem ser seguidos para que efetivamente uma funcione como base da outra. Numa época de contenção de gastos, o esporte em si, que já é um meio expansivo, se torna muito caro, e isso causa impactos como a diminuição de equipes na Fórmula 1, por exemplo, como lembra Flávio Gomes. Isso influencia diretamente no número de vagas oferecidas, entre outros cortes e ajustes, que dificultam a própria permanência dos times. Ainda, mesmo quando existem de fato essas vagas, nem sempre elas são preenchidas por pilotos da Fórmula 2, uma vez que as equipes não são obrigadas a ter um vínculo com a base, então podem contratar quem atender melhor às suas necessidades no esporte.

Nobuharu Matsushita – piloto da equipe Art Grand Prix (Imagem: FIA)

Outra questão são os motores. O jornalista pontua que, antes de a F1 adotar o motor híbrido, a F2 era uma parada quase obrigatória, tecnicamente falando, para se conhecer e saber guiar um carro da categoria principal, pela sua semelhança. Hoje, com a diferença existente, há um distanciamento de desempenho entre os dois carros.

Logo, um piloto da base chega na categoria principal sem essa experiência, e a função preparatória do degrau de baixo acaba não sendo tão preparatória assim.

Quando perguntado se a F2 pode voltar a ser uma base eficaz para a Fórmula 1, Flávio foi otimista, mas pondera: “Eu espero que sim. Melhoraria a qualidade do campeonato. Se elas [equipes] passassem a subir pilotos, poderia voltar a ser uma categoria importante. Mas isso passa também pelo aumento do grid da Fórmula 1. ”

Ainda assim, a Fórmula 2 é a principal categoria de acesso e a que permite que os pilotos tenham mais contato com o mundo da Fórmula 1. É a oportunidade de impressionar e fazer seu network com pessoas importantes, dentro e fora da pista, e nesse quesito ela tem muito sucesso em permitir que isso aconteça.

O que sabemos é que esse foi o primeiro passo para uma tentativa de reaproximar a base da categoria principal, e que mudanças acontecerão nos próximos anos com o intuito de melhorar não só a Fórmula 2, mas indiretamente também a Fórmula 1, como conclui o jornalista: “com essa mudança, eu acho que existe a intenção de tentar trazer de volta a importância para essa categoria formadora de pilotos. ” Com a tendência de melhorar cada vez mais, a nossa torcida é que nos próximos anos vejamos mais jovens talentos despontando nessa base e ascendendo à Fórmula 1, tornando o esporte mais competitivo e emocionante para seus fãs.

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