Por Fernanda Silva (fernandarsilva@usp.br)
O cantor havaiano Bruno Mars está no Brasil para uma maratona de shows desde o dia 1⁰ de outubro e ficará até o início do próximo mês. As apresentações em São Paulo aconteceram no Estádio Morumbis, na zona oeste da cidade. O Sala 33 esteve presente no espetáculo do último dia 08.
No show, uma das primeiras coisas que chamam a atenção do público é o palco de Bruno Mars: o espaço é simples, sem passarelas, elevadores ou apetrechos tecnológicos. A apresentação do artista é feita com luzes coloridas, fogos de artifício, além de sua banda, contrastando com turnês de artistas que utilizam mais acessórios. Entretanto, logo que o show começa, o público entende que Mars não precisa de nada além do básico, pois sua voz e sua performance já são o suficiente para entreter e cativar os fãs.
Animado, sexy e romântico
O repertório não é diferente de shows anteriores, exceto por algumas adições de músicas recentes como o feat. com Lady Gaga. As músicas estão distribuídas em três partes: dançantes, sensuais e românticas, e em todas as fases, a dedicação dos artistas no palco é perceptível.
A abertura conta com um vídeo feito pelo cantor no ano passado para agradecer ao Brasil durante sua passagem pelo The Town. Em seguida, começa a tocar a canção 24k Magic! e a cortina vermelha que cobre o palco cai revelando Bruno Mars e sua banda. Nesse momento, é possível sentir as arquibancadas do estádio tremerem com a empolgação do fandom.
O show continua com Finesse e Treasure, seguidas de um pequeno trecho de Liquor Store Blues em que Mars aproveita para brincar com sua voz e mostrar toda sua capacidade vocal. Inclusive, o artista entrega ao vivo a mesma voz que escuta-se nas plataformas de streaming, sem desafinar.
Gatinha, gatinha…
Um dos pontos marcantes foi a performance da música Perm, que teve um toque especial por conta do aniversário de Bruno Mars, que completou 39 anos de idade no dia do show. A frase It ‘s my birthday (No, it’s not) da canção foi alterada para It ‘s my birthday (Yes it is!). Além disso, o showman ainda encerrou o ato com um coro cantando “Desce até o chão, esse é o bonde do Brunão!”, para a alegria dos brasileiros.
Calling All My Lovelies abre o momento das músicas “safadinhas” da setlist. É nessa música em que Mars pega um telefone cenográfico e simula uma ligação para uma garota. No trecho, ele se solta dizendo frases em português como “Te quero, gostosa!” e “Gatinha, gatinha!”, o que leva uma boa parte do público à loucura. A apresentação segue com That ‘s What I Like, Please Me e a icônica Versace on the Floor. Todas com um tom sensual já característico dos shows do artista.
Hora de chorar
O clima animado retorna com Marry You e Runaway Baby, canções do primeiro álbum, Doo-Wops & Hooligans (2010), e mais uma vez o chão treme no estádio. Porém, o momento não dura tanto, pois logo a programação traz as canções românticas e melancólicas.

Momentos antes o cantor estava no ápice da euforia, mas agora ele está sentado em seu piano, cantando trecho da sofrida Grenade e transmitindo toda a dor da letra em sua performance. Nessa hora, ele comprova novamente que é um artista de muitas versões e que consegue ser excelente e autêntico em todas elas. Talking to the Moon e Die With a Smile vêm logo em seguida e a fase triste da apresentação é encerrada com When I Was Your Man, que faz os presentes derramarem lágrimas de emoção.
O Gran Finale
Para os momentos finais do espetáculo, Bruno Mars escolhe duas músicas românticas de seu repertório: Locked Out of Heaven e a canção que o revelou para o público há 14 anos atrás, Just The Way You Are. As batidas da faixa deixam o público radiante. Em seguida, Mars apresenta sua banda e faz o agradecimento, porém, ainda não é o último ato. Para encerrar de vez ele toca a famosa Uptown Funk, que é na verdade uma música de Mark Ronson com um feat. de Bruno Mars. Assim que a música se encerra, as luzes do palco se apagam e aqueles que estão nas cadeiras superiores e nas arquibancadas conseguem ver a estrela da noite entrando no automóvel atrás do palco e indo embora pelos portões do Morumbis.
O fim é um pouco abrupto mas positivo, já que não abre espaço para a tristeza da despedida que costuma acontecer em outros shows da mesma magnitude: todos saem sorridentes e felizes do show.
*Imagem de capa: Fernanda Silva/Acervo Pessoal
Parabéns por trazer sua empolgação e emoção do seu show. Adorei sua narrativa.