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‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual’ traz final digno para o casal Warren, mas não para a franquia

Mesmo com Farmiga e Wilson brilhando em cena, repetição da fórmula de terror faz a trama ficar previsível e entediante
Por Nicolas Sabino (nicolassabino@usp.br)

Estreia nesta quinta-feira (4) o aguardado Invocação do Mal 4: O Último Ritual (The Conjuring: Last Rites, 2025), o último filme de uma franquia que está prestes a completar 12 anos. A trama acompanha a vida do casal de investigadores de atividade paranormal Ed e Lorraine Warren, que arriscam suas vidas para combater forças malignas. Ed é um demonologista autodidata e Lorraine é clarividente. Juntos, passaram anos atuando em casos que envolviam desde casas mal assombradas até possessões demoníacas.

Ambientado em 1986, o novo longa mostra o cotidiano que Ed e Lorraine escolheram viver após os problemas de saúde de Ed, o que acabou os tirando das cenas de atividade paranormal e os levou a dar palestras para pequenos públicos desinteressados. Nessa nova fase, o casal precisa lidar com o amadurecimento da filha que, prestes a se casar, é constantemente atormentada por visões sobrenaturais.

Mesmo que contenha várias modificações, a história é baseada em um casal real que começou a investigar casos sobrenaturais na década de 1940. Os dois passaram a receber grande destaque na mídia nos anos 1970, como no caso de Amityville retratado no início do segundo filme da franquia. Junto com a fama, vieram questionamentos sobre a veracidade de suas atividades, já que alguns os acusavam de charlatanismo. Mas a obra, ao trazer as informações verídicas, defende que os dois não mentiram em momento algum. O caso real que inspirou o quarto filme é considerado um dos mais perturbadores enfrentados pelo casal, mas, no longa, o problema parece mais simples e menos ameaçador.

Ed e Lorraine Warren, na vida real, não conseguiram resolver o problema da família Smurl [Imagem: Reprodução/TMDb]

O longa não tenta ser inovador em momento algum. Pelo contrário, ele segue à risca o modelo visto nos filmes anteriores de uma família que passa a ter a casa assombrada por criaturas malignas. A diferença é que o roteiro opta por passar a sua primeira metade desenvolvendo simultaneamente duas narrativas: a da filha dos Warren e da família Smurl, mas acaba falhando nas duas.

Judy Warren (Mia Tomlinson) recebe grande destaque. Ela herda da mãe a clarividência e, com o tempo, aprende a controlá-la. Porém, quando as visões passam a se tornar mais frequentes e mais assustadoras, ela precisa ir contra a vontade da mãe superprotetora e tentar desvendar o que está por trás delas. A trama inicialmente mostra bem as dificuldades vividas pela Judy, mas, quando ela chega na casa onde acontecem os eventos sobrenaturais, o filme não entrega uma explicação e escolhe uma conclusão exagerada e tediante.

Nos primeiros filmes, a forma como as famílias são representadas contribuem muito para o envolvimento do público com a história e até mesmo para aumentar o medo. Mas, no quarto longa, a família Smurl é tão mal desenvolvida que o espectador não consegue se importar com os problemas que ela passa. A sensação que se cria é que a família não tinha nenhum problema antes da assombração e, mesmo com sua chegada, não há um impacto real. A falha com esses personagens é tanta que, ao sair da sala de cinema, é difícil lembrar o nome de qualquer um deles.

Judy Warren, que já tinha aparecido nos outros filmes, está agora mais velha e com mais tempo de tela [Imagem: Reprodução/IMDb]

Um outro recurso dos longas anteriores utilizado nesse é o jumpscare, uma técnica para assustar o público repentinamente. O susto é uma ótima forma de manter o medo em cena, o problema é que a franquia já fez tanto esse uso que os momentos assustadores ficam previsíveis. Outro problema com os jumpscares tem a ver com a forma que ele é utilizado na trama, mantendo pouca relação dos sustos com a história central.

Se comparado com Invocação do Mal 3: A Obra do Diabo (The Conjuring: The Devil Made Me Do It, 2021) e A Freira 2 (The Nun II, 2023), a direção de Michael Chaves nesse novo filme chega a ser boa, mas também não agrada tanto. Em uma determinada cena, o diretor até consegue prender bem a atenção e criar um clima de tensão. O que Michael realmente não consegue é aprender com os erros dos filmes anteriores e abrir mão dos vícios visuais e das narrativas sem sentido. 

Nos aspectos técnicos, o filme utiliza um CGI no mínimo questionável. Se no trailer já é visível a utilização fraca da técnica, no cinema é gritante como foi um mau uso. Nos primeiros longas, o CGI foi usado como um complemento dos efeitos práticos. Já neste quarto filme os efeitos especiais pouparam esforços e recursos e resultaram em uma produção visualmente desagradável.

O jumpscare divulgado no trailer viralizou nas redes sociais por conta da péssima qualidade do CGI [Imagem: Reprodução/IMDb]

Os minutos iniciais seguem a tradição da franquia e mostram Ed e Lorraine em ação investigando um caso. O caso escolhido é um do início da carreira dos dois, e os eventos vivenciados têm relação direta com o andamento do resto da história. É durante essa cena que é possível ver Lorraine prestes a dar à luz, um momento em que a presença de uma criatura maligna junto à apreensão de Lorraine seguram a atenção do espectador até o final. O trabalho excepcional da produção nessa cena merece reconhecimento.

Outro grande destaque com certeza está na atuação de Vera Farmiga e Patrick Wilson. Desde o primeiro filme, os dois mostraram ter muita química em cena, o que fez com que o casal protagonista se tornasse um dos mais queridos do público. Para que eles tivessem um final satisfatório, a trama entrega muitos momentos dos dois em família, o que dá um leve ar de drama. Se os fãs de longa data estavam com medo do destino que os personagens poderiam levar, o longa revela que os dois foram “felizes para sempre” por meio de uma visão de Lorraine.

Patrick Wilson declarou que foi difícil se despedir do papel de Ed Warren por não poder atuar mais com Vera Farmiga [Imagem: Reprodução/IMDb]

O filme não desperdiça o clima de nostalgia e aproveita para fazer diversas referências aos outros da franquia, variando entre diálogos que relembram alguns momentos até várias participações especiais. Uma participação é a da boneca Annabelle, que cria alguns momentos de tensão nesse novo longa. Além dos personagens, outra participação especial é a do diretor dos dois primeiros filmes, James Wan, em uma cena cheia de personagens que marcaram a franquia.

Em um ano repleto de filmes de terror inovadores e de grande sucesso comercial e de crítica, Invocação do Mal 4: O Último Ritual tenta agradar os fãs seguindo a mesma fórmula de sempre. Ao optar por um clima dramático, a obra se perde em sua própria narrativa e não desenvolve nenhuma história por completo. O que tem seu valor é o cuidado com os dois personagens centrais que se despedem da franquia. Mesmo em clima de despedida, o longa apresenta algumas oportunidades de continuar a história sem Ed e Lorraine. É um presente para os fãs que não se saciaram e um desgosto para os fãs saturados.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira o trailer:

*Imagem de capa: Reprodução/TMDb

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