Na era da internet, há um fenômeno que denomina-se hype, ou seja, um assunto que está dando o que falar. Muito desse sucesso “precoce” de Lady Bird no Brasil é decorrente das inúmeras resenhas positivas que vem recebendo de veículos renomados como New York Times, The Guardian; da expectativa de ter um filme escrito e dirigido por Greta Gerwig e, claro, dos links para download vazados.
Desde o lançamento do trailer e do filme Lady Bird – A Hora de Voar (2017), nos Estados Unidos, vários usuários do Twitter mudaram seus nomes de perfil para “lady bird”, como a protagonista do filme Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan) se autodenomina, e nunca antes foram vistos tantos cabelos rosas circulando (coincidência ou não).
O longa retrata um “coming of age”(gênero na literatura e no cinema com enfoque no crescimento da juventude para a vida adulta) para realista, íntimo, sensível e, como poucas vezes visto na história desse gênero, com uma protagonista mulher, cheia de falhas, vulnerabilidades e confiança no centro dessa comédia dramática. Considerado o filme mais bem avaliado de todos os tempos no Rotten Tomatoes (um dos maiores portais de crítica audiovisual da internet), batendo o recorde de Toy Story (1999), o longa está previsto para ser lançado no Brasil em fevereiro de 2018.
Aqui estão 5 motivos porque esse filme já é queridinho no Brasil:
- Greta Gerwig escreveu e dirigiu Lady Bird
Conhecida por estrelar e co-escrever com Noah Baumbach Frances Ha (2012) e Mistress America (2015), Greta Gerwig já tem uma legião de fãs apaixonada por sua capacidade única de produzir diálogos tão humanos, como nossas conversas mundanas do dia a dia.
Quando terminou de escrever Lady Bird em 2015, ela soube que tinha que dirigi-lo sozinha, conforme afirma em entrevista ao New York Times. “Eu pensei, sim, ainda há muito para aprender, mas você nunca vai continuar aprendendo se não fizer. Você só só vai aprender a próxima parte, se você seguir em frente e fizer você mesma.”
- Um filme sobre “coming of age” do viés feminino

Muitos filmes tem como enredo central o gênero “coming age”. Podemos citar como exemplos consagrados Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014), Submarino (Submarine, 2010) e o brasileiro Califórnia (2015) da Marina Person. Mas, com seu filme, Greta Gerwig queria contar sobre essa fase de auto-descobrimentos, sob um viés de como é crescer mulher, e que perder a virgindade é só mais uma etapa e não a parte central dessa época de se autodescobrir.
Lady Bird é uma obra semibiográfica da juventude de Greta em Sacramento, Califórnia em meados dos anos 2000. Estranha, confusa, ambiciosa, insegura e “outsider”, durante 93 minutos observamos uma mulher crescer diante dos nossos olhos. Ela busca sua própria individualidade, mesmo sem saber o que isso significa.
- A mãe de Greta provavelmente parece a sua mãe

“Sua mãe é calma e assustadora ao mesmo tempo”. Pertencente à classe trabalhadora, a mãe de Lady Bird, Marion McPherson (Laurie Metcalf) sente-se na obrigação de alertar sua filha, o tempo todo da realidade financeira da família, de como seus sonhos são distantes, irreais ou simplesmente de como ela precisa arrumar seu quarto.
Sim, a mãe de Lady Bird a ama muito e como muitos pais é dessa forma que demonstra, por meio de preocupação exacerbada. O filme mais uma vez tem como um dos momentos de perfeição demonstrar uma relação entre mãe e filha real, brigando e se amando ao mesmo tempo.
- Amizade entre Lady Bird (Saoirse Ronan) e Julie Steffan (Beanie Feldstein)
Estudantes de um colégio católico, ambas enfrentam todas as aflições da juventude juntas – chorar em cinemas com comédias românticas, roubar revistas ilustrativas em supermercados, fofocar sobre crush. A amizade de Lady Bird e Julie tem altos e baixos, mas é quase que um retrato perfeito do significa ser melhor amiga.
Com uma atuação impecável, Beanie Feldstein (Julie) é uma amiga sincera, divertida que compartilha vários momentos e aflições com a protagonista, além de esconder um crush secreto por seu professor de matemática. Em entrevista ao site Indiewire, a atriz afirmou: “Eu ouvi as pessoas dizerem ‘você não quer interpretar a melhor amiga, quer ser a garota.’Julie é a melhor amiga de Lady Bird, mas isso é feito para ser especial e sagrado, amoroso e completo. Isso é tudo Greta, ela dá a todos os personagens o seu devido papel de uma maneira muito especial.”
5. Ótima trilha sonora

Como o filme é quase um retrato biográfico da própria adolescência da Greta Gerwig, algumas escolhas de música eram essenciais para o desenrolar da trama, mas ainda não tinham seus direitos autorais disponíveis. Então, a própria diretora resolveu escrever cartas para os músicos explicando porque a presença de suas canções eraa importante, como revela em entrevista ao talk show do Seth Meyers.
Nas cartas escritas, Greta explica para Justin Timberlake por que “Cry me a River” faz você se sentir instantaneamente sexy e cool, ou como “Crash Into Me” de Dave Matthews é a música mais romântica de todos os tempos, e até contou para Alanis Morrissette que “Jagged Little Pill” foi a primeira fita cassete que ela comprou.
Confira a trilha sonora original neste link.
Com estreia prevista para o dia 18 de fevereiro no Brasil, Lady Bird- A Hora de Voar já ganhou o Golden Globe Awards 2018 de Melhor Atriz pela performance de Saoirse Ronan, e Melhor Filme Musical ou Comédia. Ainda está em dúvidas que esse pode se tornar um dos seus filmes prediletos? Assista ao trailer, aqui:
por Giovanna Querido
gioquerido@gmail.com