Jornalismo Júnior

logo da Jornalismo Júnior
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Uma viagem: do preto e branco para o colorido

Por Thiago Castro thiagocastro96@gmail.com Em 1895, os irmãos Lumière projetaram para o público o filme de um trem saindo da estação. Com pouco mais de um minuto, preto e branco e sem som, a plateia ficou assombrada. Eles acharam que o trem iria sair da tela, e fugiram do local. Desde esse dia, também nos …

Uma viagem: do preto e branco para o colorido Leia mais »

Por Thiago Castro
thiagocastro96@gmail.com

Em 1895, os irmãos Lumière projetaram para o público o filme de um trem saindo da estação. Com pouco mais de um minuto, preto e branco e sem som, a plateia ficou assombrada. Eles acharam que o trem iria sair da tela, e fugiram do local. Desde esse dia, também nos assombramos com a evolução do cinema. 3D, 4D, efeitos especiais, técnicas cada vez mais realistas. Mas tudo começou com uma simples missão: trazer as cores do mundo para o universo acinzentado do cinema.

Pode parecer estranho, mas a grande parte dos filmes produzidos até a década de 20 era colorida. Com o auxílio de pinceis e lupas, era aplicada tinta quadro a quadro. Era um trabalho extremamente minucioso, caro e demorado. Outro método era tingir toda a película, criando uma espécie de “filtro”. Em alguns casos, pintavam-se apenas as partes escuras, deixando as claras em seus tons originais de branco.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=47qRYJVIl9k">http://www.youtube.com/watch?v=47qRYJVIl9k</a>
Pierrette’s Escapades (1900), colorido a mão.

Os métodos manuais de coloração foram abandonados com a chegada de uma tecnologia revolucionária: o som. O público não ligava muito se o filme era em preto e branco, mas não aceitava mais o cinema mudo. Com essa nova perspectiva, as produções não viam necessidade de gastar tanto tempo e dinheiro para colorir, já que o emprego do som chamava muito mais atenção.

Apesar disso, tentativas de criar uma câmera que captasse as cores reais do mundo nunca pararam. Na década de 30, a norte americana Technicolor lançou uma câmera com três elementos, que filmava em três cores. A luz era projetada nas cores primárias e então sobreposta, dando a impressão de naturalidade. O primeiro filme que usou essa técnica foi Vaidade e beleza (Becky Sharp, 1935).

As cores no cinema passaram a ter mais peso quando surgiu um rival a altura: a televisão. Em meados da década de 50, os produtores ficaram com medo dos espectadores abandonarem a sétima arte, e então investiram pesado em tecnologia. Novas películas foram criadas, com câmeras mais leves e com uma maior gama de cores, tentando ao máximo se aproximar da realidade.

Os filmes que mais faziam sucesso na época eram os musicais. Eles eram uma síntese de toda a evolução do cinema até o momento: som, coreografia, cores vivas e figurinos. É fácil achar grandes exemplos disso. Uma das maiores divas de todos os tempos, Marilyn Monroe, atuava e cantava em grande parte dos seus filmes.

Na década de 60, grande parte da produção de filmes para o cinema vinha trocando o preto e branco pela cor. Quanto mais quente melhor (Some Like it Hot, 1959), porém, foi gravado em preto e branco por escolha. O diretor achou que se fosse a cores, a pele dos personagens ficaria esverdeada por causa da maquiagem.

Já na década de 80, quase 100% das produções já eram coloridas. O preto e branco hoje em dia passou a ser utilizado por estética, mas ainda faz sucesso. Um exemplo é O artista (The Artist, 2011). O Filme conta a história de um ator em declínio e uma atriz em ascensão enquanto o cinema mudo sai de moda. Mesmo sendo produzido sem cores, ganhou o Oscar de melhor filme em 2011.

O Brasil também vivenciou essa transição no mundo cinematográfico. O primeiro filme totalmente a cores produzido aqui foi Destino em Apuros (1953), porém custou uma fortuna. Os negativos tiveram que ser revelados nos Estados Unidos, e teve enormes gastos com o departamento de censura. A produção não se saiu bem nas telonas, não conseguindo recuperar o dinheiro investido.

A 7ª artes passou por grandes transformações. Representar as cores do mundo sempre foi um grande desafio, e passou por inúmeras etapas. Desde pinturas a mão até novíssimas câmeras ultra tecnológicas, o cinema sempre encantou o mundo, trazendo um pouco mais de cor para a vida dos espectadores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima