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40ª Mostra Internacional de SP: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
CINÉFILOS
25 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Assim que o título de O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (Hymyileva Mies, 2016) surge, o filme nos passa a ideia de que acompanharemos de fato o dia mais feliz de Olli (Jarkko Lahti). Quando então nos damos conta de que a obra fora rodada em preto e branco, e os tons monocromáticos destoam totalmente de uma suposta felicidade, passamos a desconfiar levemente de sua promessa. Mas ele ainda irá mais longe, e durante toda a sua projeção, a dúvida permanecerá, mostrando a destreza dos realizadores em brincar com as nossas expectativas.

Baseado na vida real de Olli Mäki, o primeiro finlandês a competir no campeonato mundial de boxe pela categoria peso pena, acompanhamos seus últimos dias antes da grande luta. Atordoado com o assédio da mídia e aflorado por uma paixão em má hora, veremos então seus esforços para encontrar foco e afastar as inseguranças acerca do futuro. Posto isso, é fato que o filme é muito mais interessante se desconhecemos a trajetória de Olli, uma vez que toda a tensão se dará em torno do resultado da luta. Assim, podemos observar como a pressão de seus colegas, de toda a Finlândia e, por que não, dos espectadores que assistem ao filme pode atormentar um indivíduo.

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Essa pressão externa acontece diversas vezes de forma escrachada, como nos esporros que o técnico de Olli, Elis (Eero Milonoff), lhe dá. São os momentos sutis, no entanto, os mais desconfortáveis. Em determinado momento, Olli e seus colegas pugilistas brincam nus jogando água um no outro, quando o treinador aparece para apresentá-los a alguns documentaristas. Em uma outra cena, imaginando que irá somente passar uma tarde tranquila com sua namorada Raija (Oona Airola), Olli descobre que terá de ir a uma festa de casamento de amigos da família dela, sendo então obrigado a se trocar rapidamente. Estas duas cenas, isoladamente, não parecem acrescentar em nada à trama. Contudo, elas serão vitais para a criação de um clima de desconforto crescente que rodeará o protagonista.

Protagonista este que, desenvolvido também de forma bastante sutil, será um formidável estudo de personagem. Logo quando conhecemos Elis, ouvimos grandes histórias de seu passado de sucesso, e como a noite de vitória no ringue o marcou como o dia mais feliz de sua vida. A nós, a promessa do título parece enfim estar se delineando. A Olli, o incômodo é nítido. Durante a cena, seus olhos sempre buscarão os de Raija e a sensação que se tem é a de que ele quer sair o mais rápido possível do cômodo. Talvez a oportunidade que tantos personagens comentam seja menos um sonho dele do que uma imposição dos outros.

E a fragilidade com que vemos Olli reagir a cada nova demanda é bastante tocante se comparado à brutalidade do boxe; é humano. Não à toa, a realidade do filme ainda se beneficia da ausência de uma trilha sonora, que usa somente sons que os próprios personagens podem escutar (som diegético). Além disso, a filmagem de poucos cortes também contribui para um fluxo mais natural às ações. Mais ainda, essa opção também dá a impressão de que a câmera, assim como tudo em sua volta, o persegue sem conceder-lhe sequer um espaço de refúgio. Dessa forma, é lindo quando por fim o diretor fixa a câmera, deixando que o casal caminhe para longe dela e brinque sem preocupações em um lago, ao fundo do quadro. Enfim, o dia mais feliz da vida de Olli Mäki. E Raija.

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Confira o trailer (em inglês):

por Natan Novelli Tu
natunovelli@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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