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A craque da vez e referência para memória esportiva: Marta
ARQUIBANCADA
20 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Pedro Ezequiel

Pela sexta vez, ela erguia aquele troféu. Pela décima quarta vez, ela estava na lista de melhores do mundo. Pelo futebol, Marta escreveu seu nome na história do esporte mundial. De tal maneira, Marta mostrou que não é somente alguém “de saias”. Ela é ela. Ela é Marta: a hexa em ser unanimidade no planeta bola.

Depois de tantas vezes vivendo as indicações, o que será que se passava na cabeça da considerada Rainha do Futebol ao ouvir seu nome pela anunciante? Acostumada, talvez? Era possível se emocionar mais uma vez? Sim. Assim como seus lances, não é igual, repetitivo, previsível. É emocionante.

“As pessoas falam tanto pra mim assim: ‘Você já esteve nessa posição tantas vezes. E todas as vezes você se emociona.’ Sim, faço isso porque representa muito pra mim”, disse ela no discurso da premiação.

No dia 24 de agosto, Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2018, pela premiação “The Best”, da Fifa. A atleta tinha duas concorrentes de respeito ao seu lado: a norueguesa Ada Hegerberg e a alemã Dzsenifer Marogsan. Ambas jogam pelo Lyon, da França, campeão da Champions League. Mas a brasileira não ficava para trás: na liga feminina dos Estados Unidos, a NWSL, Marta marcou 13 gols, foi a atleta que mais deu assistência e foi fundamental para levar o Orlando Pride, seu atual time, às semifinais. Ela também tinha conquistado, em abril, a Copa América com a seleção brasileira.

Marta já havia faturado cinco vezes o prêmio conhecido como Bola de Ouro, organizado anteriormente pela mesma entidade máxima do futebol junto com a revista France Football. Ambos são para os que brilharam no ano futebolístico. E isso ela fez de novo, como mostrou os números.

Imagem: Beatriz Cristina/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

Antes dos passos que subiam aquela pequena escada até o troféu, Marta corria no chão de terra batido de Dois Riachos, no sertão alagoano. De lá, meio longe, veio a majestade do futebol. Brincava de bola no meio dos meninos. E, além de driblá-los, tinha de fazer o mesmo com os comentários, que durou até depois de grande. Em entrevista ao canal do Museu do Futebol, em 2015, por exemplo, a artilheira da camisa 10 canarinho comentou sobre os preconceitos que teve de enfrentar.

“Sempre existiu. Era uma briga constante quando eu queria participar dos treinos ou estar junto do pessoal jogando. Praticamente a família toda achava aquilo… anormal. Eu tinha que me impor pra poder jogar. Eu brigava mesmo, de sair no tapa às vezes. Eu era, na infância, muito destemida. Até mesmo quando eu fui jogar no Vasco, a gente saía pra jogar e sempre tinha alguém que soltava uma ‘piadinha’. Isso foi muito intenso. Mas eu absolvi aquilo e fazia com que virasse algo motivacional.” E ainda bem que a brincadeira de jogar durou mais ainda. Tanto que o esporte com a bola virou brincadeira em seus pés.

Jogadas desconcertantes, gols inenarráveis e assistências precisas levaram Marta para vários lugares, como o Vasco da Gama, em 2000. E, anos mais tarde, para fora do Brasil, para o Umeå IK, da Suécia. Além deles, passou pelo Santos e por times dos Estados Unidos, onde está atuando agora, pelo Orlando Pride. Mas Marta afirma e demonstra ser a mesma. Com 32 anos, fatura mais uma vez o título de melhor do mundo. Porém, ainda é a garota de Dois Riachos, que guarda a primeira medalha, como ela mesma afirmou em entrevista após a premiação da FIFA. E a emoção dela ainda é igual. Seja em Alagoas, nos Estados Unidos ou no “The Best”, é a Marta de todos esses tempos que deixa ser goleada pelos sentimentos.

“Quando chegar o dia em que eu não sentir mais a emoção que sinto e não ficar nervosa, talvez esteja chegando a hora de eu parar. O futebol deixará de ser o centro do meu ser. Mas ainda sinto isso em todas as ocasiões”.

Veterana no futebol, Marta demonstra categoria com a bola (Foto: Arquivo/ CBF)

E no mesmo gramado da paixão ao esporte, a jogadora Kelly Rodrigues, do Santos Futebol Clube, atua com aquilo que mais gosta. “O futebol é a minha vida, literalmente! Completei 31 anos neste ano e 20 deles foram dedicados ao futebol”. A meia/volante já passou pelo Santos em 2006 – atuando como zagueira –, mas começou jogando no Juventus da Mooca com 11 anos e, antes do retorno ao alvinegro da Vila Belmiro em 2015, fez parte do elenco da Ferroviária.

Apesar de algumas dificuldades para praticar o esporte mais popular do mundo, Kelly nunca desistiu. Em depoimento ao Arquibancada, ela fala: “Eu não ligava para preconceito, falta de apoio ou de incentivo. Sempre fui focada e determinada para alcançar o que eu queria.” A volante também começou a jogar bola na infância, com sete anos, em um clube com quadras de futsal onde seu pai tinha um bar. Hoje, acumula em sua galeria duas Copas Libertadores, dois Brasileiros, duas Copas do Brasil, quatro Campeonatos Paulista e mais um Torneio Internacional.

A volante Kelly Rodrigues com o prêmio do Campeonato Paulista conquistado pelo Santos F.C. (Foto: Ivan Storti)

E, de quebra, teve Marta como companheira de elenco no Santos. Kelly contou como foi essa experiência: “A Marta é uma jogadora excepcional! Ela tem o raciocínio muito rápido, muita velocidade, muita força física e habilidade. Fazia jogadas impressionantes nos treinos e nas partidas. Já resolveu jogos importantes em questão de minutos. Ela tem um caráter exemplar e muita humildade. Apesar de chegar onde chegou, não trata ninguém diferente, independente de cargo ou posição e não esquece das raízes dela”.

Seleção Brasileira e a dona da camisa 10

Quando se fala de uma, logo vem a outra na cabeça. Marta e Brasil. A jogadora já conquistava título com o time sub-19, mas guarda uma grande história com a camisa amarela da principal. Mais de 100 gols. Mais do que Pelé. Tal marca foi superada em 2015 e, de lá pra cá, as redes continuaram a balançar. Com seus pés, Marta construiu um legado na seleção para ser reverenciado.

A camisa 10 é a atleta que mais marcou gols com a seleção entre homens e mulheres. (Foto: Divulgação/ Conmebol)

Ainda não veio um título de Copa do Mundo, porém, ano que vem, o elenco terá mais uma disputa. E aquela medalha olímpica na Rio 2016 tinha tudo para ser delas. Quis o destino que não. Mas não pode se esquecer as imagens dos estádios apoiando as meninas do Brasil, eufóricos. E então a disputa de pênaltis contra a Austrália, onde a goleira Bárbara fez milagres, levando o Brasil para as semifinais e o Mineirão ao delírio. Ao final do jogo do bronze, com o placar de 2 a 1 para as canadenses, Marta disse emocionada: “Não desistam do futebol feminino”. E não se pode mesmo. É uma modalidade a ser vista, incentivada e difundida pelo país do futebol.

Certa vez, no jogo do Brasil contra os Estados Unidos, na Copa do Mundo de 2008, Marta recebeu a bola perto da linha lateral esquerda, onde ela dominou e, de forma incrível, driblou a marcadora para, em seguida, fintar mais uma norte-americana cortando para a direita e encher o pé, colocando a bola no fundo da rede. Que erro do jornalista tentar dar um prelúdio desse gol com humildes letras de fonte Arial.

Saudoso locutor e incentivador do futebol feminino, Luciano do Valle definiu – e não definiu – o lance em pouca fala: “Não há palavras pra descrever o gol de Marta. Não há palavras.” Estava totalmente certo. Não tem como descrever o lance, o gol, nem Marta com palavras. Nem com comparações de que “ela é o fulano de saias”. Marta é calção, chuteira, bola no pé e futebol arte. Se tentar defini-la, não achará palavras que faça o trabalho impossível de descrevê-la. Só diga: Marta.

Imagem: Beatriz Cristina/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

 

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