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A escura câmera: técnicas do Film Noir
CINÉFILOS
29 fev 2012 | Por Jornalismo Júnior

Um plano bem fechado num rosto com olhar sombrio, atrás do reflexo de uma janela. Terno, gravata, chapéu. Escuros. Preto e branco, mesmo após o lançamento dos primeiros filmes coloridos. Esse é o tipo de cena mais visto no movimento cinematográfico conhecido como Film Noir.

Com início na década de 1940, o Film Noir, mais que um estilo, é uma mistura de estilos. Muito influenciada pelo Expressionismo Alemão, de filmes com estética “deformada”, como O Gabinete de Dr. Calligari (Das Cabinet des Dr. Caligari. 1920. 71 min.), e derivado dos suspenses da época da grande depressão, a estética do Film Noir é marcada pela escuridão, como o nome já diz (Filme Preto, em francês).

Para criar esse efeito “dark”, existem algumas técnicas de filmagem que normalmente são usadas. Uma delas é a própria luz.

Nas filmagens, geralmente é usada apenas uma fonte de luz ou, se muito necessário, duas. Também é costume usar objetos entre as câmeras e os atores, como persianas, para dar um efeito diferente de sombras. Se não filmados em preto e branco, esses filmes são feitos com baixa saturação, durante a noite, e usam alto contraste.

Os Corruptos (The Big Heat. 89 min. 1953.), clássico do Cinema Noir

Para efeitos de deformação, muitas vezes são utilizadas lentes com baixa distância focal, que distorcem linhas retas próximas às extremidades, exagerando a distancia entre planos, daí a semelhança com o expressionismo. Mantendo o mistério, conta-se também com a profundidade de campo, técnica que permite que tanto o primeiro plano quanto o segundo estejam igualmente focados. Dessa forma, o expectador não sabe em qual parte da tela é mais relevante prestar atenção.

Lentes de baixa distância focal, que permitem efeitos de distorção

Outra técnica comum nesse estilo de filme é a da mudança de ângulo de filmagem. Um exemplo é começar a filmar uma sequência com um ângulo de câmera “comum” e trocar bruscamente para um extremamente alto ou baixo (sendo o segundo mais usado), ou de um objeto para o outro, muitas vezes com o personagem em segundo plano. Por exemplo: a cena se inicia com o protagonista entrando em uma sala e, de repente, a câmera “cai” e passa a filmar o teto, pegando todo o corpo da pessoa, dando a impressão de que algo vai aparecer de cima. Logo depois, vai para uma faca em cima de uma mesa, para a qual o personagem está de costas.

A “câmera na mão”, com suas tremidas ocasionais, também não é dispensada, bem como o uso exagerado do zoom, até se perder de vista o que aparentemente era o mais importante da cena. Ainda visualmente falando, para a mudança de cenas ou finalização do filme, o fade out, técnica de escurecer a cena até o preto completo, é uma opção muito encontrada no Noir.

Por Paula Zogbi Possari
paulichas@gmail.com

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