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Eleições 2026 | Conheça os candidatos ao Governo de São Paulo

Concentrada entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), disputa pelo Governo de São Paulo pode ser decidida já no primeiro turno
Por Maju Pinheiro (majupinheiro@usp.br)*

No dia 4 de outubro de 2026, o maior colégio eleitoral do Brasil, com 34,1 milhões de eleitores, irá às urnas para escolher o próximo governador do estado de São Paulo. Com sete candidatos a governador nas eleições de 2026, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes reúne diferentes projetos para o estado, embora o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), despontem como os principais nomes na disputa pelo Governo do estado, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais publicadas.

Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O vencedor governará São Paulo pelos próximos quatro anos, entre 2027 e 2030. Conheça a seguir os candidatos e suas principais propostas, em ordem de preferência nas pesquisas:

Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Atual governador de São Paulo e líder nas pesquisas — com 49% das intenções de voto, segundo levantamento do Datafolha divulgado em 11 de setembro — Tarcísio de Freitas disputa a reeleição ao lado de Felício Ramuth (MDB), que ocupa o cargo de vice-governador. Engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Tarcísio foi ministro da Infraestrutura durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022, e venceu Haddad no segundo turno da eleição estadual de 2022, com 55,27% dos votos.

Para um eventual segundo mandato, em seu plano de governo, Tarcísio promete ampliar a Tabela SUS Paulista, com foco nos repasses a hospitais públicos municipais, e criar um programa estadual de saúde mental em parceria com as prefeituras. Na segurança, o plano prevê o uso de inteligência e tecnologia, com ampliação do reconhecimento facial para identificar pessoas procuradas pela Justiça e do policiamento orientado por dados, além do combate às facções por meio de investigação patrimonial

Na educação, Tarcísio propõe ampliar o ensino técnico e o ensino integral, assim como fortalecer as Escolas Cívico-Militares. O programa também prevê maior presença de tecnologia e inteligência artificial na formação dos estudantes, junto da ampliação da educação financeira.

Homem branco de terno azul falando ao microfone
Após 12 anos no Exército, onde chegou a capitão, Tarcísio ingressou no serviço público federal, atuando na Controladoria-Geral da União (CGU) e, posteriormente, como consultor legislativo da Câmara dos Deputados [Imagem: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons]

Fernando Haddad (PT)

Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda e da Educação, Fernando Haddad volta a disputar o governo estadual quatro anos após ser derrotado por Tarcísio em 2022. O candidato tem Márcio França (PSB), ex-governador de São Paulo e ex-ministro de Portos e Aeroportos, como vice.

O programa de Haddad coloca a segurança pública entre suas prioridades e apresenta o projeto “SP Protege com Impunidade Zero”, voltado ao combate do “prende e solta” e do crime organizado. As propostas incluem uma Agência Estadual Anti-facção, integração entre polícias e guardas municipais, câmeras corporais dos agentes públicos com gravação contínua e uso de inteligência artificial para mapear ocorrências e horários de maior incidência criminal. A campanha também prevê o funcionamento 24 horas de Delegacias da Mulher em regiões de maior demanda. 

Com 29% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha, Haddad propõe dobrar, em quatro anos, o número de vagas em escolas de tempo integral e recompor os salários dos professores, com planos de carreira baseados em concursos públicos. O programa também prevê ampliar a alfabetização na “idade certa”, aos 6 anos, criar o Pé-de-Meia Paulista e expandir o acesso a creches. Para as universidades estaduais, Haddad promete preservar o financiamento da USP, Unicamp e Unesp através da substituição gradual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por um modelo baseado na Receita Tributária Líquida (RTL) do Estado, isto é, o total arrecadado em impostos após o repasse obrigatório aos municípios. 

Homem branco sorrindo com terno azul e fundo colorido
Após 12 anos no Exército, onde chegou a capitão, Tarcísio ingressou no serviço público federal, atuando na Controladoria-Geral da União (CGU) e, posteriormente, como consultor legislativo da Câmara dos Deputados [Imagem: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons]

Carlos Machado (PCB)

Formado em História pela Universidade de Franca (Unifran), Carlos Machado é professor da rede pública estadual e educador popular. Nascido e criado em Franca, no interior paulista, já foi candidato a vice-prefeito da cidade e, em 2026, disputa o governo do estado com Felipe Queiroz (PCB) como vice. 

Com foco na ampliação da participação popular e na superação do modelo capitalista, a candidatura tem como principal bandeira a campanha “Reestatiza São Paulo, pelo Poder Popular”, que propõe a retomada do controle público sobre serviços atualmente privatizados, como transporte, energia e saneamento. O programa também prevê a criação de Conselhos Populares, com participação de trabalhadores, movimentos sociais e comunidades na formulação e na fiscalização de políticas públicas. 

Na educação, defende a expansão do ensino integral, fim das parcerias público-privadas e valorização dos professores — através de novos planos de carreira e realização periódica de concursos. Na saúde, propõe ampliar a rede pública, aumentar a oferta de leitos e reduzir filas de atendimento por meio da expansão de hospitais e AMEs. Para a segurança, prioriza a prevenção, a redução da letalidade policial e o combate ao crime organizado por meio do fortalecimento da inteligência e da investigação patrimonial. O candidato aparece com 3% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha.

Homem branco de óculos sorrindo
Antes da política, Carlos Machado trabalhou em fábricas de calçados e na construção civil, e iniciou sua militância ainda no movimento estudantil [Imagem: Divulgação/PCB]

Policial Edjane (Agir)

Edjane Lima de Souza, conhecida como Policial Edjane, é cabo da Polícia Militar e concorre pela primeira vez ao governo estadual pelo Agir. Sua vice é a Professora Nayr Duarte, do mesmo partido. Aos 49 anos, Edjane já se candidatou a diferentes cargos por outros partidos: foi candidata a vereadora de São Paulo pelo PTB em 2020, a deputada federal pelo PROS em 2022 e a vereadora de Poá pelo PL em 2024, sem ser eleita.

Com 3% das intenções de voto, Edjane não publicou seu plano de governo no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano. No entanto, a policial divulga suas propostas por meio das redes sociais e de entrevistas. 

Na educação, promete valorizar os professores, ampliar a educação inclusiva, melhorar a alimentação escolar e utilizar a tecnologia como ferramenta de aprendizagem. Já na saúde, a candidata propõe um mutirão para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias e defende a ampliação dos serviços públicos voltados à causa animal, incluindo hospitais veterinários gratuitos. Para a segurança, prevê uma rede estadual de câmeras de segurança integrada a uma central de inteligência.

Mulher de farda policial branca sorrindo de braços cruzados
A candidata não declarou bens ao TSE em 2026; em 2024, havia informado um imóvel de R$ 480 mil [Imagem: Reprodução/Instagram @policial_edjane]

Vera Lúcia (PSTU)

A cientista social e operária Vera Lúcia Salgado, de 58 anos, é candidata pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Ela tem Renata França (PSTU) como vice. Natural de Inajá (PE), Vera é uma das fundadoras do partido e já disputou a Presidência da República em 2018 e 2022, mas não ganhou em nenhum dos pleitos. Esta é sua primeira candidatura ao governo paulista.

Vera, que aparece com 2% das intenções de voto, defende a reestatização de serviços estratégicos, como Metrô, CPTM e Sabesp, além da implantação da tarifa zero no transporte público. Na educação, propõe o fim das escolas cívico-militares, da plataformização do ensino e da participação de fundações empresariais na definição das políticas educacionais. Para a área da saúde, a candidata propõe a ampliação da rede pública, contratação de profissionais por concursos, redução das filas e fortalecimento dos CAPS.

Como medidas para enfrentar o feminicídio, sugere a criação de uma rede estadual de proteção com casas-abrigo, centros de atendimento e Delegacias da Mulher 24 horas pelo estado, juntamente com a implementação de um plano estadual de habitação popular a partir da ocupação de imóveis vazios.

Mulher negra de óculos falando no microfone
Nascida no sertão pernambucano, Vera Lúcia trabalhou em uma indústria de calçados, onde iniciou sua militância sindical. Aos 39 anos, ingressou na Universidade Federal de Sergipe (UFS) para cursar Ciências Sociais [Imagem: Romerito Pontes/Wikimedia Commons]

Vivian Mendes (UP)

Comunicadora formada pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Vivian Mendes (UP) concorre ao lado de Marcelo Pereira (UP), petroleiro, como candidato a vice. Vivian foi candidata ao Senado por São Paulo em 2022 e é uma das fundadoras do UP e do Movimento de Mulheres Olga Benário.

A candidatura, que apresenta 2% das intenções de voto, prioriza a reestatização de serviços públicos concedidos à iniciativa privada e o enfrentamento da violência contra as mulheres, com propostas para ampliar as Delegacias da Mulher para atendimento 24 horas, fortalecer os Centros de Referência e criar novas Casas de Referência para acolhimento, proteção e qualificação profissional de mulheres e seus filhos. 

Na educação, Vivian reforça a necessidade de concursos públicos e da recuperação salarial dos profissionais. Defende, ainda, a expansão do ensino técnico e a democratização da gestão das universidades públicas — com eleições para direções escolares e reitorias — além da superação do modelo de ingresso baseado exclusivamente no vestibular.

Entre as propostas para a saúde, critica a privatização e propõe a gestão direta do Estado. Na segurança pública, defende a substituição do atual modelo por uma polícia comunitária, com maior aproximação entre agentes e moradores e atuação voltada à prevenção da violência.

Mulher branca de cabelo branco e camiseta preta falando no microfone
A Unidade Popular, partido de Vivian, foi oficialmente reconhecida pela Justiça Eleitoral em 2019, após uma campanha que reuniu mais de 497 mil assinaturas [Imagem: Divulgação/Unidade Popular]

Izadora Dias (PCO)

Izadora Dias, de 31 anos, disputa pela primeira vez o Governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO). Ex-estudante de Letras pela Universidade de São Paulo (USP), a candidata iniciou sua militância política no partido em 2018 e tem Nivaldo Orlandi (PCO) como vice.

Com 1% das intenções de voto, Izadora apresenta, em suas propostas, a reestatização de empresas privatizadas, como o Metrô e a CPTM, além de propor passe livre nos transportes para desempregados e trabalhadores da economia informal. Na saúde, prevê a ampliação dos hospitais públicos, a formação de mais profissionais e a estatização de hospitais  privados. 

Para a educação, a candidata defende o fim dos vestibulares e o livre ingresso nas universidades estaduais, além da estatização do ensino privado e da gestão de escolas e universidades por estudantes, professores e funcionários. Já na área de segurança pública, Izadora defende mudanças profundas no modelo policial, incluindo a dissolução das polícias e o direito da população ao armamento.

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Izadora já disputou a Câmara dos Deputados em 2022, porém não se elegeu [Imagem: Reprodução/Instagram @izadoradias.pco]

[Imagem de capa: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons]


*Esta reportagem foi produzida pela repórter Maju Pinheiro sob a supervisão da diretora de redação Gabriela César.

Na imagem, a régua do especial de eleições 2026 da J.press

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