Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Eleições 2026 | Conheça André do Prado, escolha da direita paulistana para o Senado

Político de carreira, o guararemense é uma das apostas do “bolsonarismo”, mas enfrenta críticas dentro do bloco
Na imagem, Tarcísio de Freitas (à esq.) e André do Prado (à dir.)
Por Alicia Dias (almeidag.aliciadias@usp.br)*

André Luis do Prado (PL-SP), 57 anos, é natural de Guararema, interior de São Paulo. O atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) disputa uma das duas cadeiras disponíveis no Senado Federal pelo Partido Liberal (PL), ao qual é filiado desde 1992. Prado afirma que seus principais objetivos, caso eleito, serão defender os valores cristãos e lutar por uma economia mais liberal, com menos intervenção governamental.

Apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o candidato tem se apresentado como “o braço direito de Tarcísio no Senado”. Entretanto, Prado tem enfrentado acusações de não ser um “verdadeiro” direitista, principalmente do também candidato ao Senado e ex-ministro do Meio Ambiente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Ricardo Salles (Novo). 

Político de carreira

Formado em Análise de Sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) , André do Prado entrou na política cedo, aos 23 anos, quando foi eleito vereador da cidade de Guararema, filiado ao Partido da República (PR) — atual PL —, cargo para o qual foi reeleito em 1996. Ao fim de seu segundo mandato, Prado foi candidato a vice-prefeito na chapa de Conceição Aparecida Alvino de Souza (PSDB), que venceu a corrida pela prefeitura da cidade. Durante esse período, ele também foi Secretário de Saúde do município.

Em 2005, ainda na cidade, Prado  foi eleito prefeito ao lado do vice Djalma de Faria (PR). Durante o mandato, suas principais entregas foram a Escola Profissionalizante Municipal e o Centro de Especialidades de Saúde e Apoio à População (Cesap). Apesar das entregas e da avaliação positiva  da população com relação à sua gestão, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) julgou dois contratos, assinados durante seu mandato, como irregulares. 

O primeiro diz respeito à contratação de um serviço de transportes para alunos do Ensino Fundamental, da Educação Infantil e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) — rede voltada à defesa dos direitos de pessoas com deficiência. O TCE apontou vícios na licitação, como a falta de pesquisa prévia de preços, que tornou ilegais os atos relacionados às despesas realizadas no âmbito do acordo. Além disso, os aditivos contratuais realizados em 2007, 2008 e 2009 também foram considerados ilegítimos porque, segundo o parecer, eles concederam reajustes proibidos pelo edital. 

A outra licitação considerada irregular se refere à locação de veículos e à gestão da frota municipal. A concorrência pelo contrato de R$ 1,1 milhão foi considerada irregular porque o edital impôs exigências que poderiam restringir a participação das empresas — conforme os autos do processo. Entre os critérios, estava a apresentação do recibo de retirada do edital como condição para participar da disputa, o que, segundo o TCE-SP, contrariava a Súmula 26 da Corte. André do Prado foi, inclusive, multado pelo órgão, mas conseguiu vencer o recurso referente  à multa.

Ao fim do mandato, Prado não concorreu à reeleição, mas permaneceu no universo político como presidente estadual do conselho político do ainda PR. Durante esse período, o guararemense buscou reestruturar as bases do partido em São Paulo e se preparar para voos maiores: sua candidatura a deputado estadual em 2010.

Na imagem, André do Prado sendo homenageado pela Câmara Municipal de Guararema
A Câmara Municipal de Guararema homenageou do Prado quando ele assumiu a presidência da Assembleia [Foto: Reprodução/ Câmara Municipal de Guararema]

Na Assembleia Legislativa

Em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, o político foi eleito com 86.346 votos, o único deputado de sua legenda partidária. Ao fim dos quatro anos, André se reelegeu e permanece na Alesp até hoje, em seu quarto mandato como deputado estadual, quando também assumiu a presidência da casa, em 2023. 

Ao longo de seus 16 anos na Alesp, o parlamentar se manteve próximo de suas raízes municipalistas. Em 2012, foi coautor do Projeto de Lei Complementar (PLC) 32/2012, que criou os critérios para classificação de Municípios de interesse turístico (MTIs). Mais tarde a proposta se tornou a Lei Complementar 1.261/2015.

Posteriormente, Prado passou a apresentar projetos individuais para transformar municípios específicos em MITs, como o PL 732/2015, de sua autoria, o qual adicionou Sete Barras a essa classificação. A atuação nos municípios também aparece na destinação de emendas parlamentares. Em 2020, por exemplo, ele destinou diversas emendas parlamentares para cidades do interior paulista, principalmente para obras de infraestrutura urbana. No mesmo ano, em uma de suas emendas, propôs ampliar recursos para obras e serviços municipais, citando as carências de cidades do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, regiões que compõem suas bases políticas.

Para além da atuação voltada aos municípios, o candidato também ganhou projeção na condução de pautas de alcance estadual. Em 2023, já como presidente da Alesp, esteve à frente da tramitação da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp); inclusive, assinou um ato que formalizou o apoio da Frente Parlamentar à desestatização.

Na imagem, André do Prado sendo reeleito presidente da Alesp
Em 2025, André do Prado foi reeleito presidente da Alesp [Foto: Alesp/Marco Cardelino]

Em debates e entrevistas recentes para o R7 e a Folha de S. Paulo, o guararemense reiterou seu apoio à privatização da companhia e ao governador, candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas. Além disso, também rebateu críticas a respeito de sua condução da Assembleia Legislativa, principalmente no que tange à falta de espaço concedido para a oposição nas discussões da Casa.

Candidatura ao Senado e Propostas 

A candidatura de André do Prado ao Senado se sustenta sobre duas bases de apoio que nem sempre convergem dentro da direita paulista. De um lado, está o governador Tarcísio de Freitas , a quem o candidato se refere publicamente como seu aliado mais próximo. Do outro, está o núcleo bolsonarista do PL, que o escolheu para a disputa com o aval direto de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está autoexilado nos Estados Unidos.

Embora compartilhem o mesmo campo político, os grupos têm estratégias diferentes. Enquanto Tarcísio busca reunir uma frente ampla de centro-direita e isolar a esquerda, o núcleo bolsonarista mantém uma atuação mais ligada à sua base ideológica e partidária.

Apesar de se apresentar como a principal opção da direita no Senado paulista, Prado enfrenta resistência dentro do próprio campo. O concorrente Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente durante o governo Bolsonaro, tem publicamente questionado sua legitimidade dentro da direita. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, o acusou de oportunismo e de falso bolsonarismo. Acusações que foram rebatidas pelo político. “Salles tem que saber que eu fui o escolhido do grupo bolsonarista…Essas pessoas vão me conhecer e saber por que o Eduardo me escolheu. O que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo… E a minha lealdade. Vou ser leal”, declarou em entrevista ao G1.

Na imagem, André do Prado e Javier Milei, presidente da Argentina
No dia 25 de julho, André do Prado se encontrou com Javier Milei durante a conferência nacional do PL [Foto: Reprodução/Instagram @andredopradosp]

Em relação às propostas, o candidato tem defendido uma agenda liberal, com redução da taxa de juros, reforma administrativa e privatização de empresas públicas, citando os Correios como exemplo — ideia que já colocou em prática ao conduzir a privatização da Sabesp na presidência da Alesp.

Já no campo institucional, defende a abertura direta de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o fim do foro privilegiado para parlamentares e uma mudança na regra de suplência do Senado, para que, em caso de vacância, assuma o segundo colocado mais votado, e não o suplente da chapa.

Duas pautas, porém, têm ganhado destaque particular em sua campanha. A primeira é a segurança no campo: em sua  propaganda eleitoral, o candidato resume sua posição na frase “São Paulo não é lugar de invasão, é lugar de quem trabalha de verdade”, associando sua candidatura à defesa da propriedade rural. Tal discurso já vinha sendo construído em encontros com o setor do agronegócio paulista, nos quais discutiu  pautas como crédito, seguro rural e segurança jurídica na área rural.

A segunda é sua posição a respeito do fim da escala de trabalho 6×1. Enquanto parte do campo conservador aborda a pauta trabalhista com mais urgência, Prado adotou um tom de cautela e disse que a matéria deveria “esperar um pouco” para que a sociedade discuta ao lado do setor produtivo, e chegou a classificar a tramitação acelerada da proposta como uma pauta “eleitoreira”.

Além disso, também mantém como bandeiras a segurança pública, a liberdade de expressão e a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, pautas que reforça de forma recorrente em suas falas de campanha.


*Esta reportagem foi produzida pela repórter Alicia Dias sob a supervisão da diretora de redação Gabriella dos Santos.

Na imagem, a régua do especial de eleições 2026 da J.press

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima