Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

DIA 05 | 28ª Bienal do Livro de SP: Literatura infantil e novas formas de interação com o livro

Editora aposta em recursos interativos para tornar os livros mais atrativos às crianças e disputar espaço com celulares e tablets
Fotografia em plano médio e iluminação natural de uma plateia variada de adultos e crianças sentados em um auditório durante uma apresentação. Em primeiro plano, no chão, duas garotinhas estão assentadas de pernas cruzadas, olham para cima com expressões de surpresa e fascínio, de bocas abertas. A menina da esquerda tem cabelos castanhos lisos com franja e veste camiseta branca e calça clara estampada com pequenas cerejas vermelhas. A menina da direita tem cabelos cacheados escuros com um enfeite de patinho amarelo no topo da cabeça, veste uma blusa branca de babados e calça jeans. Ao lado esquerdo delas, uma sacola de papel branca com alça e detalhes vermelhos está apoiada no chão. Mais à direita, em segundo plano no chão, um menino de camiseta azul e colete amarelo também observa atentamente a apresentação, segurando um objeto circular nas mãos. Atrás deles, vários adultos e outras crianças preenchem as arquibancadas com olhares curiosos e sorridentes direcionados para o palco.

Por Karl Marx Lamerinha (karl_marx@usp.br) 

A programação desta terça-feira (8) na 28ª Bienal do Livro de São Paulo destaca a literatura infantil com atividades voltadas à formação de leitores. Entre os destaques está o encontro “Cada história abre um mundo”, com Flávia Lins e Silva, Cristino Wapichana, Otávio Jr. e Henrique Rodrigues. No Espaço Infantil, a programação também reúne contações de histórias, oficinas, encontros com autores e experiências interativas para crianças e famílias. 

A presença desse público não fica restrita aos estandes. No Distrito Anhembi, complexo que recebe o evento, atividades de contação de histórias, oficinas, apresentações e experiências artísticas ocupam diferentes espaços da feira. A programação oficial da Bienal inclui um Espaço Infantil dedicado a atividades que aproximam as crianças dos livros, enquanto estandes de editoras e instituições também criam suas próprias ações para atrair a atenção dos pequenos. A edição acontece até 13 de setembro

Entre os estandes que apostam em livros interativos, sensoriais e educativos, está o da Editora Catapulta. A editora apresenta na Bienal uma seleção de títulos voltados desde a primeira infância até o público infantil e infantojuvenil. Parte das obras trabalha a leitura junto de outras atividades, como encaixar peças, levantar abas, tocar diferentes superfícies ou realizar exercícios.

Fotografia em plano médio tirada do interior de uma livraria, mostrando uma mulher e uma criança de costas enquanto observam livros em uma estante de madeira iluminada. A mulher, situada à direita, usa uma blusa de tricô furadinha na cor creme sobre uma peça de mangas compridas escura e carrega uma mochila azul-marinho nas costas. Ela está com o braço direito estendido alcançando um livro na segunda prateleira de cima para baixo. A criança, posicionada à esquerda e um pouco à frente da mulher, veste um casaco de moletom cinza claro e estende o braço esquerdo em direção à terceira prateleira. A estante possui quatro prateleiras principais repletas de livros infantis ilustrados, dispostos de frente para exibição das capas com fundos coloridos e retratos de personagens. Do lado direito e em uma mesa no canto inferior esquerdo, há outros exemplares e caixas de jogos empilhados sob a iluminação de lâmpadas embutidas no teto do móvel.
A editora trabalha com diferentes níveis de interação conforme a faixa etária, que variam de livros com estímulos táteis para bebês até atividades educativas destinadas a crianças em idade escolar [Imagem: Karl Marx Lamerinha/ Acervo pessoal]

A proposta aparece nos livros voltados aos primeiros anos de vida, como na obra Ver, Tocar, Sentir: Quem sou eu? (editora, ano de publicação) que apresenta páginas dobráveis e superfícies táteis. A criança é convidada a tocar o material e descobrir os animais representados. Já Meu Alô Sonoro – De Quem São Esses Chapéus? (editora, ano de publicação) utiliza sons para tornar a leitura uma atividade participativa.

A Catapulta também apresenta títulos voltados a crianças maiores. A coleção LEGO Pets de Mesa, por exemplo, combina livro de atividades com peças para montar animais. Alguns volumes também acompanham moldes e adesivos. A edição de O Pequeno Príncipe (editora, ano de lançamento) que utiliza peças móveis para acompanhar a história também é um dos destaques da editora. A criança retira os elementos do próprio livro e os utiliza ao longo das páginas, acompanhando a narrativa enquanto manipula os personagens e objetos. Nesse formato, a leitura acontece junto à interação física com a obra e faz com que a criança participe da construção da história. 

Fotografia em plano médio tirada de cima, mostrando um livro infantil ilustrado aberto sobre uma mesa clara, intitulado "O Pequeno Príncipe", escrito por Pablo Bernasconi. A página da esquerda possui no topo textos com informações de créditos editoriais e, na parte central, um quadro magnético retangular que simula uma paisagem desértica sob céu claro, no qual há um pequeno ímã em formato de avião posicionado do lado esquerdo. A página da direita é de tom azul-claro estrelado e traz o nome do autor e o título em destaque. Abaixo, há instruções de como brincar com os ímãs magnéticos do livro, ilustradas com exemplos de peças como um avião vermelho, a figura do Pequeno Príncipe em seu planeta e a raposa sobre o solo arenoso. Ao fundo, na parte superior da imagem, veem-se outros produtos e cadernos infantis coloridos parcialmente expostos.
Na edição interativa de O Pequeno Príncipe, as peças podem ser retiradas e reorganizadas pela criança durante a leitura, aproximando a narrativa de uma experiência de manipulação [Imagem: Karl Marx Lamerinha/ Acervo pessoal]

Os formatos variam, mas seguem a mesma lógica: o livro deixa de ser apenas um objeto que a criança folheia para se tornar também uma ferramenta de ação. Em alguns casos, a leitura é acompanhada por uma montagem, em outros, por uma descoberta, uma atividade ou um estímulo sensorial.

A estratégia não aparece apenas em um catálogo. A presença da literatura infantil na Bienal também envolve editoras que trabalham com diferentes propostas de formação de leitores. O Grupo Companhia das Letras, por exemplo, participa do evento com selos como Companhia das Letrinhas, Brinque-Book, Pequena Zahar, Escarlate e Canoa!. A programação inclui a participação da autora e ilustradora sul-coreana Suzy Lee, além de discussões relacionadas à educação e à infância.

Nesse caso, a interatividade não está necessariamente concentrada em mecanismos físicos no livro. A editora também leva para o evento discussões sobre como a literatura pode dialogar com questões presentes na vida das crianças. Entre as obras que servem de ponto de partida para a programação de educação está Floresta de perguntas (2026), de André Gravatá e Anna Cunha, publicada pela Companhia das Letrinhas. O livro aborda a relação entre infância e meio ambiente e trata de temas como queimadas, mudanças climáticas e os riscos provocados por esses fenômenos. Ainda, integra a programação da editora na Bienal e será utilizado como ponto de partida para discussões sobre emergência climática

Outro exemplo está na programação da Editora Mostarda. A editora participa da Bienal com lançamentos, encontros com autores e atividades de contação de histórias voltadas principalmente à literatura infantil, à representatividade e à inclusão. Entre os lançamentos está O Livro da Democracia, que foi escrito pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia em parceria com a jornalista Mariana Oliveira desde 2006 e é, voltado para crianças de 8 a 11 anos.

A obra aborda temas como democracia, voto e os Três Poderes por meio de perguntas, curiosidades e elementos visuais. Ele foi desenvolvido através de oficinas com crianças, que ajudaram a orientar linguagem e ilustrações, e possui uma simulação de votação em urna eletrônica associada ao projeto. 

A interação com o público infantil também aparece fora dos livros. No estande da Prefeitura de São Paulo, a programação inclui oficinas, contações de histórias, intervenções artísticas e apresentações. Uma delas é o teatro aberto que recebe crianças e famílias durante a Bienal. A atividade acontece em meio à circulação de visitantes pelo pavilhão e transforma o espaço do estande em uma área de encontro com o público infantil.

Fotografia em plano geral de um evento cultural em ambiente fechado, mostrando uma apresentação teatral sobre um pequeno palco de madeira para uma plateia sentada. À esquerda, no palco sob um painel azul da "PREFEITURA DE SÃO PAULO" ladeado por estampas de prateleiras de livros, um ator fantasiado com trajes e chapéu em tom verde-oliva encena gesticulando para o público. Ao lado dele, outra artista veste trajes claros, enquanto um músico acomodado ao fundo acompanha a performance com um teclado. À direita e em primeiro plano, diversas pessoas assistem à apresentação sentadas em cadeiras dispostas em fileiras. Ao fundo, destaca-se uma estrutura em arco com os logotipos do "FNDE", "PNLD" e "MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO", com outros estandes e visitantes transitando pela feira.
A programação infantil ocupou também as áreas de circulação da feira [Imagem: Karl Marx Lamerinha/ Acervo pessoal]

A programação da Prefeitura também inclui atividades como “Uma história conta outra”, em que crianças transformam elementos do cotidiano em produções artísticas, e o Clubinho do Livro, organizado pela Cia Caju Azul, que reúne livros, histórias e brincadeiras. Há ainda apresentações e contações que utilizam diferentes linguagens para aproximar as crianças da literatura.

No espaço da Prefeitura, a literatura aparece, portanto, fora do formato tradicional de uma criança sentada apenas para ouvir ou ler uma história. Ela pode ser acompanhada por desenho, brincadeira, teatro ou produção manual. A experiência também acontece coletivamente, com crianças acompanhadas de familiares e outras pessoas do público.

Esse tipo de atividade se repete em outros espaços. O estande do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), dedicado ao Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), possui uma arquibancada para atividades com o público e uma programação diária de contação de histórias. O local também recebe conversas com autores de obras didáticas e de literatura infantil.

A programação mostra que a presença infantil na Bienal não se limita à compra de livros. O evento também cria situações em que a criança participa diretamente da experiência. 

Fotografia em plano geral e iluminação ampla de um espaço infantil em uma feira de livros. À esquerda, em primeiro plano, uma mulher de chapéu e vestido longo florido em tons de azul, rosa e branco está em pé sobre um tapete circular vermelho, voltada para o público. Diante dela, dezenas de crianças e adultos estão acomodados em arquibancadas coloridas em formato semicircular, nas cores amarela e vermelha, dispostas sobre um piso azul-escuro. A plateia assiste atenta à atividade, com várias crianças sentadas nos degraus mais baixos. Ao fundo, sob a iluminação do pavilhão de eventos, veem-se estandes decorados, incluindo a estrutura da "PREFEITURA DE SÃO PAULO" ornamentada com estampas de prateleiras de livros e o espaço "ESP SESI".
Peças apresentadas na programação da Bienal exploraram os diferentes sentidos das crianças durante o contato com a literatura, e reuniram familiares e público de várias idades [Imagem: Reprodução/Bienal do livro SP

A diferença entre as propostas ajuda a entender como o mercado trabalha para formar leitores. Em um estande, a criança pode encontrar um livro com peças de encaixe, em outro, pode participar de uma oficina e, mais adiante, uma contação de histórias transforma o espaço em uma pequena plateia. A literatura infantil ocupa diferentes pontos da feira e assume formatos distintos conforme a idade e o objetivo de cada atividade.

Com s livros produzidos para que a criança toque, monte, abra, responda, escute ou escreva, existem editoras que apostam nos livros sensoriais para bebês.A escolha por esses formatos também acompanha uma mudança na maneira como as crianças entram em contato com diferentes conteúdos. O livro concorre hoje com outras formas de entretenimento e informação, muitas delas presentes em dispositivos digitais. As editoras, porém, não apresentam uma única resposta para essa questão. Algumas investem na materialidade do livro. Outras trabalham temas que dialogam com o cotidiano infantil. Há ainda quem aposte em atividades presenciais para fazer da leitura uma experiência coletiva.

Fotografia em plano geral e iluminação artificial de um estande moderno e bem iluminado da editora Librum e Catapulta em uma feira de livros. O estande possui estrutura de madeira com detalhes curvados e iluminação em fitas de LED amareladas. Na fachada superior, destacam-se os letreiros luminosos em amarelo com os nomes "LIBRUM" e "Catapulta". À esquerda, um painel ilustrado exibe o selo "25 anos Catapulta" acima da frase "Gente pequena, GRANDES SONHOS". No centro e ao fundo, estantes repletas de livros infantis atraem visitantes de diversas idades que transitam pelo local. Em primeiro plano, no corredor do pavilhão, um pequeno grupo de pessoas está sentado no chão descansando ao lado de malas de viagem, enquanto outros clientes observam as prateleiras e caminham pelo espaço.
A editora Catapulta também apresenta títulos dedicados a personalidades que marcaram a história e a cultura, como Anne Frank, Frida Kahlo e David Bowie, aproximando suas trajetórias do público infantil [Imagem: Karl Marx Lamerinha/ Acervo pessoal]

A própria organização da feira dedica um espaço específico ao público infantil e distribui atividades para crianças em diferentes áreas. A proposta acompanha a característica geral dessa edição, que reúne leitores, autores, educadores e famílias em uma programação que vai além da compra de livros.

Mais do que apresentar um único modelo de leitura, a Bienal expõe diferentes maneiras de aproximar as crianças dos livros. Há quem aposte na textura de uma página, nas peças de um brinquedo, no som de uma história ou na participação em uma oficina. Em comum, essas experiências colocam a criança em contato direto com o livro e com outras pessoas.

É nesse espaço entre o livro e a atividade que a literatura infantil aparece durante a feira. A leitura deixa de ser apenas uma atividade individual e passa a fazer parte da programação que as crianças encontram enquanto percorrem a Bienal que segue com sua programação até o dia 13 de setembro.

*Imagem: Reprodução/|Bienal do Livro SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima