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Eleições 2026 | Quem é o ex-oficial da Polícia Militar, Guilherme Derrite, candidato ao Senado por SP

De expulso da ROTA até secretário de Tarcísio, Derrite possui vasta carreira na Segurança Pública e propõe endurecimento de leis criminais e fim da menoridade penal
Gabriela Moraes (gabrielamoraessilva@usp.br)*

Guilherme Muraro Derrite, candidato ao Senado pelo Partido Progressista (PP), foi oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo em 2018, antes de ingressar na política. Segundo a Câmara dos Deputados, Derrite possui formação em Ciências Sociais e Segurança Pública na Academia da Polícia Militar do Barro Branco e em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul.Também possui pós-graduação em Ciências Jurídicas pela mesma instituição. 

Derrite também atuou como tenente nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) de 2010 a 2013. Entre 2015 e 2018, atuou como oficial do Corpo de Bombeiros.  O jornalismo investigativo da revista piauí encontrou arquivos que revelam que o deputado, durante seu período de trabalho na ROTA, esteve envolvido em 16 casos de homicídio. Em 2013, foi afastado por alta letalidade. 

Na imagem, Guilherme Derrite, candidato ao Senado por São Paulo
Durante seu trabalho na Secretaria de Segurança Pública em São Paulo, o deputado cancelou a punição de 50 policiais militares que estavam afastados por alta letalidade, segundo a piauí [Imagem:Reprodução/ Câmara dos Deputados]

Carreira política

Derrite foi eleito deputado federal em 2018 e reeleito em 2022. Entretanto, licenciou-se do cargo para assumir a Secretaria de Segurança Pública no estado de São Paulo em 2023, durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Reassumiu seu cargo de deputado em 2024, mas novamente licenciou-se para voltar à Secretaria de Segurança no mesmo ano. Repetindo este padrão em 2025.

Em 2025, foi escolhido para ser relator do Projeto de Lei 5582/25, proposto pela Presidência da República, conhecido como lei antifacção, segundo a Agência Senado. Para assumir a posição de relator, Derrite foi afastado do cargo de secretário. Com base nas informações do Ministério Público Militar (MPM), a lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 24 de fevereiro de 2026 e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 24 de março de 2026.

O Projeto de Lei foi proposto pelo governo após a megaoperação que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro realizada em 28 de outubro de 2025. Na época, a escolha de Derrite como relator causou desconforto na oposição. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Faria, considerou um “desrespeito” ao então presidente Lula a escolha do deputado federal para a relatoria do PL. Na ocasião, Lindbergh fez críticas ao seu trabalho na Secretaria de Segurança, marcado por “grande violência policial”, de acordo com veículos de comunicação como BBC News Brasil e Valor Econômico. 

Na imagem, policias militares
As operações policiais na Baixada Santista, em 2023 e em 2024, deixaram 56 civis mortos e Derrite afirmou que “a operação cumpriu seu objetivo”, segundo a Agência Brasil [Imagem:Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil]

O candidato já foi filiado ao Partido Liberal (PL), em 2022, sendo vice-líder na Câmara dos Deputados do governo de Jair Messias Bolsonaro (PL), isto é, auxiliava o líder principal, Major Vitor Hugo (PSL), que era responsável por defender os interesses do Poder Executivo no Poder Legislativo. Nesse período, foi responsável pelo relatório favorável ao fim das saídas temporárias dos presos, as saidinhas, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, em 2022, com base no portal da Secretaria da Segurança Pública do Governo de São Paulo. 

Como deputado, em 2026, apresentou 14 propostas legislativas, além de ser titular da Comissão da Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e da Comissão Especial sobre Maioridade Penal. A comissão analisa propostas que alteram o artigo 228 da Constituição para reduzir a maioridade penal.  

Em 2026, Derrite tornou-se vice-presidente da Comissão Especial sobre Maioridade Penal. O deputado Mendonça Filho (PL-PE) foi designado relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2015, à qual estão apensadas as PECs 8/2026 e 9/2026. 

Propostas ao Senado

O candidato oficializou sua candidatura ao Senado, em 20 de julho de 2026, na Convenção Partidária da Federação União Progressista, formada pelo Partido Progressista e União e realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em suas redes sociais, Derrite relata que seu objetivo é “endurecer as leis” criminais e “acabar com todos os benefícios que protegem os criminosos”, com o slogan “SP sem medo”. A  maior parte dos vídeos de campanha exalta sua participação como relator da Lei da Saidinha e da Lei Antifacção. O deputado também apresenta falas de defesa “ao enfrentamento de abusos dos Poder Judiciário” e afirma ter “acabado com a Cracolândia ao lado de Tarcísio”

Em agosto de 2024, circularam imagens da região que ficou conhecida como Cracolândia praticamente vazia. A operação Saúde e Dignidade, responsável pelo “esvaziamento” do local, também fechou comércios ligados ao tráfico de drogas. Entretanto, reportagens registraram posteriormente a dispersão de usuários para outras áreas do centro de São Paulo e a retomada de atividades em parte dos estabelecimentos. 

Em entrevista à Jovem Pan, afirmou que vai defender os interesses de São Paulo no Senado e que a parceria com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é essencial para este objetivo. O candidato também disse que, para melhorar a segurança pública, é necessário “alterar as leis”.

Derrite também defende a implementação da prisão perpétua no Brasil. Entretanto, a medida vai contra uma cláusula pétrea, isto é, que não pode ser alterada na Constituição. Quando questionado sobre como implementaria a medida no país, ele afirmou que realizaria uma “alteração constitucional”. O candidato também afirmou  na entrevista que apoia propostas que desejam classificar organizações do crime organizado como terroristas e que “a questão do crime organizado é o principal”.

Por fim, afirmou que é favorável à diminuição da maioridade penal. “A gente não pune adequadamente um criminoso de 16 anos de idade.” Em entrevista ao Metrópoles, o candidato relatou que, em 2015, a Câmara dos Deputados já tinha aprovado a PEC para a redução da maioridade penal e ressaltou a importância de retomar este debate.

Atualmente, a PEC 8/2026 tramita em conjunto com a PEC 32/2015 na Câmara dos Deputados. Derrite é 1º vice-presidente da comissão, enquanto Mendonça Filho é o relator das propostas.

[Imagem de capa: Lula Marques/Agência Brasil]


*Esta reportagem foi produzida pela repórter Gabriela Moraes sob a supervisão da diretora de Redação Gabriella dos Santos.

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