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De quem é a culpa por um assassinato?
Controle Remoto
24 jun 2019 | Por Adriana Teixeira (adrianateixeira@usp.br)

Chão ensanguentado, corpos imóveis, gritos distantes, sinal de intervalo entre aulas. A junção desses elementos introduzem o contexto em que se passará a nova série da Netflix chamada Areia Movediça. Baseada em um livro homônimo, conta com seis episódios de em média 40 minutos.

A protagonista Maja Norberg (Hanna Ardéhn) era uma estudante de ensino médio sueca – aparentemente – como qualquer outra, tinha amigos, ia a festas e era apaixonada por seu namorado Sebastian Fagerman (Felix Sandman). Essas informações são descobertas por nós em flashbacks de um presente não tão comum: em meio a interrogatórios policiais e dentro de uma cela, lembranças do passado vêm à tona.

 Acusada de assassinar seus colegas de sala e o namorado, a jovem tem que lidar com a solidão e condenações pela mídia, que a julga culpada antes mesmo da Justiça. A série aborda a questão de tiroteios em escolas, crimes que vêm acontecendo com frequência, como o caso de Suzano, interior do estado de São Paulo, que aconteceu em março deste ano. Mas, é preciso que as produções que tratam desse tema tenham o cuidado de não romantizar o culpado. Areia Movediça consegue mostrar ao espectador que não há nada de belo ou recompensador no assassinato.

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Durante os períodos de flashback, diversas situações problemáticas nos levam a ver Sebastian como um namorado abusivo, por exemplo, quando ele vai alcoolizado ao jantar em família no aniversário de Maja. Porém, ao mesmo tempo, despeja-se a culpa do comportamento egocêntrico do jovem ao descaso e agressividade de seu pai. Neste momento, a série simplifica a subjetividade do personagem, já que coloca toda a culpa de sua atuação em um fator externo a ele a relação com seu pai. É sempre importante lembrar que, mesmo que Sebastian possa ter sido traumatizado por seu pai, não se pode tirar dele a responsabilidade por suas ações xenofóbicas e machistas. 

 Outra discussão abordada pela série é a xenofobia. Samir Said (William Spetz), um dos colegas do casal, é um aluno exemplar e sofre com o preconceito. Sebastian, ao longo de toda a série, o ofende por sua origem e condição socioeconômica.

Já em relação à técnica, a filmagem é feita com close nos rostos – principalmente da protagonista – e o espectador é capaz de, sem falas, compreender os sentimentos das personagens. Este tipo de take só foi possível pela ótima atuação. Além disso, nas cenas do pós tiroteio, todas as cores são frias e tristes em oposição ao pré, que, mesmo imperfeito, ainda era cheio de vida.

Areia Movediça é cativante, marcada por muito drama e tensão. Nos faz querer saber qual a conclusão da trama construída pela série: Maja é culpada ou não pelo crime que foi acusada? 

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