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As Gilmore Girls estão de volta!
Controle Remoto
30 jan 2017 | Por Jornalismo Júnior

Para alguns, foram nove anos que se arrastaram como se não houvessem fim. Para outros, foram apenas alguns meses. Ainda assim, todo mundo que um dia acompanhou Lorelai e Rory Gilmore, Emily e Richard, Luke e Sookie e todos os outros personagens icônicos que povoaram Stars Hollow na série americana Gilmore Girls ficou insano com o anúncio do Netflix de que a série estaria de volta.

A partir daí, foram vários teasers, inúmeras tentativas de decifrar como estariam as garotas Gilmore após estes nove longos anos e como seria o revival, especulações sobre as quatro palavras finais, e uma corrida contra o tempo para que as pessoas pudessem rever ou assistir pela primeira vez a série de 2005. Até que, enfim, em 25 de Novembro, chegou o grande dia e Gilmore Girls: A Year in The Life estreou no catálogo da empresa de streaming!

Contando com quase todos os atores que participaram dos episódios originais e com a participação de Amy Sherman-Palladino, criadora e produtora das 6 primeiras temporadas, o revival teve quatro episódios de 90 minutos, cada um focado em uma estação específica (Inverno, Primavera, Verão e Outono, em ordem). Agradando alguns e irritando outros, os novos episódios incitaram comentários e resenhas e, para o bem ou para o mal, movimentaram fãs e imprensa a prestarem atenção em uma série sobre a qual não se falava com esse fervor há muitos anos.

Agora que quase todos já viram o revival e ouviram as quatro palavras finais, o Sala33 se propôs a falar de alguns dos melhores momentos dos quatro episódios, que deixaram um calor de nostalgia em nossos corações e nos fizeram pedir por mais das garotas Gilmore e dos demais moradores de Stars Hollow!

Quando a Emily apareceu de calças jeans

Depois de perder o marido, Richard Gilmore (Edward Hermann), Emily (Kelly Bishop) ficou devastada. Um dia, quando Lorelai (Lauren Graham) vai até a casa da mãe, ela está aplicando o método de arrumação de Marie Kondo, baseado na premissa de que tudo “que não te traz alegria” deve ser jogado fora. Assim, a matriarca Gilmore acaba jogando fora a maioria de seus , móveis e roupas, sobrando apenas um jeans e uma camiseta. Para os fãs que se acostumaram com a elegância de Emily, sempre de terninhos e vestidos bonitos, ver a personagem com roupas comuns foi um choque!

O enorme quadro de Richard na casa dos Gilmore

Ainda tentando lidar com o luto, Emily compra para a sua casa um retrato do falecido marido. Porém, acaba se confundindo, e passa para o artista as medidas erradas para o quadro. Assim, acaba com um retrato do tamanho de sua parede, chocando Lorelai e Rory (Alexis Bledel)!

Mas, como Emily é Emily, quando Lorelai pergunta se ela errou no tamanho do quadro e diz que ela pode arrumar isso, ela não dá o braço a torcer. Com a insistência da filha, Emily enfim assume que errou nas dimensões do retrato, mas não sem que ela e Lorelai discutam, em uma briga que mostra muito claramente o quão afetada Emily ficou com a morte de Richard.

Kirk sendo Kirk

Como não amar o Kirk? Desde a série original, o personagem de Sean Gunn é um dos mais adorados pelos fãs. Peculiar, engraçado e fofo, Kirk já ocupou todos os trabalhos possíveis de Stars Hollow e é aquele personagem que está em todos os lugares em todos os momentos, apenas deixando as cenas melhores.

No revival, Kirk continua sendo Kirk, e algumas cenas em que ele aparece merecem ser mencionadas. No primeiro episódio, Inverno, ele cria o Öoober, uma versão pobre do Uber, em que as pessoas “ligam para minha mãe, ela me conta, eu encontro um carro e vou buscá-los”. É um tanto bizarro, mas muito divertido, e os cidadãos de Stars Hollow compram a ideia por um tempo, até que os executivos do aplicativo original o processam.

Numa noite, Lorelai pede os serviços do Öoober para ir à casa de Emily, e lá o carro de Kirk quebra, e Berta, a empregada de Emily, o convida para jantar. Aí, outra cena ótima de Kirk acontece. Sentado na sala de jantar dos Gilmore, sem que a matriarca da família saiba quem ele é, Kirk se oferece para provar a comida misteriosa antes de todos e depois, pede permissão para jogar futebol com os filhos de Berta, deixando Emily confusa e estressada. É uma cena muito característica de quem Kirk é.

Por fim, no segundo, Primavera, ele volta a fazer um curta-metragem, o A Second Film by Kirk, apresentado na sessão de primavera do Cinema Preto, Branco e Vermelho. Nesta nova história, sua porca Petal é atropelada e ele fica arrasado. Os filmes do Kirk são sensacionais, muito característicos do personagem.

Todavia, sinto que houve Kirk demais e Sookie, Michel e Paris de menos, o que me deixa bastante chateada.

Paris Gellar volta à Chilton

Paris (Liza Weil) e Rory são convidadas para falar aos alunos da Chilton sobre suas experiências na escola. Na sua palestra, Paris é a antiga Paris que deixou os corredores de Chilton e os episódios de Gilmore Girls muito melhores, mas é também uma pessoa que cresceu muito: dura, irritadiça, forte e determinada, com suas crenças muito bem delineadas, a ponto de fazer com que sua palestra terminasse com alguns alunos chorando.

Todavia, ao sair da palestra, vê Tristin, o garoto que partiu seu coração nos seus anos de escola. Ao ficar nervosa, ela revela um outro dela, de uma garota que pode ser vulnerável, pode ter medo e pode não saber o que fazer. E está tudo bem ela ser as duas.

É como nos velhos tempos.

Lorelai em sua jornada “Wild”

Em Outono, Lorelai decide se afastar de Stars Hollow para pensar e redefinir algumas coisas em sua vida. Logo, vai à Califórnia fazer a Pacific Crest Trail, jornada do livro “Wild”, de Cheryl Strayed. Porém, impedida de começar a trilha a primeira vez por causa de uma tempestade, e na segunda vez porque não tem a permissão em mãos, Lorelai acaba indo procurar café nas proximidades do motel onde está hospedada e encontra um pequeno monte com uma vista maravilhosa.

Afetada pelo lugar, Lorelai liga para Emily para lhe contar a sua memória com Richard, que não tinha dividido com a mãe no enterro do pai. O momento em que ela fala de como Richard a levou ao cinema em um aniversário, após seu coração ser partido, e fez o dia dela muito melhor, é uma das melhores e mais bonitas interações entre Emily e Lorelai de toda a série. Mostra como a relação delas, ainda que marcada por desentendimentos, é repleta de amor e consideração, e é lindo.

O final de Emily

Emily é a grande estrela do revival. Ao longo do ano, passa pela dor inenarrável, pela raiva e pelo sentimento de não saber o que fazer da sua vida agora que seu parceiro de mais de 50 anos faleceu, chegando ao ponto de manter uma única empregada durante todo o ano, mesmo não podendo se comunicar realmente com ela, além de deixar toda a família dela morar em sua casa (É uma piada da série original o fato de Emily ter, a cada episódio, uma empregada diferente). Ela sofre, se fortalece e cresce como pessoa. E o fim de sua personagem não podia ser melhor.

Emily decide se afastar de toda a pressão social que a acompanhou em sua vida de classe alta, saindo do Daughters of American Revolution, vendendo a casa que viveu a vida toda com Richard e comprando uma nova em Nantucket, arrumando um emprego no Museu das Baleias, e, de modo geral, abraçando da melhor maneira possível sua nova situação.

Luke e Lorelai se casam

Após 7 temporadas de torcida, após 9 anos vivendo juntos, após 4 episódios de dúvidas, Luke (Scott Patterson) e Lorelai, o melhor casal de Gilmore Girls, na minha humilde opinião, se casam!

Depois de ir para a Califórnia, Lorelai percebe que quer casar com Luke e oficializar uma união que já é forte e incrível. O casal se prepara para um casamento em Novembro, na abertura do Festival da Colheita, porém uma noite antes se depara com uma revelação: sentem que já deviam ter se casado.

Assim, Rory, Michel e Sookie são as testemunhas da união de Lorelai e Luke, sob um coreto todo decorado e uma praça cheia de flores e luzes brilhantes. É o melhor que poderia ser. É lindo. E faz muito sentido para o casal.

Tudo aquilo que não mudou tanto assim…

Para quem é fã de Gilmore Girls, o revival foi um presente de fim de ano. Mesmo com alguns problemas, mesmo não trazendo algumas coisas ou pessoas que todos esperavam da maneira que deveria, mesmo terminando de maneira abrupta, o A Year in the Life teve coisas boas e trouxe para os telespectadores muito do que os fez se apaixonar pela série, seja anos atrás, seja nos últimos meses.

Podemos até torcer por mais episódios, mas mesmo se eles não acontecerem, só de ver os personagens de novo, as conversas rápidas entre Lorelai e Rory, as referências à cultura pop, as pequenas brigas de Luke, Lorelai e Rory por causa do jantar, as piadas internas, as peculiaridades de Stars Hollow e tudo o mais já valeu a pena. Foi bom, foi nostálgico.

Foi Gilmore Girls.

Por Victória Martins
victoria.rmartins19@gmail.com

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