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DCOMs: Por que tão cativantes?
CINÉFILOS
16 maio 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Bruna Nobrega
brunadanobrega@gmail.com,

Qual é o time?

Se sua resposta imediata é Wildcats, você faz parte da geração encantada pelos DCOMs (Disney Channel Original Movie), filmes produzidos pelo canal para completarem a programação sem muitos gastos no orçamento. Em agosto de 1997, foi lançado Aurora Boreal (Northern Lights, 1997), o primeiro deles.

Com personagens que vão de estudantes do ensino médio, feiticeiros, cantores, bruxas e filhos de super-vilões até garotos do futuro, robôs, detetives e duendes, os filmes da Disney seguem um modelo de enredo que cativa todo o público do canal e, às vezes, produz sucessos que vão além dele.

A sequência é simples e possível de captar assistindo só a alguns dos filmes: envolve pelo menos dois mocinhos, que podem ser amigos, irmãos ou um casal. Eles são rodeados de família e/ou colegas, mas não dão valor suficiente a eles até o início do conflito central da história. A partir daí, eles tem que lutar contra o tempo ou se tornar alguém que nunca imaginaram, passando por situações que todos os espectadores do canal adorariam viver. Adicione ao enredo um vilão mau, mas cômico, cujos erros provocam riso, e teremos um DCOM.

Operação Cupido (The Parent Trap, 1998) é um exemplo claro dessa fórmula. No longa, Hallie e Annie – as mocinhas – são irmãs gêmeas que cresceram separadas após o divórcio de seus pais, sem saber da existência uma da outra. Enquanto a primeira foi criada pelo pai na Califórnia, a outra viveu em Londres com a mãe. Prestes a completarem doze anos, as meninas são enviadas ao mesmo acampamento e acabam se conhecendo. Em um plano para juntar seus pais novamente, elas decidem trocar de lugar. Porém Nick, o pai, conhece uma mulher (que está apenas interessada em seu dinheiro, a vilã) durante o verão e está prestes a se casar. Assim elas precisam lutar contra o tempo (!) para juntar seus pais antes que o pior aconteça.

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A jovem Lindsay Lohan interpretou Hallie e Annie, no DCOM Operação Cupido. Foto: Reprodução

Operação Cupido é também um bom exemplo de que, embora a produção e o lançamento de DCOMs sejam constantes, os filmes antigos não deixam de ser exibidos no canal, quando são grandes geradores de audiência – o filme em questão foi transmitido em todos os finais de semana de abril 2016 e já está programado para passar em alguns dias de maio desse ano.

Também para alcançar maior audiência, as séries originais do canal são extremamente importantes. Elas não só fornecem as produções cinematográficas atores já conhecidos e amados pelo público, mas também seus próprios enredos são desenvolvidos para virarem grandes filmes, como Mano a Mana: o Filme (The Even Stevens Movie, 2003), Zack e Cody: o Filme (The Suite Life Movie, 2011), Boa Sorte Charlie: É Natal! (Good Luck Charlie, it’s Christmas!, 2011) e Os Feiticeiros de Waverly Place (Wizards of Waverly Place, 2009), filme que rendeu ao canal sua segunda maior audiência da história, com 11,4 milhões de espectadores na noite de estreia.

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Em 2006, três anos após o lançamento de Cheetah Girls (Cheetah Girls, 2003), filme que trouxe música e dança pela primeira vez aos DCOMs, na pele de um grupo musical formado por quatro amigas, a Walt Disney Pictures decidiu investir em musicais. Inspirado no sucesso Grease: Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978), atualizado para os anos 2000, foi criado High School Musical (High School Musical, 2006).

A história de Gabriella Montez, uma garota tímida e inteligente que se muda para a cidade de Albuquerque, Novo México, é o cerne do longa. Na nova escola, ela se enturma com os membros do Decathlon Acadêmico, mas também descobre sua paixão pela música, inspirada por Troy Bolton, o popular capitão de basquete do colégio, que conheceu nas férias que divide com ela o mesmo amor pela música. Por pertencerem a status quo diferentes dentro da escola, a relação entre eles fica complicada e ainda, sofre intervenções de seus amigos e dos seus rivais, os irmãos Ryan e Sharpay Evans.

O fato de apresentar um colégio de Ensino Médio típico americano, com os atletas populares, as cheerleaders, os membros do grupo acadêmico e os artistas, fez com que diversas crianças e adolescentes se identificassem com o filme, rendendo ao canal 7,7 milhões de espectadores em sua noite de estreia. A comoção em torno dele foi uma das maiores, senão a maior, que a Disney teve até hoje. Rendeu, além de álbuns e DVDs com milhões de cópias vendidas e uma turnê mundial, mais duas sequências e um spin off, A Fabulosa Aventura de Sharpay (Sharpay’s Fabulous Adventure, 2011).

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Baseado no grande sucesso dos filmes (High School Musical 2 teve um total de 17,2 milhões de espectadores, sendo a maior audiência de um DCOM em sua noite de estreia até hoje), a Disney decidiu continuar com as produções musicais criando filmes novos, como Camp Rock (Camp Rock, 2008) e Camp Rock 2: O Jam Final (Camp Rock: The Final Jam, 2010), Teen Beach Movie (Teen Beach Movie, 2013) e Teen Beach 2 (Teen Beach 2, 2015) e o atual, Descendentes (Descendants, 2015). Também, apostou em sucessos que, apesar de não serem musicais propriamente ditos, ainda tem a música como elemento principal. Jump In! (2007), Starstruck (2010), Lemonade Mouth (2011) e Let it Shine (2012) são alguns exemplos.

Em junho de 2016, a Disney irá lançar seu centésimo filme original. Uma Noite de Aventuras (Adventures in Babysitting, 2016) será um remake do longa de mesmo nome de 1987, que conta a história da união inusitada duas babás rivais quando uma de suas crianças foge e as leva a uma grande aventura pela cidade tentando encontrá-la. Em comemoração aos 100 filmes produzidos, a Disney Channel americana fará quatro dias de maratona a partir de 27 de maio, exibindo 51 desses filmes. Além disso, exibirá os outros 48 durante a programação normal até o dia 24 de junho, quando será a estreia do centésimo.

Os números falam por si quando se trata de revelar a comoção que estes filmes trazem aos fãs do canal. Das sete produções feitas para a televisão mais assistidas em sua noite de estreia, seis são DCOMs. Eles se relacionam com o público de uma forma que nenhum outro filme consegue, e por isso são tão assistidos. Além de tudo, trazem sempre lições como a importância da família e das amizades e constroem valores importantes para as crianças e adolescentes que assistem-nos.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Rosangela Maria da Nobrega
Muito bom mesmo Bruna. Vivi assistindo alguns.
17 maio 2016
 
Rosinei Cristina
Adorei, perfeito! Revivi cada um deles, passei por todos. Parabéns à Bruna pela linda matéria, e ao Cinéfilos pela sugestão do assunto.
17 maio 2016
 
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