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Gosto se Discute: o velho e o novo no paladar paulistano
CINÉFILOS
08 nov 2017 | Por Jornalismo Júnior

Nas ruínas do sucesso do restaurante Gusto, o chef Augusto (Cássio Gabus Mendes) enfrenta as dificuldades de manter o que já foi um dos estabelecimentos mais famosos de São Paulo, mas que agora está ultrapassado, longe do que os clientes querem e sob a ameaça de um food truck instalado do outro lado da rua. Com a chegada de Cristina (Kéfera Buchmann), funcionária do banco que toma as rédeas do negócio, Gosto se Discute (2017) traz o embate entre o antiquado e o novo.

 Cristina, logo de início, sugere uma decoração e cardápio novos. Mais jovem que Augusto e com ideias mais contemporâneas, logo traça uma rivalidade com o chef, que quer manter tudo como sempre foi, mesmo reconhecendo o desinteresse do público e a decadência do restaurante, com a ideia fixa de que é apenas um momento passageiro de modismos. Ao longo da trama, o clichê de amor e ódio floresce, sem muitas outras surpresas, com os dois protagonistas se entendendo e se apaixonando.

 A atuação de Buchmann parece forçada de início. Sua personagem é muito forte, imponente, que sabe o que quer e do que o restaurante precisa, o que causa o choque de gerações com a personagem de Mendes, que tem mais idade e se considera mais experiente, justamente pelos anos na cozinha. Cristina, já a partir do momento em que se apresenta, deixa claro que não aceita brincadeiras ou que seja subestimada, o que trouxe uma não-naturalidade da própria personagem, como se toda a imposição tivesse sido tramada e ensaiada para alguns momentos específicos, porque logo se dissolve e fica mais discreta ao longo da história, enquanto sua figura de megera, teimosa e mandona também desaparece. O restante do elenco é bom e cumpre bem cada um dos papéis, mas nada extraordinário.

O filme traz uma trilha sonora que é, muitas vezes, desnecessariamente tensa, como se a temática, que é cômica, tomasse um tom de suspense que não se encaixa no contexto geral. O filme se passa em poucas locações, praticamente uma só – o restaurante Gusto -, e, considerando o baixo orçamento para a produção do longa, foi bem trabalhado.


O final deixou a expectativa de uma possível continuação, já que a última cena mostra o rival de Augusto, Patrick (Gabriel Godoy) – o dono do
food truck -, abrindo um restaurante ao lado do Gusto. Na coletiva de imprensa, a produção não confirmou se haverá mais um filme, mas também não descartou a ideia.

 A mensagem final do longa é que o velho e o novo podem estar em harmonia, já que um não se sobrepõe ao outro. Após o embate inicial, as principais personificações do antiquado e do inovador, Augusto e Cristina, acabam aceitando as diferenças e reconhecendo o talento de cada um, sem que as ideias de um ou de outro sejam colocadas como melhores ou piores. Entre os pratos incríveis e a beleza da culinária refinada, o filme é uma comédia leve e descontraída que, mesmo entre muitos aspectos previsíveis, traz algumas surpresas e entretenimento.

Confira o trailer:

Por Julia Mancilha
juliabman@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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