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Luta de Classes — Diversidade em todas as escalas
CINÉFILOS
24 out 2019 | Por André Derviche (andrederviche@usp.br)

Já não é novidade que o cinema é uma das ferramentas mais interessantes para se abordar questões sociais. Seja por meio de metáforas, de maneira mais explícita, as múltiplas facetas da sétima arte são capazes de transmitir inúmeras mensagens. Na produção francesa Luta de Classes (La Lutte des Classes, 2019) o público pode conhecer novas realidades de maneira lúdica e divertida.

Sofia e Paul são pais de Corentin. Depois que os amigos do filho se mudam para o colégio particular da cidade, os dois terão que conciliar interesses ideológicos com o bem-estar do seu filho.

Aos mais apaixonados por História, o nome do longa provavelmente remeterá, de maneira imediata, ao conceito marxista que materializa os conflitos sociais. A escolha desse nome não foi por acaso. Muito pelo contrário, pode-se considerá-la oportuna. Por meio de um universo já bastante explorado nas telonas — como é aquele habitado por jovens — Luta de Classes não perde tempo ao explorar diversos tipos de embates sociais e culturais. Com bom humor, mas sem abrir mão de uma carga mais dramática e crítica, o filme se torna uma verdadeira viagem através da natureza política da sociedade.

A realidade escolar dá originalidade ao longa [Imagem: Reprodução]

A estrutura familiar, a participação dos pais na vida dos filhos, conflitos entre classes, religião e, até mesmo, o racismo acabam sendo pilares para o lado mais realista desta intrigante história. Apesar de, em algumas vezes, perder-se na imensidão de temas tratados, o roteiro ainda consegue dar profundidade a sua narrativa.

Para arcos complexos, quando comparados ao clima descontraído que permeia trechos do enredo, nada melhor que a competência do elenco. A consonância entre a direção de Michel Leclerc e as atuações é nítida, e se torna fundamental para a construção de personagens carismáticos. A boa execução de tais elementos da trama também está condicionada à relação que o espectador estabelece com o espetáculo. Não são raras as vezes em que o público se conecta, por identificações, com aqueles personagens.

Nesse contexto, é válido destacar a dupla Edouard Baer e Leïla Bekhti como Paul e Sofia, respectivamente. A relação entre os dois e dos dois com Corentin é pura e honesta, aproximando ainda mais o espectador da obra.

A dupla de protagonistas [Imagem: Reprodução]

À primeira vista, Luta de Classes soa como um verdadeiro paradoxo. Como abordar questões sociais tão contemporâneas e relevantes ao mesmo tempo em que trata de um mundo lúdico e desinibido? Para muitos, essa é uma dúvida que não será solucionada mesmo no rolar dos créditos. 

Ao transformar o peso em leveza, de acordo com as próprias palavras do diretor, o longa se torna uma porta intrigante para se percorrer dilemas como a desigualdade social. Certamente, o sucesso dessa tarefa passou pela dedicação de Leclerc, que aqui também atua como roteirista. Tudo é passível de se estabelecer relações. A convivência de Corentin com os novos e antigos colegas, as preocupações da mãe, o preconceito no trabalho… O longa faz questão de abranger visões plurais da realidade.

Assim, é celebrando os elementos de diversidade presentes na sociedade europeia do século 21 que Luta de Classes conquista originalidade em seu público. Apesar de se perder — mesmo que em escala mínima — no tom, ritmo e em alguns arcos do roteiro, sua narrativa é construída com uma profundidade convidativa. Há um verdadeiro estudo de personagens. Mais do que isso, um estudo, extremamente inventivo, sobre as relações sociais e suas fragilidades.

O longa chega aos cinema no dia 24 de outubro. Confira o trailer abaixo:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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