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Movimento Streetwear: Consumismo desnecessário ou apenas mais um hobby?
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08 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

O movimento Streetwear tem origem nos Estados Unidos na década de 80. Na época, a moda era baseada no que a tribo dos skatistas californianos usavam. Posteriormente o movimento foi integrando, principalmente, o Hip-Hop. Atualmente ambos os segmentos andam lado a lado, elevando ainda mais os artistas e as marcas que os patrocinam.

O vídeo que se tornou viral na internet: “Quanto custa seu Outfit?”, criado pelo canal Hyped Content Brasil, exemplifica muito bem o que é esse universo do do Streetwear: “O objetivo do vídeo é mostrar o quanto as pessoas gastam com vestuário, o que cria o inevitável debate entre quem se vestiu melhor, independentemente do valor do outfit. Tínhamos como finalidade também chamar a atenção para o segmento, trazendo o olhar para as grandes marcas, de forma que enxergassem o potencial desse mercado, a fim de que trouxessem mais lançamentos para o Brasil.”, é o que dizem os criadores do canal sobre o vídeo. Toda a polêmica criada girou em cima da pergunta: O Streetwear é um hobby como qualquer outro ou mais um movimento capitalista que leva as pessoas ao consumismo?

Para resumir, o vídeo é uma entrevista onde as pessoas falam quanto custou cada uma das peças de seu vestuário. E o que todas elas têm em comum? O alto preço: camisas e calças ultrapassam a casa dos 500 reais, tênis com valor superior a mil, relógios que custam mais de 10 mil reais. Podemos ver outfits (ou conjuntos de roupa) ultrapassam a casa dos 100 mil reais, ou até mesmo dólares, já que muitas das peças não são vendidas aqui no Brasil e como solução para isso, os adeptos dessa moda buscam importar suas roupas.

A principal inspiração para todo movimento vem dos artistas atuais: “O Streetwear é atualmente é ditado pelos trendsetters. Geralmente, os trendsetters são Rappers, designers, modelos e atletas. Os entusiastas do Streetwear costumam se interessar pelos itens que veem seus ídolos usando.” Alguns desses trendsetters, como o rapper Travis Scott, possuem roupas e marcas que levam o seu nome, dessa forma elevando o preço e a busca pelo produto. Para o pessoal da Hyped Content Brasil, a influência da mídia possui tanto um lado bom como ruim: “Não acho que seja um aspecto negativo querer se vestir como seus ídolos, isso são referências. É realizador possuir uma peça de vestuário que seu ídolo também tem. Por outro lado, algumas pessoas se deixam dominar pelo consumismo e acabar adquirindo itens de mal gosto, somente por influência da mídia, deixando seu gosto pessoal desaparecer.”

Propaganda do tênis Nike Air Force 1 Travis Scott, que tem o rapper como inspiração para seu design

Mas não é só da exposição feita pelos artistas que faz com que os produtos sejam caros. A grande maioria dessas marcas já possui um legado de muitos anos e seus consumidores são tão fiéis a ponto de fazerem filas para adquirir os lançamentos, estes são conhecidos como Hype Beasts. Muitas das marcas costumam lançar um número limitado de peças e os Hype Beasts são os responsáveis para que as mesmas esgotem em algumas horas, muitos compram mais de uma peça e as revendem por um valor mais caro, dessa forma aumentando o valor do produto e a sua procura, já que a tendência das pessoas é procurar por algo que as tornem únicas, logo quanto mais rara a peça, maior será sua procura.

Todo o hype criado pelas marcas, somado ao desejo de consumo e a idolatria por um famoso, fazem do Streetwear um movimento tão grande atualmente, levando até crianças a se tornarem adeptos. No vídeo do citado, podemos ver Gian Tancredo, que ficou conhecido como “Gordinho do Outfit”. Com apenas 12 anos, ele já é considerado um dos maiores Hype Beast do Brasil, muito disso deve-se ao seu empreendedorismo. Gian é revendedor, ele compra as roupas de fora do país, usa algumas vezes e repassa pelo mesmo valor que foi adquirida, ou então recebe uma encomenda e faz compra por outra pessoa, dessa forma elas criam uma rotatividade de suas peças.

Para a grande maioria da população brasileira, o preço das roupas é algo inimaginável, e parte das críticas aborda justamente esse ponto: se toda essa ostentação não fosse apenas uma “tiração de sarro” da cara do trabalhador, que com o salário que ganha, nunca teria dinheiro para comprar tais peças. Ao serem perguntados se o vídeo pode afetar negativamente esse público, os criadores discordam: “Pelo contrário, recebo diariamente mensagens de pessoas dizendo que somos inspiração para eles, que vão dar duro e batalhar para conseguir adquirir suas peças, como uma forma de realização pessoal.”  

De fato, a polêmica sobre a ostentação e consumismo sempre irá existir. Há aqueles que dizem que todos esses itens caros são supérfluos, e de certa forma são, mas aquilo que é inútil para um pode ser ser objeto de desejo para outro. O fato é: o ser humano gosta de viver no luxo, não necessariamente com roupas e objetos caros, mas cada pessoa tem o seu próprio, que vai ser julgado como inútil por outros. A maneira com que gastamos o nosso dinheiro sempre vai ser algo de crítica para outras pessoas.

Cada um gasta seu dinheiro com o hobby que quiser, se o nosso é vestuário, qual é o problema?

Por João Vitor Ferreira
jvitorsilva7@gmail.com

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