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“My Dear Melancholy,”, The Weeknd nunca esteve tão frágil
Escuta Aí
16 abr 2018 | Por Jornalismo Júnior

Abel Tesfaye, mais conhecido pelo nome artístico The Weeknd, personificou o retorno do R&B como um estilo de peso no topo das paradas, liderando a nova onda do gênero, que fundiu o R&B clássico com trap, rap e hip-hop. O cantor lançou de surpresa seu novo EP “My Dear Melancholy,”, carregado de mistério, drama, e como diz o merecido título, a melancolia do próprio Tesfaye.

Sucedendo o esmagador “Starboy”, o EP de 6 faixas alcançou o topo da Billboard 200 na semana do seu lançamento e conta com contribuições de Gesaffelstein, Mike Will Made It, Skrillex e Guy-Manuel de Homem-Christo (da dupla Daft Punk). O projeto revela o lado mais frágil de The Weeknd, englobando temas como amor mal correspondido, ciúmes e sofrimento, servindo de contraponto direto ao ousado antecessor. Se conspira, ainda, que o EP em sua integridade é sobre o relacionamento dramático e mal resolvido de Abel com a também cantora Selena Gomez, daí viriam os temas abordados e letras intensas sobre sofrimento amoroso.

As músicas e letras dramáticas dominam o EP completamente, quase como se Tesfaye estivesse abertamente assumindo que está sofrendo por amor pela primeira vez.

“Call Out My Name” abre o disco suavemente e logo evolui para uma batida pesada, que é acompanhada pela letra romântica e visceral. Abel canta em um tom quase desesperado e que, contrastando com o nome da faixa, faz parecer que é o próprio cantor que chama por sua amada, usando seus característicos vocais distorcidos para aumentar a intensidade da música. Logo em seguida recebemos “Try Me”, cuja letra flerta com ideias de possuir para si alguém já comprometido e as consequências disso, levando os fãs a pensar que essa seria mais uma música dedicada a Selena. Nessa faixa, uma batida no estilo clássico de The Weeknd embala vocais dramáticos com chamados carentes como “don’t you miss me, babe?”.

Em “Wasted Times”, usando uma levada que remete ao estilo do cantor Post Malone, Abel tenta se manter na figura de “pegador” estabelecida em seu álbum anterior, “Starboy”, mas se vê frágil diante seu amor perdido. A mesma linha é mantida em“Hurt You” que, a essa profundidade do EP, cansa o ouvinte e satura o mesmo tema em que Tesfaye insiste intensamente, sendo provavelmente a música mais monótona do projeto.

Em “I Was Never There”, Abel explora temas que revelam sua fragilidade, como seu próprio futuro, no qual, segundo o cantor, sua presença na história seria esquecida pelo tempo. Embalando esta primeira parte da letra em uma batida forte e melancólica, a faixa passa por um interlúdio e adentra uma segunda sessão, que continua a explorar a desilusão amorosa do cantor. O EP, então, se conclui com “Privilege”, que, infelizmente, não demonstra a força necessária para fechar o projeto, contendo um conjunto de versos repetitivos que não adicionam muito às faixas que esta sucede.

Pode-se dizer que “My Dear Melancholy,” é muito mais um projeto de Tesfaye para si próprio do que para os fãs. As músicas são intensamente pessoais e carregam um tom de drama monótono, cuja vibe é realmente difícil de acompanhar, e a presença de produtores notáveis não adiciona em praticamente nada à sonoridade do disco, praticamente não se notando que estes estavam lá, visto que toda ênfase é dada somente ao cantor. O novo projeto de The Weeknd com certeza não é um clássico, mas tem seu determinado valor na discografia do artista e adiciona ao entendimento de sua história. No futuro, talvez o EP envelheça bem e ganhe seu reconhecimento como a narração de uma grande história de amor que não deu certo. Por enquanto, infelizmente, as músicas contidas nele são apenas 6 faixas que pouco pesam próximas a projetos como “Starboy” e ainda têm de esperar para serem reconhecidas como favoritas. 

 

Por Marcus De Rosa
mesderosa@usp.com

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