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O nome dela é Gal, o sobrenome é do Brasil
Controle Remoto
17 jun 2017 | Por Jornalismo Júnior

Comemorando 50 anos da carreira de Gal Costa, a brilhante série da HBO não só homenageia a cantora, como também faz uma viagem no tempo rumo aos anos do surgimento da MPB, aos tempos difíceis do regime militar e além.

De forma linear, as várias fases e faces de sua carreira são retratadas. Desde antes da fama, passando pelo primeiro álbum, Domingo, parceria com Caetano Veloso, aos anos da Ditadura, em Divino Maravilhoso, até seu mais recente álbum, Estratosférica, lançado em 2015. Esse último momento é acompanhado de perto, literalmente, seguindo a cantora em sua turnê.

Através de entrevistas intimistas, envoltas por uma trilha sonora à altura da artista (muitas vezes interpretada por ela mesma) e um grande acervo de lindas filmagens, antigas e atuais, a série puxa o espectador por uma “janela” e o transporta para um outro plano. Assim, vida, carreira e a beleza da garota da cabeleira é exaltada, desde a mocidade até os dias de hoje.

A série documental aborda diversos momentos da vida de Gal que grande maioria do público provavelmente nunca soube. Um destes trata-se de uma divertida história sobre uma galinha, que fez parte de sua infância. Outra história peculiar é a que explica o surgimento de “Gal”. Maria da Graça era seu nome, mas após palpites de seu empresário, Gracinha tornou-se Gal.

Sem ser invasiva demais, em um dos momentos do primeiro episódio, a série aborda o conturbado relacionamento entre Gal e seu pai. Também, destaca-se a relação com a mãe, sempre mencionada com muito orgulho. Ela ainda explica que a mãe é uma das responsáveis por sua musicalidade.

Imagem: Divulgação

A origem do grupo de amigos músicos que conquistou o país a partir dos anos 60, e se tornaram grandes nomes da música brasileira, também recebem sua devida atenção. Os artistas Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil, Maria Bethânia e João Gilberto dão sua contribuição, complementando os relatos de Gal. A partir de seus depoimentos, um grande roteiro é construído, mostrando bastidores de movimentos musicais que marcaram a história do Brasil e a vida de seus protagonistas.

Ainda no primeiro episódio, uma declaração em especial deixa todos surpresos. Nos últimos minutos, uma confissão de Maria Bethânia deixa tanto ela, quanto Gal, emocionadas. Bethânia revela que há anos não falava com Gal quando foi convidada para participar da série. Por fim, agradece a oportunidade de participar desse projeto, ressaltando sua importância.

Dandara Ferreira, diretora e idealizadora da série documental, explicou em coletiva quais eram seus objetivos. De acordo com ela, o foco principal era a carreira de Gal, que nunca foi retratada de forma íntegra. Sabendo que Gal não é de muitas palavras (imagem que é desconstruída ao longo dos episódios), Dandara afirmou que o respeito à artista era primordial. Em nenhum momento, invadir a vida pessoal da cantora foi a intenção.

A série estreou dia 11 de Junho, na HBO e será transmitida às 22:00 aos domingos. De acordo com Maria Angela de Jesus, vice-presidente de produções originais da HBO na América Latina, a transmissão ocorrerá também em outros 24 países devido a grande repercussão da cantora. Alguém ainda duvida do sucesso?

Aos amantes da Música Popular Brasileira, e até mesmo aos que não são tão entendidos (como este que vos escreve) O nome dela é Gal é um prato cheio para horas de deslumbre e contemplamento. Nossa cultura é devidamente enaltecida e essa grande cantora mostra para que veio: orgulhar “Ó Brasil, do amor, terra de Nosso Senhor”.

 

Gabriel Bastos
gabriel.bastos@usp.br

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