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“O Pescoço da Girafa”: biologia na literatura moderna
Na Estante
11 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

Imagem de destaque:  Laila Mouallem/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

O livro “O Pescoço da Girafa” (Alfaguara, 2016) da autora alemã Judith Schalansky conta uma história não muito conveniente sobre envelhecimento, ambiente escolar e relações humanas. Inge Lohmark, professora do colégio Charles Darwin, mora na Alemanha Ocidental e vê seu mundo se desfazer dia após dia. Ainda que entenda muito sobre a evolução das espécies, ela não parece ser capaz de se adaptar ao novo ambiente que surge a sua volta conforme o tempo passa. Inge se desentende com os colegas de trabalho, não mantém relações de amizade com alunos e tem uma relação distante com a filha e com o marido.

A história é narrada pela professora, que se apoia em conceitos da biologia moderna para explicar como se dão as relações humanas no ambiente escolar e no âmbito familiar. No topo das páginas ímpares do livro está grifado o conceito abordado naquele trecho da narração. A diagramação composta também por tabelas e desenhos ligados à fauna e a à flora é o ponto alto do livro. A narração, hora feita de maneira pausada, hora feita num fluxo de consciência acelerado, deixa de lado descrições que enriqueceriam a experiência do leitor.

Pouco sabemos sobre a família de Lohmark em termos descritivos, ou sobre a sua casa. Ainda que isso possa ser uma opção da autora, se debruçar sobre um novo tipo de narrativa, informações sobre o ambiente habitado pela professora fazem falta. Mas, para quem gosta de longos trechos reflexivos e acelerados, o livro é uma boa pedida. Inge é extremamente crítica e fria durante quase toda a narrativa, tecendo comentários sobre seus alunos e colegas de trabalho com um ar de superioridade. A autora e os leitores sabem que Inge não é esse monte de frieza que expressa, mas em alguns momentos isso é colocado em dúvida.

Não é uma surpresa a diagramação ser o ponto alto do livro, levando em consideração que Judith Schalansky recebeu diversos prêmios de design por outros trabalhos, como o livro “Frnktur Mon Amour”. Os desenhos, muito melhores do que aqueles que encontramos em livros de biologia, deixam a leitura mais interessante nos momentos que Inge Lohmark quase congela o leitor com a sua frieza e comportamento racional.

Nem tão bom, nem tão ruim, “O Pescoço da Girafa” tem passagens interessantes e um projeto gráfico que se destaca pela sutileza. A narração não entrou para as minhas favoritas, mas não tinha lido escritores como Judith Schalansky até agora. O fluxo de consciência acelerado é diferente dos encontrados na literatura brasileira e pode agradar ao que procuram algo inusitado pra ler.

Por Natália Belizario
nabelizarios@gmail.com

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