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O Rei Leão: A História por trás do Enredo
CINÉFILOS
10 dez 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros
mabi.barros.s@gmail.com

A ideia inicial para O Rei Leão (The Lion King, 1994) veio de Jeffrey Katzenberg, então presidente da The Walt Disney Studios, em uma conversa com Peter Schneider, o vice-presidente, e Roy Disney, durante a campanha de divulgação do filme Oliver e Sua Turma (Oliver & Company, 1988). A proposta era construir um enredo ambientado na África, explorando os aspectos naturais e culturais do continente.

A princípio, os diretores da animação eram George Scribner, de Oliver e Sua Turma, e Roger Allers, de A Bela e a Fera  (Beauty and the Beast, 1991). Junto com a equipe de produção, eles viajaram ao Quênia em 1991, de onde extraíram não só as influências africanas para a produção, mas também o cerne ideológico do filme, a questão do Circulo da Vida. Fotos tiradas nesta viagem foram usadas como base para a criação dos cenários, bem como os animais encontrados nela inspiraram, mais tarde, os personagens. Lá eles aprenderam o lema suaíle “Hakuna Matata”. O foco da produção passou a ser transmitir ao público as impressões e sentimentos da viagem.

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Apesar do incrível projeto de filme, nem tudo fluiu sempre bem. Concomitante à produção de Rei Leão, estava Pocahontas (Pocahontas, 1995), um acreditado sucesso. A história de amor entre a índia americana e um britânico, com fumaças de Romeu e Julieta e West Side Story atraiu a maioria dos nomes consagrados da Disney, deixando Rei Leão como um plano B, uma experiência para a produtora. Todavia, foi a chance de exaltarem novos talentos, compondo a equipe com pessoas apaixonadas pela ideia do filme protagonizado por leões , como Chris Sanders (Lilo&Stich, Como Treinar o Seu Dragão), o que trouxe bastante conexão àquela.

Scribner e Allers nutriam grande carinho um pelo outro, mas divergiam quanto ao rumo que o filme deveria tomar. O primeiro defendia a uma produção inspirada em documentários da National Geographic, ressaltando os aspectos naturais da Africa. Já o segundo, teve a ideia de transformar o filme em um musical, convidando Tim Rice e Elton John para compor a trilha sonora do filme. No final, Scribner acabou abandonando o projeto, sendo substituído por Rob Minkoff.

O enredo passou por um reestruturação. Os diretores, junto ao produtor Don Hahn e à supervisora de roteiro Brenda Chapman, levaram duas semanas para reescrever a história. Foi neste momento que surgiu o título “O Rei Leão”. Por estarem trabalhando no campo dos arquétipos de Joseph Campbell, os produtores perceberam certos pontos de tangência da animação com outras histórias, como a de Moisés da Bíblia cristã, do filme Bambi (1942, Bambi), da própria The Walt Disney Studios, e, talvez da mais expressiva, a peça Hamlet, de William Shakespeare.

Originalmente, Scar não era irmão de Mufasa. Durante as mudanças no roteiro, porém, a produção achou que seria mais interessante se o conflito fosse no âmbito familiar. Foi quando perceberam o paralelo com Hamlet: o drama do príncipe que teve o pai assassinado pelo tio, a fim de subir ao trono, muito se assemelha com a relação do trio Simba-Mufasa-Scar. A partir de então, os ecos shakesperianos passaram a ser algo consciente no roteiro.

A conexão com Hamlet desafiou os cineastas a reexaminar a jornada interna de Simba. “Nós decidimos que deveria ter uma cena do ‘ser ou não ser’, foi a última criada para o filme” diz o diretor Rob Minkoff. “Depois que Mufasa visita Simba, ele é deixado se perguntando o que fazer. Esse literalmente se tornou nosso momento ‘ser ou não ser’. Tudo depois disso se tornou sobre ser tão bom quanto essa cena”.

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O produtor do longa, Don Hahn, ressalta também o pioneirismo da Disney ao fazer uma animação baseada em uma obra do escritor inglês “Isso deu mais consistência dramática ao filme, e o aproximou também do público adulto (sempre em busca de mais bilheteria, claro). Ele foi um dos filmes que contribuiu para eliminar (pelo menos em parte) o preconceito do grande público de que animação é só para o público infantil”.

Como já dito, a trilha sonora ficou a cargo de Tim Rice e Elton John. Juntos, eles compuseram músicas como “Circle of Life” e “Can You Feel The Love Tonight”. Hans Zimmer, no entento, foi quem propiciou o elemento nativo para as canções. Sob sua indicação, o músico sul-africano Lebo M que trabalhava como manobrista em Los Angeles, regeu um coral africano junto às músicas já escritas. É a voz dele que ouvimos na sequência de abertura do filme, recitando o cântico “Nants ingonyama bagithi Baba Sithi uhm ingonyama” (aí vem um leão, meu pai, sim é um leão).

Originalmente, a cena inicial de Rei Leão seria um pesado diálogo entre Zazu e Mufasa, mas quando os produtores ouviram a versão com Lebo M de “Circle of Life”, eles imediatamente a colocaram como abertura da animação.

À medida que a produção do filme avançava, os animadores perceberam que não trabalhavam com personagens de quatro patas há anos. Foram trazidos, então, leões de verdade para o estúdio, a fim de terem não só sua anatomia estudada pelos artistas, mas também a relação entre eles no “Círculo da Vida”. Por exemplo, eles notaram que quando um leão menor vê um maior, ele abaixa as orelhas, detalhes foram passados para o filme. Ainda, os animadores viajavam para o Zoológico de Los Angeles quase semanalmente para estudar os pontos de locomoção de javalis ou a anatomia de suricatos.

Uma das cenas icônicas do filme, a manada de Gnus que mata Mufasa, demorou cerca de três anos para ficar pronta. Embora não passe de 6 minutos, o departamento de animação desenvolveu um programa inovador que pudesse representar essa sequência, pois precisavam conseguir fazer com que os animais não ficassem sobrepostos enquanto corriam.

Já na fase final da produção de Rei Leão, Los Angeles foi acometida por um terremoto. Os estúdios da Disney ficaram inacessíveis, e o trabalho sobre o filme continuou em garagens no sul da Califórnia. Alguns meses depois, eles puderam voltar ao estúdio e terminar o trabalho de animação e coloração do filme.

O Rei Leão foi lançado em 15 de Junho de 1994. Ele saiu de cartaz com a maior bilheteria daquele ano, e a segunda maior de todos os tempos. Hoje, é classificado como a terceira animação mais rentável, atrás apenas de Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen, 2013) e Toy Story 3 (Toy Story 3, 2010). Em 1995, teve três de suas canções indicadas a categoria Melhor Canção Original do Oscar, Circle of Life, Hakuna Matata, e Can You Feel The Love Tonght, e levou a estatueta pela última. Foi ganhador também da categoria Melhor Trilha Sonora Original.

O sucesso estupendo de Rei Leão rendeu duas franquias O Rei Leão II: O Reino de Simba (The Lion King II: Simba’s Pride, 1998) e O Rei Leão 3: Hakuna Matata (The Lion King I e II, 2004 ), além de um musical na Broadway, que está em cartaz desde 1997.

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