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Outros Tempos: Jovens – O documentário que envolve tanto quanto a ficção
Controle Remoto
24 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Divulgação / Prodigo Films

Produzida em parceria pela HBO e a Prodigo Films, Outros Tempos: Jovens é a segunda temporada da série documental Outros Tempos. A primeira, lançada em 2017, se chama Outros Tempos: Velhos. A série tem como intenção discorrer sobre grandes temáticas da época referente, trazendo a perspectiva daqueles que a viveram ou vivem. O intuito documental desta produção é tratar de assuntos que, mesmo muito presentes no cotidiano da juventude, não têm sido mostrados a partir de uma perspectiva mais profunda, aspecto que o gênero documentário propicia.

Esta temporada é composta por oito episódios, cada um dirigido por alguém diferente e com uma temática única. O primeiro se chama “Digital Dating”, tematizando o amor e sexo virtuais, proporcionados pelos aplicativos de relacionamento. Nele, cinco jovens brasileiros se expressam de forma bastante íntima, contando sua relação com os aplicativos e com as pessoas que conhecem por meio deles. Suas histórias são intercaladas de tal forma que, em cada parte do episódio, os temas são os mesmos, com a riqueza de mostrar perspectivas diferentes. Com falas em tom informal, cada depoimento parece um desabafo, gerando a sensação de cumplicidade. Os próximos sete capítulos têm como temas, respectivamente: Feminismo, Identidade, Política e Ativismo, Suicídio, Sucesso, Repúblicas e Casamento.

Um fator interessante sobre a série é que, por mais que a realização da pesquisa científica tenha sido uma constante durante a produção, nos episódios, não aparece a fala dos especialistas. Essa foi uma escolha dos diretores, que resolveram colocar as informações que gostariam de passar a partir dos próprios personagens. Ao trazer o foco para as pessoas entrevistadas e não para o conteúdo, a série ganha um tom intimista e reflexivo, levando o conhecimento sem se tornar maçante. Ao mesmo tempo, cria um sentimento de forte interação e identificação entre o espectador e os falantes ali presentes.

“É uma série de personagens”, disseram os produtores Giuliano Cedroni e Beto Gauss durante  coletiva de imprensa. Dessa forma, um dos pilares da produção foi a entrevista. Realizada sempre com o acompanhamento psicológico dos entrevistados, mostrando grande responsabilidade social por parte do canal, auxiliou na escolha dos temas e de quais histórias seriam realmente contadas. Os consultados foram jovens de idades entre 15 a 29 anos, faixa etária sobre a qual a série busca falar.

Quando questionados sobre a escolha de fazer uma série em estilo documental, os produtores responderam que essa era uma maneira de trazer relevância ao tema. São muitas as produções que tematizam a juventude, mas fazê-lo de forma documental e, portanto, arcando com a responsabilidade que surge com o aprofundamento nas temáticas, ainda é uma novidade. Eles também afirmam que houve preocupação em fazer um seriado com unidade e que, mesmo possuindo oito diretores diferentes, não se resumisse a oito documentários. Dessa forma, a série tem sua personalidade e estilos próprios.

Outra questão que atesta a responsabilidade social do seriado é seu compromisso de retratar as parcelas mais diversas da população. Com um episódio, inclusive, dedicado ao tema identitário, a HBO e a Prodigo Films assumem a necessidade de falar de tão presentes e importantes, não só para os jovens, como para pessoas de todas as faixas etárias. No episódio Digital Dating, a sexualidade é tratada com naturalidade – como deveria ser – sendo que as abordagens, em toda a série, aos indivíduos de diferentes orientações sexuais são feitas de forma semelhante, enfatizando que tal assunto nada deveria ter de polêmico ou tabu, sendo a sexualidade uma simples expressão da natureza humana.

Assim, Outros Tempos:Jovens, que estreia no canal MAX no dia 24 de maio às 23h, é uma série que vale a pena ser assistida. O primeiro episódio foi de um teor muito expressivo, retratando a juventude ao falar do tema escolhido de forma tocante e válida. É impossível não se identificar com algum dos entrevistados, seja por pontos positivos ou negativos. Os olhares diretos para a câmera, a fotografia artística, a sonografia perfeitamente encaixada e a expressividade dos personagens são alguns dos fatores que se destacam na produção, transformando cada história em parte da realidade de quem a escuta. Capaz de transportar o espectador para dentro da trama, a série promove todo o envolvimento da ficção, com a vantagem de ser totalmente real.

Por Laura Scofield
lauradscofield@yahoo.com.br

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