Home Na Estante Quatro livros (e um autor) que deixaram sua marca na ficção científica
Quatro livros (e um autor) que deixaram sua marca na ficção científica
Na Estante
22 jan 2016 | Por Jornalismo Júnior

Robôs, naves espaciais, experiências genéticas e mais… Ainda que o domínio da ciência esteja longe de pertencer completamente ao ser humano, isso não nos impede de sonhar e povoar nosso imaginário com histórias fantásticas de ficção científica. Reunidos nesta lista estão cinco dos mais marcantes livros e autores desse gênero na literatura mundial.

Frankestein (1818), de Mary Shelley

Considerado por muitos a primeira obra de ficção científica da história, o livro foi escrito pela autora quando estava em seus 19 anos, e acabou revolucionando o gênero horror e servindo de inspiração para inúmeras adaptações cinematográficas, que continuam sendo filmadas até os dias de hoje. A história do estudante de ciências naturais que desafia a morte e da comovente condição de sua criatura rendeu elogios de figuras como Lorde Byron, amigo pessoal de Shelley, e Stephen King, que inclusive lançou, em 2014, Revival, novela na qual faz referência às experiências de Victor Frankestein com seu personagem Charles Jacob. Nada mal para uma garota adolescente em pleno século XIX, não?

O Planeta dos Macacos (1963), de Pierre Boulle

Sim, existiu um livro prévio ao filme, mas o imortalizado final do cinema não teve suas origens na mente de Pierre Boulle. Pelo contrário, Boulle termina seu livro com duas revelações construídas de modo bem diferente, mas que com certeza causam a mesma reviravolta no estômago do leitor (sem spoilers!). Entre naves espaciais e planetas desconhecidos, a obra carrega em forma de distopia uma dura mensagem e crítica social: será que o fato de possuírmos uma inteligência mais avançada nos dá o direito de agirmos como superiores em relação aos outros seres? Talvez um pouco obscurecido pela sua ausência física nas prateleiras, o livro ganhou uma nova chance de se popularizar no Brasil com o lançamento de uma nova edição pela editora Aleph, em 2015.

Ilustração de um crânio com traços humanos e símios, encontrada na edição de 2015 da obra pela editora Aleph. (Fonte: divulgação)

Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley

O espaço desse livro toma forma em uma sociedade futurista, porém a versão de futuro que encontramos olha para o progresso científico sob uma luz nada positiva. O desenvolvimento da genética resultou em uma nova hierarquia social, as crianças nascem de tubos de ensaio e passam a infância sob condicionamento laboratorial e, privados dos sentimentos de afeição entre pais, mães, filhos e amantes, os habitantes da cidade mantém sua satisfação elevada através do uso constante da droga soma, provida pelo governo. Ou assim são as coisas, até que um “selvagem”, personagem com quem as pessoas da nossa sociedade mais se identificariam, chega trazendo vários de seus conceitos “obsoletos” à cidade. Com uma clara crítica à visão iluminista do progresso da época, o mundo de Huxley fornece provas de sua atualidade ao observamos sua presença e diversas referências da cultura pop, dentre elas as músicas Admirável Gado Novo e Admirável Chip Novo, para citar as nacionais.

O Homem Invisível (1897), de H. G. Wells

O que você faria se pudesse tornar-se invisível, e agir longe do olhar de julgamento da sociedade, mesmo que bem na frente de seus olhos? Com certeza, essa pergunta já passou pela mente de muitos, mas ela recebe uma resposta no livro de H. G. Wells. Autor também de A Ilha do Dr. Moreau e A Máquina do Tempo, Wells não traz em sua obra grandes questionamentos filosóficos, mas coloca em reflexão os prós e contras da curiosidade humana a partir do momento em que seu personagem, Griffin, se utiliza de sua recém-adquirida invisibilidade para agir de forma maligna. Grande parte da história se edifica no mistério da verdade identidade de Griffin e de suas intenções.

O misterioso rosto enfaixado do personagem de H. G. Wells também foi fonte de inspiração para a criação de diversos super-heróis e produções cinematográficas. (Fonte: divulgação)

Júlio Verne

E como falar de ficção científica sem comentar sobre o francês Jules Verne, mais conhecido pelos brasileiros como Júlio Verne? Se Mary Shelley foi a escritora do primeiro livro do gênero, Vernes foi quem o solidificou. Com mais de 70 livros escritos e, segundo a UNESCO, 148 traduções diferentes, o escritor deu vida a diversas invenções e até conseguiu prever o surgimento de algumas, como viagens espacias e os submarinos. Seguindo a grande fórmula de sucesso de sua primeira obra, Cinco Semanas em um Balão (1863), Verne tornou-se mundialmente conhecido por suas histórias de cunho extraordinário e aventureiro. Seus livros também ganharam algumas adaptações cinematográficas, incluindo Viagem ao Centro da Terra (1864), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870), Da Terra à Lua (1865) e o próprio Cinco Semanas em um Balão.

Le Voyage dans la Lune, primeiro filme de ficção científica produzido no mundo, por George Méliès, foi inspirado no livro homônimo de Júlio Verne. (Fonte: divulgação)

Por Laís Ribeiro

la.ribeiro97@gmail.com

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