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Quem são “Mamelungos” – a inexatidão de estilo resulta numa banda diferenciada
Escuta Aí
27 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Bruno Guerra / Divulgação

Por César Costa (cesar.o.costa98@gmail.com)

Mamelungos, mistura de “Mamulengo”, “Mamuleco” e “Malungo”, uma representação de miscigenação, diversidade e, claramente, brasilidade. Talvez o termo mais próximo de sintetizar o som desta banda é mesmo seu próprio nome. Sem nenhum exagero, é nítida a singularidade que cada canção tem, e as atmosferas diferenciadas que produz. Elas percorrem ritmos densos, outros mais dançantes e uma boa parte bastante intensos.

Formada em 2009, o conjunto teve algumas mudanças antes de chegar na formação atual. Luccas Maia, Weré Lima, Thiago Hoover e Peu Lima, os atuais integrantes, se conheciam antes da formação da banda: “a gente tocava junto na noite lá em Recife e fazia parte de vários projetos separados.” disse Peu, baterista da Mamelungos que concedeu entrevista ao Sala33 (e você confere alguns trechos ao longo da matéria).

Ele fala que Weré, Luccas e Igor Bruno tiveram a ideia de fazer a Mamelungos. Eles se juntaram e fizeram um show experimental no Quintal do Lima, no Recife. “Alguns meses depois acharam que o formato não ficou tão legal quanto eles queriam. Chamaram eu e Thiago  e terminou que a Maraca autoral virou a Mamelungos. A gente chamou Igor Bruno e ele ficou.”

Um dos empurrões para a banda começar de fato foi um projeto social. À beira do rio Capibaribe, em Recife, existe o bar “Capibar”, que além de um estabelecimento comum, também funciona como ONG e cria iniciativas beneficentes. Num deles, Música na beira do rio, a Mamelungos participou em conjunto. O sucesso foi tamanho que chegaram a tocar em 13 sextas-feiras praticamente seguidas.

“Graças a esse projeto a gente conseguiu criar uma base de fãs, de uma galera que a gente não conhecia, mas que gostou do show e foi gostando da música, dando apoio.” afirmou o baterista. Depois disso, foi a vez de gravar o primeiro disco.

Mamelungos (2010)

Imagem: Capa do álbum / Reprodução

Antes da primeira gravação, a banda foi convidada para participar do programa Oi Novo Som. A experiência serviu como uma pré-produção do disco. A gravação mesmo de Mamelungos veio com uma parceria da banda com o estúdio Carranca e de dinheiro advindo dos próprios músicos do conjunto.

O primeiro álbum, intitulado com o mesmo nome da banda, logo de cara já demonstra um diferencial da banda: a pluralidade. Peu comenta que o fato de serem quatro cantores, sem um band-leader, fez com que se sobressaissem as vontades de todos nas composições.

“Eu escutei muito Rock e MPB por causa dos meus pais, Luccas também em relação ao MPB, Weré veio mais do samba, Thiago gosta de Rock e é mais metaleiro, Igor Bruno gosta de MPB e coisas eletrônicas. A banda é a mistura disso tudo que a gente ouviu.”

Peu ainda comenta do privilégio dos integrantes terem nascido em Pernambuco. Tratou o lugar como rico em produção cultural e ainda citou as influências dos gêneros coco, frevo, maracatu, tradicionais da cultura pernambucana.

O grande sucesso desse primeiro disco foi Pedaço. A música de início calmo segue uma crescente atmosfera até seu final. O lindo sotaque recifense de Luccas marca as origens da banda nas mais de 160 mil reproduções da canção no Spotify.

Esse é o nosso mundo (2016)

Imagem: Capa do álbum / Reprodução

Amadurecimento. Essa é a palavra-chave das transformações sofridas tanto na vida pessoal quanto musicalmente na Mamelungos. Peu conta que cada um teve seu momento, até que se mudaram para São Paulo. “Vamos tentar colocar as coisas pra frente por lá. Aqui em Recife a gente já conseguiu muita coisa”.

Definido por Lula Queiroga como “desfile de boas surpresas”, além dos elementos conhecidos da banda como o quarteto de vocalistas e a diversificação de estilos, o refinamento feito nos arranjos junto com outras participações especiais trazidas encorpou ainda mais o excelente som.

Esse é o nosso mundo ainda contou com a participação especial na produção musical. China, conhecido pelos seus tempos de apresentador televisivo em diversos programas e festivais de música, foi o responsável por conduzir boa parte do processo. “Foi um lance diferente mesmo. É importante ter o olho de fora e confiar nele pra fazer direito. A gente acertou uma coisa e ele deu muito mais. Ele vestiu a camisa.”

O segundo disco chegou a custar dez vezes mais que o primeiro e só foi possível sua existência graças ao financiamento coletivo. Esse acontecimento reforça um sentimento da banda: “tem muito coração envolvido na nossa história não só nosso. A gente fala que Mamelungos é um estilo de vida. Não é nem a banda, é uma coisa maior.” definiu Peu.

Como é o dia a dia

No processo de composição não há uma rotina. Eles variam bastante. No geral, um dos integrantes mostra um esboço de música pronta e cada um coloca suas subjetividades nela. “Como somos quatro, a gente vai polindo a música até que chegue num resultado que agrade a todos.”

Da esquerda para direita: Weré Lima, Luccas Maia, Peu Lima e Thiago Hoover. Imagem: Bruno Guerra / Divulgação

Só uma música que foi composta por todos integrante: La Lune, primeira faixa do segundo álbum. “A gente achou que ela foi resultado daquele momento de pré-produção e ainda não tinha tido aquele momento da música composta por todo mundo”. Eles ainda dizem sentir falta de mais momentos como esses. Confira o resultado:

(Mamelungos ao vivo na Oficina Cabrón)

Além da Mamelungos

A banda ainda conta com um projeto externo conhecido como Besta é tu. Trata-se de um tributo aos Novos Baianos em parceria com Vanessa Oliveira, produtora executiva. Com este conjunto, apresentaram na Festival MPB junto de diversos artistas renomados como Gilberto Gil, Marisa Monte, Nação Zumbi, Seu Jorge, Caetano Veloso, Ana Carolina e Lenine. “Foi uma surpresa e a gente ficou orgulhoso por isso”, finalizou Peu.

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