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Radiohead alucina espectadores em São Paulo
Escuta Aí
26 abr 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Reprodução / Celso Tavares / G1

O último domingo (22) foi de intensidade para os apreciadores de Radiohead: os britânicos desembarcaram em terras brasileiras com uma apresentação marcada pela imponência visual e sonora.

O show era a atração principal do Soundhearts Festival, que trouxe diferentes compositores e produtores do cenário alternativo ao longo da tarde de domingo. Poucos minutos depois das 20h, Daydreaming já ecoava pelas arquibancadas do estádio. A faixa faz parte do projeto mais recente da banda, “A Moon Shaped Pool” (2016), no qual o show está inspirado e gira ao redor de. A apresentação foi uma mistura das muitas sonoridades exploradas pelo grupo em sua trajetória de três décadas, mas parecia juntar todas as peças para criar um conceito único com ritmo e clima coerentes.

Radiohead é o tipo de banda que pode, subitamente, ir de uma atmosfera pesada e agitada para a delicadeza e fazer com que essa transição seja executada da forma mais natural possível. O show seguiu um certo padrão, as músicas eram apresentadas com uma leve pausa entre si, que era marcada pela iluminação a um ponto central no topo do palco (e que por sua vez era redirecionada em vários holofotes que davam efeito de prisma) algo que se repetiu em todos os intervalos.

A comunicação entre a banda e a plateia não foi definida pela troca de diálogos (Thom Yorke, já sabidamente tímido, se limitou a agradecer diversas vezes os gritos do público), mas pela troca de energia. Ao mesmo tempo, as projeções eram um ponto essencial da apresentação, e talvez a verdadeira forma de comunicação do grupo com seus espectadores: a transmissão do show pelos telões não era apenas limitada a mostrar imagens da guitarra de Jonny ou dos vocais de Yorke. Compunha-se como uma mistura psicodélica com a estética que tem marcado a banda nos últimos anos (um certo imaginário amorfo vibrante).

Em algumas músicas, as câmeras focavam apenas em algum aspecto, como o momento em que a projeção da tela era, na verdade, um close-up ao vivo do olho do cantor enquanto entoava as notas. Os fãs recepcionaram muito bem todas as iniciativas trazidas pelos elementos do show, desde a setlist até a estética visual. Parecia que tudo era muito bem estruturado e, ao mesmo tempo, compunha-se de forma orgânica com todos os aspectos se complementando.

Imagem: Reprodução / Twitter

As cores tiveram um destaque em todos os contextos do espetáculo, seja na iluminação potente e por vezes intensíssima e epiléptica, ou nas imagens sequenciais mostradas nos telões. Eram círculos, linhas, mescla do que pareciam líquidos vibrantes ou alguma constelação espacial. Davam abertura para um imaginário vasto complementado pelas melodias expansivas e ricas que já são a marca da banda.

O laranja claro de Nude — e das músicas que a seguiram — parecia transmitir como seria a sonoridade se ela emitisse algum tipo de representação visual, ao mesmo tempo em que o violeta parecia irradiar diretamente dos sintetizadores de Everything In Its Right Place.

Houve bastante foco em temas dos álbuns “OK Computer” (1997), “In Rainbows” (2007) e o mais recente. As faixas dos primeiros recebiam bastante responsividade do público envolvido (exemplificado pela adrenalina advinda de 15 Step, por exemplo). Ao contrário do show do Rio, os paulistas puderam presenciar uma das músicas mais conhecidas da banda mas que está entre os álbuns mais antigos Fake Plastic Trees. Foi o momento final da apresentação, que encerrou uma extensa jornada pela discografia de uma banda consagrada que demonstra, até hoje, sua consistência em termos de elaboração.

Imagem: Reprodução / Celso Tavares/ G1

Por Daniel Medina
danieltmedina@gmail.com

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