Home Lançamentos Rocketman: uma homenagem à altura do glamour de Elton John
Rocketman: uma homenagem à altura do glamour de Elton John
CINÉFILOS
30 maio 2019 | Por Maria Luísa Bassan (malugomesdesa@hotmail.com)

Um macacão laranja com chamas, grandes asas vermelhas, um chapéu com chifres brilhantes e um óculos de coração. É assim que Elton John (Taron Egerton) é apresentado em Rocketman (2019). O astro do rock parece estar caminhando para o que seria mais uma de suas performances extravagantes, mas o destino é muito diferente: Elton se prepara para participar de sua primeira sessão de terapia em grupo, em uma clínica de reabilitação.

Rocketman não é o primeiro grande filme biográfico sobre um artista a ser feito nos últimos anos. Em 2018, foi lançado Bohemian Rapsody (2018), que conta a história do Freddie Mercury, vocalista e frontman da banda inglesa Queen. Sucesso de bilheteria e vencedor de quatro Oscars, o longa alimentou nos fãs de rock dos anos 1970 o hype para mais filmes que fizessem jus à carreira de seus ídolos ー missão cumprida com maestria por Rocketman.

A partir da cena inicial, Elton John começa a compartilhar sua história entre os demais presentes na sessão de terapia. Como uma lembrança, ele se vê criança e o primeiro número musical, The Bitch Is Back, começa. O pequeno Reginald Dwight (nome verdadeiro do Elton John), interpretado por Matthew Illesley, é então apresentado ao público como uma criança tímida que deseja a atenção e amor do pai Stanley (Steven Mackintosh), mas não é correspondido. Sua mãe Sheila (Bryce Dallas Howard) também sofre com a falta de amor por parte do marido, e a avó Ivy (Gemma Jones) parece ser a única pessoa que sabe lidar com Reggie sem diminuí-lo.

Ainda novo, Reggie descobre o talento para a música, mais especificamente como pianista. A cena em que ele visita a Royal Academy of Music com o objetivo de tentar uma bolsa de estudos, e toca perfeitamente a música performada pela professora minutos antes, já evidencia a ligação entre Reggie e a música, como se ela sempre tivesse existido dentro dele. Depois do divórcio dos pais, tocar piano mostrou-se como um dos poucos motivos de plena felicidade para o garoto. A relação familiar é apresentada como turbulenta ao longo de toda a sua vida, sendo bem abordada em cenas simples e significantes, como o momento em que ele vê o pai depois do divórcio, e a hora em que conta à mãe que é homossexual.

Aliás, a sexualidade de Elton, assim como os seus problemas com drogas, álcool e sexo não são atenuados no filme, mas abordados de maneira real e honesta, explicitando como seus vícios quase destruíram seus relacionamentos e sua carreira, mas também como é possível superá-los, em uma cena final emocionante. Quanto às questões relacionadas à sua sexualidade, o filme aborda de forma sincera o impacto de duas pessoas em sua vida: o amigo e parceiro de escrita Bernie Taupin (Jamie Bell), que sempre esteve ao seu lado e nunca o julgou, e o empresário John Reid (Richard Madden), com o qual manteve um relacionamento amoroso conturbado durante anos. A parte pessoal da vida do artista não tira o foco de sua carreira, mas colabora para o entendimento da mesma, que passou intensamente por altos e baixos.

Elton John e John Reid  em seu primeiro encontro [Copyright Paramount Pictures]

Além do roteiro, a obra de Elton John é muito bem aproveitada na trilha sonora. Se Bohemian Rapsody mostrava as músicas do Queen em cenas pontuais, como shows, no estúdio e em histórias por trás de sua composição, Rocketman utiliza as músicas de Elton em números que parecem ter saído de musicais da Broadway, com direito a gente flutuando, fogos de artifício, uma orquestra imaginária e até mesmo encontros com seu “eu” criança. O aspecto fantástico, brilhante e extravagante da personalidade de Elton, evidenciado em seus figurinos clássicos muito bem reproduzidos no filme, se estende aos números musicais, com performances glamourosas ー destaque para as cenas de Rocketman e Pinball Wizard ー que contribuem positivamente para a narrativa ao serem a linguagem perfeita para contar ao público como Elton estava se sentindo naquele momento e como aquele sentimento foi transformado em música.

Ao longo do filme, Elton não é endeusado como gênio intocável, mas retratado como humano, de temperamento complicado e cheio de defeitos. Sua jornada para aceitar quem ele é e se enxergar como pessoa digna de amor é levada ao público de maneira sensível, sem melodrama ou apelação, em cenas com diálogos fortes e músicas apropriadas. Taron Egerton encarna o personagem de maneira fenomenal, não só assumindo os traços da personalidade do cantor, mas também sua voz, uma vez que as músicas são cantadas pelo próprio ator.

Rocketman é uma bela homenagem não só à obra, mas à personalidade de Elton John. A exibição de sua trajetória como artista e como pessoa é honesta e cativa o público, mesmo para aquele que não tenha familiaridade com suas músicas. Nas telas, o seu brilho como cantor e pianista ultrapassa os figurinos e as notas musicais e vai de encontro à fantasia que encanta e fica na memória. Como o próprio Elton canta: “eu não sou o cara que eles pensam que eu sou em casa, eu sou um astronauta”. Ele é realmente alguém com um brilho de outro planeta.

Rocketman chega aos cinemas brasileiros em 30 de maio. Assista ao trailer aqui:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*