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“Romance Moderno” – Quem responde por último ganha?
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06 jan 2017 | Por Jornalismo Júnior

Aziz Ansari é o homem da vez no humor produzido nos Estados Unidos. Seu sucesso vem desde a atuação em Parks and Recreation, mas não para por aí. Em 2015, produziu, escreveu e protagonizou sua própria série na Netflix, Master of None, que foi aclamada pela crítica e ganhou um Emmy por melhor roteiro em série de comédia. Também gravou com a Netflix um especial de seu show de stand up no Madison Square Garden. E agora, em 2016, o comediante foi convidado a escrever um livro sobre os relacionamentos na atualidade.

Para quem acompanha o trabalho de Ansari, o tema não é surpresa. Em cada projeto que participa, o ator se empenha para colocar os relacionamentos em debate. E o faz de maneira certeira, se posicionando ao lado do espectador como um semelhante. Em Master of None não faltam exemplos disso. Há várias cenas e diálogos em que Dev (protagonista e espécie de alterego de Aziz) se consome tentando decidir quando mandar uma mensagem para uma garota ou se questionando do porquê na demora para obter uma resposta.

Já em Romance Moderno (Companhia das Letras, 2016), o comediante tenta entender a questão mais a fundo. Em vez de somente satirizar as situações do cotidiano de quem busca sinais amorosos em curtidas em fotos do Instagram, Ansari se propõe a estudar e realizar um trabalho acadêmico de investigação.

Com a ajuda do sociólogo Eric Klinemberg, entre 2013 e 2014, Aziz conduziu uma série de entrevistas em diversas cidades do mundo, fez estudos com grupos focais, conversou com especialistas e leu diversas pesquisas científicas sobre as relações amorosas na era digital. Assim, na busca por entender como a tecnologia mudou os romances, ele construiu um livro que fica posicionado entre a transcrição de uma esquete de humor e um artigo acadêmico.

Desde o primeiro parágrafo, o estilo do comediante fica explícito.“Obrigado por ter comprado meu livro. Sua grana agora é MINHA”. Ele provoca o leitor e estabelece uma relação de cumplicidade que se mantém durante toda a obra. Alternando as descobertas sobre a construção dos relacionamentos no passado e presente com passagens engraçadas vividas por ele e conhecidos no Whatsapp, Ansari constrói um texto que entretém e informa. E é aí que mora o grande trunfo do livro.

Preocupado em não ser só mais uma publicação vazia de comediante de stand up, Aziz faz sua pesquisa e estudo de campo ser interessante e engraçada. Ao falar sobre as mudanças na maneira de se relacionar desde o começo do século XX até a atualidade, ele vai nos mostrando como os meios digitais influenciam nossos relacionamentos, expectativas em relação ao par ideal e anseios de vida. Como exemplo, no livro o autor comenta que pessoas que antes se casariam puramente por comodidade com quem morasse na vizinhança, hoje buscam pela “pessoa perfeita” em sites de relacionamento e em aplicativos de namoro.

Mas, de modo geral, ele não tenta trazer grandes soluções para o leitor, afinal, a proposta não é de um livro de autoajuda. O objetivo do livro é estabelecer as mudanças e mostrar com dados (e prints de conversas no Whatsapp) como é que os casais interagem hoje.

No entanto, todo o debate levantado com leveza e bom humor sobre a busca incessante pelo par ideal e as questões que todos temos sobre “se eu curtir muitas postagens da pessoa vai parecer que eu estou dando em cima dela?” ajudam quem lê a entender que todos estão juntos nessa nova fase dos relacionamentos na era digital.

Por Carolina Ingizza
carol.ingizza@gmail.com

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