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Terror, suspense, diversão e humor: oito filmes sobre objetos assassinos
CINÉFILOS
20 jul 2019 | Por André Netto (andrenetto@usp.br)

Um pneu, camisinhas, tomates e um elevador. O que estes objetos têm em comum? Todos são protagonistas de filmes de terror nos quais ganham vida para assombrar os humanos. Por mais excêntricos que possam parecer, os filmes sobre objetos assassinos são extremamente divertidos e um pouco assustadores. O Cinéfilos fez uma lista de 8 filmes com vilões inusitados.

 

A camisinha assassina (1996)

Começamos nossa lista com um dos filmes mais peculiares: A Camisinha Assassina (Kondom des Grauens, 1996). Baseado nos quadrinhos do cartunista Ralf König, é uma mistura de comédia com terror que ainda traz à tona questionamentos sociais como a homofobia e a prostituição. Grande parte da história acontece em um motel de segunda, chamado Quickie, onde acontecem os primeiros casos de homens que têm seus órgãos sexuais degolados.

Quem assume o caso é o detetive Luigi Mackeroni (Udo Samel), italiano truculento, típico investigador linha dura. Mackeroni também é um frequentador assíduo do Quickie e que tem seu testículo direito arrancado por uma camisinha. Passa então a se dedicar ao caso, sendo tratado como louco por acreditar que há uma camisinha assassina no motel, enquanto seus chefes defendem a ideia de que quem estaria cometendo os crimes seriam prostitutas.

Um espécime das camisinhas assassinas que atacavam no motel Quickie [Imagem: reprodução]

Após visita de Babette, amor antigo de Mackeroni, este consegue “matar” uma das camisinhas assassinas que estava com a visitante. A investigação conclui que a camisinha era feita a partir de material humano que havia passado por procedimentos genéticos. O detetive passa a investigar então quem estaria fabricando as camisinhas, em uma aventura que irá se desdobrar em divergências sobre a homossexualidade e a liberdade de cada um ter o amor que deseja.

 

O ataque dos tomates assassinos (1978)

Um dos grandes clássicos do cinema Trash, O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of the Killer Tomatoes, 1978) completa 40 anos. A trama começa com a morte de uma mulher em sua casa. Quando a polícia chega, percebem que não há sangue, apenas suco de tomate. A partir de então, descobre-se que os tomates são fruto de experiências genéticas mal sucedidas do governo norte-americano, que passa a tentar encobrir o caso.

Uma das muitas cenas de ataque dos tomates [Imagem: Reprodução]

O filme é uma comédia bem forçada, que satiriza outras grandes produções do cinema, como Tubarão (Jaws, 1975) e Os Pássaros (The Birds, 1963). Lembra um pouco as produções do grupo Monty Phyton pelo humor surreal e cenas desconexas entre si. Outra característica que marca o filme são os péssimos efeitos especiais, mas deve-se levar em conta que na época ainda havia pouca tecnologia e também o baixo orçamento. Os tomates, por exemplo, não tem rosto e muito menos boca, apenas saem rolando e matando. Eles só vêm a ganhar traços mais humanos na continuação feita em 1988 que conta com a participação de George Clooney. Ainda assim, é um clássico que deve estar no repertório de todo amante de Trash.

 

A geladeira diabólica (1991)

Diferentemente dos dois primeiros filmes citados nesta lista, A Geladeira Diabólica (The Refrigerator, 1991) não se propõe a ser um filme de comédia. Criado com a ideia de ser um filme de terror e suspense, o filme peca em ação, mas esbanja criatividade. O roteiro não traz o suspense e a ação necessária para aterrorizar o espectador, mesmo assim é inegável que possui originalidade, o que torna a narrativa mais interessante.

Tudo começa quando Steve Bateman recebe uma proposta de emprego em Nova Iorque e decide se mudar junto de sua esposa, Eileen. Ele é seduzido pelo baixo preço a alugar um pequeno apartamento com apenas alguns móveis no subúrbio da cidade. O que Steve não sabe é que o apartamento possui um histórico de mortes e crimes misteriosos. 

Com o desenrolar da trama, coisas estranhas vão acontecendo, e a geladeira vai se mostrando possuída. Controla não apenas os objetos ao seu redor, mas também entra na mente de Bateman e em seus sonhos, lentamente modificando a personalidade de Steve (destaque para a atuação de Dave Simonds, transformando-se completamente ao longo da narrativa). Desta forma, ela começa a atrair suas presas para dentro de seu portal interior que leva diretamente ao mundo dos mortos.

[Imagem: Reprodução]

Elevador assassino (1983)

Este suspense alemão produzido no início da década de 80 conta a história de três elevadores em um prédio comercial que começam a agir estranhamente. Após falha no sistema de ar-condicionado que quase matou dois casais, Felix Adelaar, técnico de manutenção de elevadores, é chamado para analisar o corrido. Porém, após intensa avaliação, ele não encontra nada de errado nos sistemas. O segundo acidente é muito pior: um visitante é decapitado pelas portas do elevador.

[Imagem: Copyright D.R.]

Desconfiado, o técnico se une à jornalista Mieke de Beer para investigar o caso. Enquanto a polícia, seus chefes e a sua família afirmam que as mortes e desaparecimentos seriam apenas coincidências, eles começam a obter evidências de que o caso era muito mais complicado. Em uma trama cheia de mistério, pautada pela evolução da inteligência das máquinas, O Elevador assassino (De Lift, 1983) ganha de todos os seus rivais quanto ao suspense e terror.

 

Rubber, o Pneu assassino (2010)

Rubber, o Pneu assassino (Rubber, 2010) narra a história de um pneu que ganha vida no meio do deserto americano e começa a descobrir seus poderes. As habilidades de Rubber lhe permitem matar e destruir todo tipo de ser e objetos, que o pneu explode com facilidade. O mais curioso é que há sentimentos no objeto: ele se apaixona por uma mulher que encontra em um motel e vai lutar para conquistar sua amada.

Rubber observa sua próxima vítima [Imagem: Divulgação]

O filme ainda traz um aspecto metalinguístico, em que há um diretor controlando toda a trama que envolve Rubber e uma plateia que assiste de binóculos tudo que acontece no deserto. Soa estranho e essa parece ser mesmo a ideia do diretor francês Quentin Dupiex, criar confusão no espectador. Logo no início do filme, o xerife da cidade, Chad, responde cinco perguntas sobre o cinema e o mundo com a seguinte resposta: “no reason”. Essa frase é uma síntese da obra, respondendo a todas as dúvidas que possam surgir no público, e criticando a nossa necessidade de respostas para tudo.

 

Christine – O Carro assassino (1983)

Se há um filme sobre um pneu assassino, haveria de ter um sobre um carro assassino. Christine – O Carro Assassino (Christine, 1983) foi baseado no livro homônimo de Stephen King e produzido por John Carpenter, famoso por suas produções de suspense e terror. Ainda assim, não é um filme assustador, mas possui enredo atrativo, que envolve uma trama típica de adolescentes americanos e um Plymouth Fury 1958 vermelho possuído.

Tudo começa quando Arnie Cunningham, nerd tradicional do cinema, encontra o carro praticamente destruído a venda e se apaixona instantaneamente. Seu melhor amigo, Dennis Guilder, tenta convencê-lo a desistir da compra, mas Arnie não o escuta, e passa a dedicar seu tempo integralmente para reparar Christine. Durante este processo, o estudante começa a se afastar de sua família e amigos, e sua personalidade vai mudando completamente. A boa atuação de Keith Gordon é essencial para demonstrar tal transformação.

[Imagem: Copyright D.R.]

Christine e Arnie acabam por formar um casal estilo Bonnie e Clyde, em que todos são seus inimigos e o mundo parece estar contra eles. Diferente dos outros objetos assassinos, Christine tem personalidade bem demarcada e é extremamente ciumenta, atacando a namorada de seu dono. O vínculo entre os dois e os poderes do Plymouth vão levar Cunningham a se sentir simplesmente invencível.

 

Death bed: the bed that eats (1977)

Não tem nada melhor que ser engolido por sua cama após um dia estressante. A não ser que ela seja a Death Bed, que solta uma espuma e digere tudo que há ao seu alcance. A história de Death bed: The bed that eats (1977) está dividida em três períodos: café da manhã, almoço e jantar. Em cada um destes a cama faz diferentes vítimas e um pouco de sua história é revelada pelo Artista, um homem preso em sua própria pintura e que observa tudo que se passa no quarto. Um a um as personagens são devoradas, e cabe a Diane e seu irmão, em um ritual bem confuso, vencer o demônio que habita a cama.

[Imagem: Divulgação]

Na tentativa de criar um filme artístico de terror, o diretor George Barry abusou dos efeitos especiais que tinha na época. O problema é que os longos monólogos, o roteiro nonsense e o fraco elenco resultaram em um filme parado, que não assusta e não prende o espectador. Mas como grande parte dos filmes dessa lista, é extremamente original e peculiar.

 

Brinquedo Assassino (1988)

Para encerrar a lista, um clássico dos filmes de terror: Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988). O filme conta a história de Charles “Chucky” Lee Ray (Brad Dourif), assassino que, ao ser perseguido pela polícia, entra em uma loja de brinquedos. Encurralado, ele toma um tiro no peito, e instantes antes de morrer evoca um ritual em que sua alma é transferida para o corpo de um dos bonecos “Cool Guy”. Neste novo corpo, ele vai buscar vingança contra o detetive que o matou e seu parceiro de crime que o abandonou.

[Imagem: Reprodução]

Chucky vai parar nas mãos de Andy, que ganha o boneco de presente de sua mãe. A partir de então, ele vai tentar transferir sua alma para o corpo do menino, a fim de reaver uma forma humana. Enquanto a criança tenta advertir a todos que o boneco está vivo, todos tratam-no como se estivesse louco, até que, um por um, descobrem que Andy estava certo. Toda a narrativa é permeada de tensão sobre a verdade de Chucky e de cenas cômicas. Brinquedo Assassino (1988) equilibra de maneira perfeita suspense e humor, com roteiro criativo e um protagonista icônico, que não a toa ganhou inúmeras continuações.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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