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Tóquio 2020 | O Taekwondo brasileiro nas Olimpíadas
ARQUIBANCADA
26 jul 2021 | Por Fernanda Real (fernandaumezaki@usp.br)

Nesta edição dos Jogos Olímpicos, o Brasil mandou três atletas com chances reais de pódio no Taekwondo. Nas categorias masculinas, Edival Pontes, mais conhecido como Netinho, representou o Brasil no até 68kg, e Ícaro Miguel lutou pela classificação no até 80kg. Pelo lado das mulheres, Milena Titoneli buscou classificação e pódio na categoria de até 67kg, e foi a que chegou mais perto da medalha.


Por dentro do que rolou na luta do Netinho

Netinho em sua luta contra o turco [Imagem: Reprodução / Twitter: @geglobo]

Edival Pontes pisou no tatame no dia 25/07, no início da madrugada de domingo, pelo horário de Brasília. O oponente foi o turco Hakan Reçber que, desde o início, transpareceu ser um atleta difícil de se combater. O confronto foi truncado e houve poucos golpes excepcionais, já que a maioria dos pontos foram computados por meio de chutes laterais com a perna da frente, na altura do tronco e um chute na altura da cabeça para cada lado.

O primeiro round foi do turco, que ficou à frente no placar por 8 a 3, com uma pontuação atípica de um primeiro assalto mais estudado. Já o segundo round foi intenso, as trocações de chute e soco no abdômen deixaram a luta com bastante volume, o que deixou o turco numa situação confortável e compatível com suas características no octógono. O round terminou em 16 a 14 e com uma vantagem do turco de apenas dois pontos sobre o brasileiro.

Hakan também acabou levando o último round, que foi vencido por 25 a 18. De maneira geral, a luta teve muitos acertos e foi de alto padrão técnico. Para o brasileiro, havia a esperança do retorno aos tatames pela repescagem se o atleta da Turquia vencesse todas as outras lutas no trajeto até a final. Infelizmente, não foi o que se sucedeu, e Edival Pontes foi eliminado e encerrou sua participação na Olimpíada mais cedo do que esperávamos.

“Quero pedir desculpas a todos, por mais que sejam meus primeiros Jogos Olímpicos. Infelizmente não deu, não vou desistir”, disse Netinho em entrevista ao SporTV.

 

Por dentro da busca pela classificação do Ícaro

Luta de Taekwondo com a bandeira do Brasil

Ícaro em sua luta contra o italiano [Imagem: Reprodução / Twitter: @folha]

A luta de Ícaro começou às 22:15 do domingo, dia 25/7. O quarto do mundo no Taekwondo enfrentou o italiano Simone Alessio, atual campeão mundial, na categoria até 80 kg. Não há luta fácil nos Jogos Olímpicos e, logo de cara, o confronto demonstrou isso.

O primeiro round foi do italiano, sendo vencido por 8 a 0. A estratégia adotada por Alessio foi a busca pela conversão de pontos na cabeça, o que o deixou com relativa vantagem no placar. Isso, combinado com a velocidade e uma eficiente defesa do atleta, impediu que Ícaro crescesse na luta e ditasse seu ritmo de luta.

Houve dificuldade no encaixe dos golpes pelo lado do brasileiro, que pontuou com dois socos e uma punição. O ritmo do italiano se estendeu pelo segundo, com a parcial de 16 a 3, e terceiro rounds, com a parcial de 22 a 3. Depois de sofrer um golpe no rosto na metade para o fim do terceiro round e precisar de atendimento médico, a arbitragem optou por encerrar a luta e Ícaro Miguel foi eliminado por nocaute técnico.

Diferentemente da situação de Netinho, o brasileiro não poderia retornar ao tatame pela repescagem, mesmo que Simone Alessio vencesse todas as etapas até a final. O regulamento do Taekwondo nos jogos impede que um atleta lute, após um nocaute ou lesão ocorrido durante a luta, a fim de se preservar a saúde do competidor.

 

O caminho percorrido por Titoneli

Milena após a vitória sobre a jordaniana [Imagem: Reprodução / Twitter: @dibradoras]

A representante do Taekwondo feminino do Brasil entrou no octógono às 23 horas do domingo, 25/7. Em uma luta eletrizante pelas oitavas de finais da categoria de até 67kg, Milena Titoneli enfrentou a atleta da Jordânia, Julyana Al-Sadeq, na sua primeira luta nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

A primeira luta foi estudada e conquistada ponto a ponto. No início do primeiro round, a brasileira estava três pontos na frente, até sofrer um golpe na altura da cabeça de Al-Sadeq, que deixou tudo igual no placar, em 5 a 5. O segundo e terceiro rounds seguiram bastante equilibrados, com muitos pontos de soco e de punições convertidos.

Ao final do tempo regular da luta, as atletas estavam empatadas em 8 a 8, após um ponto de soco de Milena no último segundo. Isso levou à decisão ao golden point, ou ponto de ouro, em que a primeira a pontuar com um chute seria a vencedora.

Porém, tanto Milena quanto Julyana pontuaram no soco, deixando tudo igual novamente. A luta seguiu empatada até o final do golden point, em que a atleta brasileira venceu por superioridade técnica por decisão dos juízes, uma vez que a atleta da Jordânia poucas vezes passou à frente no placar.

A segunda luta de Titoneli foi pelas quartas de final contra a atual campeã europeia e número 1 do mundo, a croata Matea Jelic. Em uma luta bastante dura para a brasileira, a campeã olímpica dos Jogos de Tóquio venceu a brasileira por 30 a 9.

Por ter sido derrotada pela finalista e campeã olímpica Matea, Milena pisou no tatame mais uma vez pela repescagem, em uma luta contra a haitiana Lauren Lee. Durante todo o confronto, Milena possuiu controle da luta e pode impor seu ritmo e volume de luta característico.

O primeiro round foi vencido por 8 a 0. O segundo, por 24 a 5, devido aos golpes na cabeça bem encaixados. O último assalto foi finalizado por uma decisão dos árbitros pela diferença de pontos e impossibilidade de Lauren virar a luta, que estava em 26 a 5.

Depois de uma vitória maiúscula, Milena entrou para disputa pelo terceiro lugar às 8h e 30 minutos, pelo fuso horário brasileiro. A disputa pelo terceiro lugar do Taekwondo foi contra Ruth Gbagbi, veterana da Costa do Marfim.

Em uma luta tensa, muito estudada e com golpes menos expressivos, o primeiro assalto terminou empatado em 1 a 1. Foi apenas no segundo round que a luta ganhou mais volume e velocidade, depois de as atletas encaixarem mais golpes no tronco. O terceiro round se iniciou com dois pontos de vantagem para a marfinense, o que forçou a brasileira a ir em busca da virada. Mas em um descuido, Ruth acerta um chute na cabeça de Milena e vence a luta por 12 pontos a 8.

O quase bronze brasileiro é de uma expressividade gigantesca. Aos 22 anos de idade, Milena possui muito mérito por ter quase repetido a melhor campanha feminina do Brasil no Taekwondo em Jogos Olímpicos. “As Olimpíadas são a maior experiência que tive na minha vida. Agora é continuar trabalhando. Eu vou chegar em Paris mais forte. Como minha mãe diz, sou uma fênix, vou renascer das cinzas”, disse a lutadora ao canal SporTV.

 

*Imagem de capa: Milena Titoneli em sua luta contra a jordaniana [Reprodução / Twitter: @dibradoras]

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