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Verdade: 13 histórias para contar
Na Estante
15 jan 2020 | Por Bruno Richard (brunrich@usp.br)

Verdade: 13 motivos para duvidar de tudo que te dizem, de Hector Macdonald, publicado pela editora Objetiva, é o típico livro de “onda”. Tendo em vista a explosão das fake news e da desinformação no mundo, o best seller já surge nas prateleiras com público garantido. Porém, apesar da aparente proposta da narrativa, Hector Macdonald tem uma outra abordagem. O autor não tem interesse em notícias no estilo “Kit gay nas escolas”, “Vacinas como método de extermínio populacional” e outras informações claramente mentirosas. O foco é justamente nos discursos fundados em verdades, mas que dão uma visão errônea da realidade.

A intenção do livro é instigante. Logo nas primeiras páginas, Hector Macdonald já estabelece que tem como objetivo auxiliar os leitores a adquirir anticorpos contra enganadores e/ou dar ferramentas para que eles se tornem os próprios manipuladores. A proposta até funciona nos primeiros capítulos, entretanto no decorrer da leitura acaba perdendo-se. Macdonald até reforça o caráter didático do livro, destacando no final de cada capítulo um resumo dos ensinamentos. Porém, a gama de assuntos abordados é tão vasta e a quantidade de exemplos é tão ampla que seu objetivo dilui-se.

O livro aborda as manipulações através de verdades concorrentes, visões distintas de um mesmo aspecto, para mudar mindsets, visão individual de mundo  – termos utilizados constantemente pelo autor – na política, psicologia, religião, mídias, publicidade, entre outros. Para cada abordagem são usadas uma histórias verídicas como exemplo, um ótimo recurso aliás, porém acaba por tornar-se o atrativo principal. 

Verdade tem como trunfo a utilização de informações extremamente recentes para o leitor. Utiliza em vários momentos as polêmicas envolvendo Trump e o Brexit, indo até uma citação da série Black Mirror e tweets de celebridades como Miley Cyrus. Apesar do atrativo, a longo prazo torna-se um “tiro no pé”, pois acaba datando o livro e onerando-o muito rapidamente.

O livro de Hector Macdonald promete ser uma bíblia para se viver nos tempos em que a pós-verdade e a manipulação imperam, mas acaba sendo uma grande fonte de informações aleatórias. Se falha em ser um manual de instruções, talvez acerte em tornar-se uma fonte fértil de repertório para conversas de barzinhos – ambiente, inclusive, em que são ditas as maiores verdades.

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