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Os Miseráveis mostra a tensa convivência presente na sociedade francesa
CINÉFILOS
15 jan 2020 | Por Tiago Medeiros (tiagosmedeiros@usp.br)

O longa-metragem francês, homônimo da obra de Victor Hugo redigida no século XIX, é dirigido por Ladj Ly e retrata, em um primeiro momento, a empolgação e festejos da população francesa após a vitória da Copa do Mundo de 2018. Porém, com o passar da euforia, o prosseguimento da trama mostra que a comunhão dos diferentes grupos que permeiam o povo francês não é tão simples no cotidiano quanto nesse momento de comemoração.

Os Miseráveis (Les Misérables, 2019) acompanha Stéphane (Damien Bonnard) em seu primeiro dia à serviço do Esquadrão Anti-Crime de Montfermeil, localizada no subúrbio parisiense, e coincidentemente o local em que Victor Hugo escreveu Os Miseráveis. O policial é apresentado a seus dois novos colegas, Chris (Alexis Manenti) e Gwada (Djibril Zonga), e juntos patrulham a vizinhança da região durante o dia.

Com o passar do tempo, o policial novato vai sendo apresentado por seus companheiros a algumas personalidades do bairro, além de conhecer o cotidiano e procedimentos diários feitos pelo Esquadrão Anti-Crime. Em meio a esse momento de reconhecimento, uma ocorrência faz com que Stéphane tenha seu primeiro caso a ser resolvido junto a seus colegas.

O furto do filhote de leão do circo da região faz com que o dono da atração exija que os policiais encontrem o paradeiro do animal em até 24 horas. Com auxílio das redes sociais e depois de uma ronda no bairro tentando colher informações, o trio descobre o autor do furto e busca recuperar o pequeno felino.

No entanto, a abordagem ao infrator foge do controle dos policiais, e após uma perseguição, ocorre um momento de grande tensão e excesso de autoridade. Além disso, esse ato é flagrado por um drone, o que faz com que o trio tenha que descobrir o dono do equipamento para zelar sua imagem.

A película faz um recorte e mostra as relações do povo francês (Foto: Reprodução/Diamond Films)

Esse acontecimento desencadeia uma série de ações dos policiais, como o diálogo com pessoas de diferentes grupos que habitam a região, a busca para solucionar a situação e ainda o questionamento acerca das decisões que estão sendo tomadas pelo Esquadrão Anti-Crime.

Em termos técnicos, o longa traz imagens de drone que dialogam com os eventos da história contada e mostram, por diferentes ângulos, a paisagem urbana presente no subúrbio parisiense. As cenas que se passam em locais abertos também auxiliam na construção do espaço de convivência que é abordado pelo filme.

A trama aborda de forma crítica e bem-estruturada como funcionam as relações de disciplina e poder em regiões muito heterogêneas. Em diversos momentos, o respeito e papel dos policiais, que representam órgãos de ordem pública, são colocados à prova e levantam questionamentos sobre o real controle que esses exercem sobre a população.

O filme mostra como grupos de diferentes ramos comerciais e etnias convivem em um ambiente comum, de que forma esses organizam-se e interagem criando certas hierarquias e fragilidade nas relações. A película também levanta discussões sobre o preparo dos policiais para lidar com situações de conflito e como a população enxerga a forma de tratamento utilizada pela força policial.

Ao seu final, o longa-metragem ainda questiona de que forma as próximas gerações de franceses estão sendo influenciadas para o futuro, uma vez que vivem sob essa realidade de disputa de poder e falta de coesão social. Ainda suscita-se uma grande dúvida: a população francesa irá progredir rumo a uma maior harmonia dos grupos que a permeia ou as próximas gerações manterão a vigente instabilidade social?

O filme tem estreia prevista para o dia 16 de janeiro nos cinemas brasileiros. Confira aqui o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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