O 5G, a quinta geração de internet móvel, representa um salto evolutivo em relação às gerações anteriores. Além de permitir uma velocidade de conexão cem vezes maior do que o 4G, a quinta geração promete aplicações inéditas, como carros que dirigem sozinhos, fábricas completamente automatizadas e a conexão de objetos do dia a dia à internet.
A rede, que já começou a ser instalada em países como Estados Unidos e Coreia do Sul, ainda não estreou oficialmente no Brasil, mas o Ministério das Comunicações prevê sua implantação nas 27 capitais do País até junho de 2022. No entanto, implantar e garantir o funcionamento do 5G, não será tarefa fácil.

Quais são as vantagens do 5G?

Um dos fatores que explicam essa maior velocidade é a baixa latência do 5G (de 1 milissegundo), 50 vezes menor do que a latência do 4G. A latência é o tempo que cada ponto da rede leva para processar – e, dependendo do caso, repassar – dados, é a demora das bolinhas girando em volta do “loading”.
Outra vantagem do 5G é a estabilidade. “A tecnologia 5G foi concebida de maneira que permite que as oscilações que acontecem no 4G e no 3G deixem de acontecer”, ressalta Miceli. Assim, os aparelhos poderão trocar informações entre si sem falhas de comunicação. As quedas e telas congeladas, comuns às ligações de vídeo atualmente, serão raras com o 5G. Essa estabilidade é fundamental para determinados setores, como a telemedicina – a prestação de serviços de saúde de forma remota – em que perdas de conexão entre aparelhos podem ser fatais, sobretudo no caso de operações realizadas à distância.
![[Imagem: Reprodução / Luli Radfahrer/ Foto por Dani Gurgel]](http://jornalismojunior.com.br/wp-content/uploads/2021/09/unnamed-11.png)
Com o 5G, será possível transmitir uma quantidade ainda maior de sinal – e de qualidade superior. Além disso, Radfahrer ressalta que será possível conectar mais aparelhos à rede ao mesmo tempo, de modo que eles possam “conversar” melhor entre si.
A internet das coisas e as cidades inteligentes
Uma das principais aplicações do 5G será a internet das coisas, ou seja, a conexão de objetos físicos à internet, seja no ambiente doméstico ou nos centros urbanos.
“As casas inteligentes serão uma das maiores aplicações imediatas da internet das coisas. Poderemos controlar mesmo remotamente os equipamentos domésticos conectados e criar operações de cenários. Em um segundo momento, os dados gerados por esses equipamentos permitirão aos fabricantes entender muito melhor o comportamento dos consumidores e criar experiências personalizadas para eles”, afirma Miceli.

Um exemplo disso são as geladeiras conectadas à internet, que conseguem detectar quando um produto está acabando e automaticamente fazer um pedido de compra a um mercado, além de coletar dados relativos ao consumo desse produto pelo dono do equipamento. Outro exemplo são as máquinas de lavar inteligentes, capazes de detectar e de ligar a si mesmas nos horários de menor gasto de energia e de água.
Embora as casas inteligentes já sejam uma realidade, elas ainda dependem da conexão à rede Wi-Fi. Quando seus dispositivos passarem a se conectar à rede 5G, o tráfego de dados entre eles aumentará. Com isso, equipamentos domésticos inteligentes – como aqueles citados anteriormente – executarão suas funções de forma mais eficaz.
Radfahrer explica que a ideia por trás da internet das coisas é a mesma das cidades inteligentes: da mesma forma que equipamentos domésticos são conectados ao sinal de internet da casa, elementos da infraestrutura urbana podem ser conectados à rede de telefonia móvel por meio de sensores. “A ideia é colocar sensores em coisas estáticas, que normalmente não se associariam à internet”, diz o especialista, exemplificando: “Os pontos de ônibus podem estar conectados à internet e receber informação em tempo real sobre a localização de cada ônibus, a eficiência de cada linha, o número de pessoas em um ponto. Esses dados podem ser usados para, por exemplo, controlar a velocidade de um ônibus. Isso seria um serviço de ônibus inteligente”.
Assim como os pontos de ônibus inteligentes, os veículos autoguiados exigem conexão constante à internet. Sim, estamos falando daquele cenário de filmes futurísticos em que as avenidas ganham vida com carros sem motoristas, que podem não estar tão no futuro assim. Miceli comenta: “Um carro autoguiado precisa mandar informações o tempo inteiro para um satélite, que ajudará o veículo a tomar decisões por meio de um algoritmo de inteligência artificial. Não pode haver uma falha de comunicação entre esses dois pontos, isso é fundamental”. Daí a necessidade de se ter uma rede veloz e estável, como o 5G.
O 5G na indústria e no campo
![[Imagem: Reprodução/Stefan Salej]](http://jornalismojunior.com.br/wp-content/uploads/2021/09/stefan.png)
Na mesma linha de raciocínio, Miceli explica que os sensores podem ser empregados nas indústrias para prever momentos de falha e interrupção, para realizar manutenções preventivas e para garantir mais segurança ao processo produtivo.
“Uma aplicação do 5G nas indústrias tem a ver com os sensores em geral, não só sensores de segurança, mas também sensores associados à manutenção preventiva. As máquinas estarão conectadas a servidores capazes de prever um momento de falha, um momento de interrupção. Então a empresa ou até mesmo, em alguns casos, pequenos robôs poderão fazer manutenções, de modo que o downtime, as paralisações das fábricas, aconteçam em menor quantidade. Isso dará uma eficiência maior para a indústria”, afirma.
![Com 5G, a indústria 4.0 incorpora equipamentos sofisticados capazes de executar tarefas complexas, que exigem algum grau de repetição e precisão. [Imagem: Reprodução/ Pxfuel]](http://jornalismojunior.com.br/wp-content/uploads/2021/09/industria.jpg)
Esses avanços tecnológicos também poderão impactar a realidade da vida no campo, já que o conjunto de sensores da internet das coisas produzirá informação, a qual será transmitida rapidamente – com a ajuda do 5G – para um sistema computacional, sendo produzidas novas informações. Na prática, uma máquina poderá medir a qualidade e a quantidade de soja que está sendo colhida e transmitir esses dados à sede da fazenda e à empresa agrícola, como explica Salej. Para ele, a introdução de conectividade no campo será crucial para que o agronegócio brasileiro mantenha sua competitividade.
Desafios para a implantação do 5G
Implantar o 5G no Brasil será um desafio, principalmente devido ao tamanho continental e à diversidade geográfica do País. Radfahrer enfatiza que tanto os centros urbanos, quanto as áreas rurais apresentam empecilhos. Em cidades como São Paulo, por exemplo, há um problema de espaço: “São Paulo tem uma topografia muito irregular e muitos prédios. Então existem muitas barreiras para o sinal correr”, afirma. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, onde não só os prédios, mas também o mar e os morros atuam como obstáculos para o sinal. Já nas áreas rurais, predominam os problemas de cobertura, já que esses lugares muitas vezes não contam com uma infraestrutura de telefonia adequada.
Após superados esses desafios iniciais, outra grande dificuldade será a manutenção da rede 5G, processo que demandará mão de obra qualificada. “Será desafiador manter a rede 5G funcionando, já que os equipamentos, por entregarem uma tecnologia mais sofisticada, também demandam uma manutenção diferente. Nós precisaremos não só de outros equipamentos para fazer esse tipo de manutenção, mas também de mão de obra”, destaca Miceli.
Apesar dos desafios e dos altos investimentos iniciais para a instalação da rede 5G, Salej ressalta que os potenciais econômicos dessa tecnologia superam seus custos, de modo que não instalá-la seria prejudicial aos setores que podem se beneficiar dela, como a medicina, o agronegócio e a educação. Salej enfatiza que não basta ter a conectividade 5G, é preciso também que a sociedade esteja digitalmente preparada para lidar com essa nova tecnologia. “Temos que pensar seriamente que essa transformação tecnológica começa no sistema educacional, então todo esse sistema tem que se adaptar ao novo paradigma tecnológico”, completa.