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‘A Empregada’: um suspense mais erótico do que thriller

No filme, triângulo amoroso é mais valorizado do que detalhes importantes do best-seller
Por Fernando Silvestre (fernando.silvestre@usp.br

Estreia nesta quinta-feira (1) o filme A Empregada (The Housemaid, 2025). A trama é dirigida por Paul Feig, conhecido por trabalhos como Um Pequeno Favor (A Simple Favor, 2018) e Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016). Sydney Sweeney protagoniza o longa como Millie Calloway, uma jovem com um passado conturbado que deseja um novo começo.

Millie encontra uma vaga de trabalho como empregada doméstica na mansão da família Winchester. Ela é contratada pela matriarca da casa, Nina Winchester (Amanda Seyfried), que necessita que Millie more junto à família. De início, Nina demonstra-se atenciosa e preocupada em tornar o ambiente agradável para a funcionária, porém logo torna-se a responsável por tornar o cotidiano da empregada desconfortável e agressivo.

A casa também abriga o marido da patroa, Andrew Winchester (Brandon Sklenar), e a filha, Cecilia (Indiana Elle). A tranquilidade com que Andrew lida com os surtos que Nina tem após contratar Millie induz o telespectador a achá-lo o mais normal dentro da residência.

Millie é imersa no cotidiano da família Winchester de forma intensa e se depara com dificuldades [Imagem: Reprodução/IMDb]

O longa é baseado no livro A Empregada (Arqueiro, 2023), da escritora Freida McFadden, um best-seller capaz de desenvolver um triângulo amoroso envolvente. No filme, porém, as relações amorosas e sexuais ganham uma movimentação rápida, que distrai o espectador do importante: o suspense. A mera utilização do desejo sexual ao invés de aprofundar o processo de envolvimento entre os personagens aparenta uma pressa do diretor em cativar o público, como se houvesse um medo da narrativa em si não ser suficiente para prender o espectador.

Feig mostra-se pouco confiante com o enredo que pegou para dirigir. Logo nas primeiras interações entre Millie e Andrew, após um surto de Nina, cria-se um clima entre eles. A tensão gerada é reafirmada em um sonho erótico da empregada, o que revela uma necessidade do longa em explicitar e espetacularizar a relação do par. O jogo romântico e sexual é colocado em tamanho destaque que todo o restante da trama é deixado de lado.

A relação agressiva e abusiva que Nina traça com Millie é, de certa forma, apagada. A criação de um ambiente de trabalho e de moradia insalubre perde força com o show de tesão e assédios abordados de forma pouco profunda. O filme tem dificuldades em adequar a dose de suspense que só volta a aparecer com mais força na parcela final da obra.

O privilégio que o longa dá para a relação entre Millie e Andrew sufoca os relacionamentos conturbados que surgem no enredo de forma secundária, mas com potencial para tornar o filme muito mais atrativo do ponto de vista de um thriller — forma como é vendido. Assim, os conflitos entre Nina e a própria Millie, mas também os da empregada com Cecilia, poderiam ter ganhado mais ênfase, o que deixaria o longa mais complexo do ponto de vista narrativo e de suspense.

Outro fator problemático envolvendo o roteiro é a pobreza na construção da relação entre Millie e Nina. Os conflitos, motivos da contratação e o modo de agir da patroa são explicados de forma rápida, algo que poderia ter sido melhor trabalhado para um filme de mais de duas horas de duração. 

A imagem passada pelo filme sobre o casal Winchester é o sistema patriarcal de uma família rica aparentemente perfeita [Imagem: Reprodução/IMDb]

Sydney Sweeney incorpora Millie de forma impecável, trazendo as nuances que a personagem precisa para elevar o tom no suspense. Ela se deixa levar de forma natural pela personagem, que vai aprendendo a lidar com os problemas dentro da mansão Winchester. A atuação de Sweeney mostra-se mais madura do que em obras anteriores, como na série Euphoria (2019 – presente), ao trazer mais estabilidade para a personagem que precisa manter seu emprego.

As atuações de Amanda Seyfried e Brandon Sklenar são impressionantes. Seyfried não demonstra vacilar nas decisões e surtos de Nina, enquanto Sklenar sustenta Andrew como um bom marido que conforta a esposa, sem levantar nenhuma suspeita de anormalidade.

O mau aproveitamento dos plot twists é um problema crônico em A Empregada, responsável por sacrificar a dramaturgia em benefício do engajamento gerado pelo choque ou por cenas de apelo sexual. Ainda assim, a interpretação de bons atores ganha destaque, arrefecendo os problemas que cercam o núcleo principal da trama.

A Empregada já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira o trailer:

*Imagem de Capa: Reprodução/TMDB

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