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Amazon Prime: ‘Black Box’ e o espelho preto no subconsciente
CINÉFILOS
14 out 2020 | Por Pedro Ferreira (umpedroferreira@gmail.com)

Black Box (2020) é uma produção que, em diversos momentos, bebe da mesma fonte que a série Black Mirror (2011-presente), da Netflix. O longa faz parte dos vários lançamentos no mês de outubro de filmes de terror que visam trazer mais diversidade ao gênero, frutos da parceria entre o Amazon Prime e a produtora Blumhouse — responsável por Corra! (Get Out, 2017) e Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman, 2018).

A história é centrada em Nolan Wright (Mamoudou Athie) e sua filha Ava (Amanda Christine), que têm a dinâmica familiar completamente alterada com a morte da matriarca. Após o acidente de carro, Nolan sofre uma perda de memória que afeta seu desempenho profissional e o impede de cumprir plenamente sua função como pai. Ava, então, torna-se o alicerce da casa, responsável por instruir Nolan nas mais simples tarefas do cotidiano enquanto ainda está no ensino fundamental. 

 

Ava ajuda seu pai a se arrumar para o trabalho. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Ava ajuda seu pai a se arrumar para o trabalho. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Desesperado pela retomada do controle de sua vida, Wright decide participar dos experimentos da Dra. Brooks (Phylicia Rashad) com um aparelho nomeado “caixa preta”, que propicia a imersão do paciente em seu subconsciente, o que permitiria que ele resgatasse suas memórias. Com o início dos testes, Nolan se depara com uma entidade amedrontadora em sua mente, que esconde os segredos obscuros por trás do experimento.

O longa é permeado pelos gêneros de terror, suspense e ficção científica, sem uma grande preocupação em se ater apenas ao primeiro. A construção dos momentos de suspense é leve demais até mesmo para um filme com classificação indicativa de 14 anos. A produção se escora demasiadamente no monstro que habita a mente de Nolan, com seu corpo retorcido e sons de ossos se partindo. Isso consegue provocar arrepios em quem assiste, mas acaba por ser o único elemento de horror na trama. A trilha sonora, por vezes, é exagerada e dificulta a imersão do espectador na narrativa.

Apesar de ser carismático, a atuação de Mamoudou é mediana durante toda a primeira metade do longa, ganhando vida após o plot twist, quando a dinâmica da história se altera e ele consegue explorar uma nova personalidade. Amanda é o grande destaque em todas as cenas em que participa. Com a pouquíssima idade, ela encarna a personagem assustadoramente bem e convence em todos os diálogos e emoções que transmite, seja na decepção com o pai após ele ter se esquecido de buscá-la na escola, no medo de suas atitudes estranhas ou no desespero ao vê-lo imerso no mundo propiciado pela “caixa preta”.

 

Dra. Brooks auxilia Nolan durante o experimento em Black Box. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

Dra. Brooks auxilia Nolan durante o experimento. [Imagem: Reprodução/Amazon Prime]

O roteiro é sólido e bem construído, com presença de elementos que dão pistas do desenrolar da trama para espectadores mais atentos e de pontos de virada instigantes. As cenas que retratam a violência doméstica são bem elaboradas e abordam com maestria os fluxos psíquicos e os artifícios de manipulação do abusador.

Black Box é muito Black Mirror. Apesar das inevitáveis comparações com a série, o filme tem sua carga de autenticidade e é plenamente capaz de entreter durante todos os cem minutos de duração.

Black Box já está disponível para os assinantes do Amazon Prime. Confira o trailer:

 

*Imagem da capa: Divulgação/Amazon Prime

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