Por Maria Luiza Negrão (marialuizacnegrao@usp.br)
Nos dez anos do Teatro Santander, o espaço recebe uma peça que homenageia a lendária Tina Turner. Com três horas de duração, o espetáculo musical Tina nasceu em Londres e percorreu os palcos da Broadway e diferentes países, com direito a 12 indicações ao Tony Awards. No Brasil, ele fica em cartaz de 26 de fevereiro a 12 de julho, e conta com as potentes Analu Pimenta e Carol Roberto no papel da protagonista. Para Katherine Hare, diretora associada internacional, o elenco e a equipe desta versão do musical possuem uma energia incomparável em relação a qualquer outro lugar em que já esteve.
Em coletiva de imprensa, realizada em 24 de fevereiro, Stephanie Mayorkis, produtora do musical, contou que, quando viu o musical pela primeira vez, teve “a certeza de que o público brasileiro se identificaria de imediato com esse show”. Para ela, além dos sucessos — como River Deep, Mountain High e The Best — que compõem o musical, “o que mais toca na gente, no público, é a história de uma mulher que se superou e ousou desafiar todos os limites da sua idade, gênero e raça para se tornar a rainha do rock and roll”.

[Imagem: Pedro Dimitrow/Divulgação]
À imprensa, foram apresentados quatro números do espetáculo, que começa e termina com o show de 1988 de Tina Turner no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. No entanto, a narrativa contempla toda a sua história de vida, passando por sua infância conturbada pelo relacionamento abusivo de seus pais até o momento em que conheceu seu primeiro marido, o cantor Ike Turner (César Mello), de quem também sofreu abuso sexual e violência doméstica.
Depois de 16 anos de sofrimento ao lado de Ike, Tina pede o divórcio e luta para se restabelecer, chegando até a precisar trabalhar em serviços temporários para pagar dívidas. Em uma cena cheia de emoção, Tina e sua irmã, Alline Bullock (Vanessa Mello) cantam We Don’t Need Another Hero após a separação e o funeral da mãe.

[Imagem: Caio Gallucci/Divulgação]
Reerguida depois de tomar as novas rédeas de sua carreira e conhecer um novo amor, Tina chega ao ponto culminante do espetáculo: o show no Rio, com mais de 180 mil espectadores no Maracanã. Além da história inspiradora, os figurinos deslumbrantes que fazem a audiência voltar no tempo e a sonoplastia digna de aplausos da peça tornam o espetáculo uma forte promessa de qualidade ao público.
As duas Tinas
A Jornalismo Júnior falou com Analu Pimenta e Carol Roberto, respectivamente a intérprete titular e alternante de Tina no espetáculo.
Sobre interpretar sua personagem, Analu destaca um sentimento: a honra. “Agora a gente está aqui no Brasil em um momento que precisa, além da valorização de uma artista preta, ter histórias que falem sobre uma mulher que vivia violência doméstica e conseguiu sair dessa realidade”, reflete.
Com mais de uma década de carreira no teatro musical, ela conta que este é o mais difícil até então. “Tive que estudar muito para cantar, para interpretar e para dançar. Então acho que tudo que eu consegui estudar em 15 anos eu fiz em 6 meses [de preparação para o papel].”
Em Carol o sentimento é semelhante. Aos 20 anos de idade, a jovem atriz julga importante mostrar “a história da verdadeira Rainha do Rock, que transformou o veneno em remédio”.
“Ela tinha tudo para dar errado, tinha o mundo inteiro contra ela, ainda mais sendo uma menina preta e vindo de uma cidade pequena. Ela apostou e viveu muita coisa para se transformar na nossa rainha, que merece ser reverenciada e aplaudida até os dias de hoje”
Carol Roberto, Tina Turner alternate no musical Tina
Ao pensar na jornada que tem pela frente até a última encenação em julho, Carol reflete: “Eu ainda tenho muita coisa para aprender com a Tina e eu mal posso esperar para isso acontecer. E só sei que a Tina já me ensinou que desistir não é uma opção”.

* Imagem de capa: Divulgação/Tina O Musical
