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S.O.S Mulheres ao Mar 2: as risadas vão continuar mas os estereótipos também

por Luiza Queiroz luiza.agnol@gmail.com Tudo está indo de vento em popa para Adriana (Giovanna Antonelli): ela é autora de um best-seller, tem um relacionamento apaixonado, e vai estrear sua própria coluna em um jornal. Mas, como além de bem-sucedida, Adriana é também neurótica, a escritora e seu fiel time de amigas acabam em uma maluca Road …

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por Luiza Queiroz
luiza.agnol@gmail.com

Cartaz_Final_SOS2_1Tudo está indo de vento em popa para Adriana (Giovanna Antonelli): ela é autora de um best-seller, tem um relacionamento apaixonado, e vai estrear sua própria coluna em um jornal. Mas, como além de bem-sucedida, Adriana é também neurótica, a escritora e seu fiel time de amigas acabam em uma maluca Road trip em direção a Cancún, provando que a criatividade do roteiro de S.O.S. – Mulheres ao Mar 2 (2015) é, no mínimo, louvável. A trama se (des)enrola em situações de fato divertidíssimas – mas, infelizmente, nem sempre passa a mensagem mais democrática em suas cenas.

O filme segue praticamente a mesma receita do anterior: Adriana tenta embarcar em um cruzeiro para impedir que sua vida amorosa vá por água abaixo. E dessa vez, o romance em questão é com o estilista de moda André (Reynaldo Gianecchini) e a “ameaça” ao final feliz dos dois vem sob a forma de Anitta (Rhaisa Batista), ex-noiva do galã e a mais nova modelo de sua coleção. Quando fica sabendo que os dois vão embarcar juntos no cruzeiro, Adriana não pensa duas vezes antes de convocar sua irmã Luiza (Fabiula Nascimento) e sua ex-diarista Dialinda (Thalita Carauta) para entrar a bordo com ela.

Assim que o trio está novamente reunido, uma série de cenas verdadeiramente hilárias se desencadeiam – e o destaque cômico vai mais uma vez para Carauta como Dialinda, com seu inglês confuso e seu jeito extravagante. Fabiula Nascimento também continua ótima como Luiza, sempre flertando nas horas mais inoportunas.

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Contudo, apesar de o filme ser inegavelmente divertido, existem ressalvas a serem feitas: a começar pela protagonista  de Antonelli (com sérios problemas de auto-estima), que novamente está à beira de um ataque de nervos devido à presença de alguma “piranha”, mais jovem e mais bonita. Assim como no filme anterior, Adriana e “a outra” mais uma vez competem o tempo inteiro, em uma espécie de intriga colegial pela atenção do homem em questão. Não é preciso dizer que a sororidade (união entre as mulheres, que passam a se reconhecer como irmãs para lutarem por seus direitos) passa bem longe do roteiro; entretanto, seria injusto dizer que essa competição não é muito mais sutil no segundo do que no primeiro filme.

Talvez o ponto realmente digno de crítica dessa continuação, então, seja uma cena em específico, na qual Dialinda diz que tem o direito a fazer progressiva para, obviamente, alisar os cabelos. Entretanto, o que a personagem diz literalmente é que quer ter “good hair” – em inglês, “cabelo bom”. A legenda, por algum motivo, traduz essa expressão como “cabelo liso”. Vale ressaltar que na cena em questão várias outras mulheres negras a apoiam, como se fosse unânime entre as afrodescendentes o desejo de alisar seus cabelos. E como se o “cabelo bom” fosse invariavelmente o liso, ao invés daquele que remete ao negro. A discussão a respeito do racismo envolvendo a expressão “cabelo bom” não começou ontem, e é, portanto, bastante problemático inserir tal cena em um contexto onde essa questão já foi amplamente debatida.

É seguro afirmar que S.O.S. – Mulheres ao Mar 2 cumpre seu papel como uma comédia: talvez nem todos os espectadores gargalhem, mas certamente a maioria deixará escapar ao menos algumas risadas discretas. Lamentavelmente, porém, o humor do filme continua apoiado em estereótipos, ainda que mais sutilmente.

Claro que a estereotipação é praticamente receita para a maioria dos filmes de comédia – o problema ocorre quando quem é estereotipado são justamente os grupos socialmente oprimidos, e em constante luta por seus direitos (leia-se mulheres e afrodescendentes, nesse caso). Talvez o humor de S.O.S., e do cinema brasileiro de comédia em geral, pudesse ser potencializado por uma trama um pouco mais distante de alguns aspectos do senso comum, que simplesmente não podem mais ser ignorados no contexto atual. É uma pena: os risos durante as sessões sem dúvida serão numerosos; mas, infelizmente, nem todos rirão.

Confira o trailer em seguida:

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