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Netflix | ‘Seaspiracy: Mar Vermelho’: a destruição que está submersa na indústria da pesca

Filme se junta à lista de documentários ambientalistas e veganos que convencem, mas dessa vez com informações equivocadas

CINÉFILOS
22 jul 2021 | Por Matheus Nistal (matheus.nistal@usp.br)

Seaspiracy: Mar Vermelho (Seaspiracy, 2021), longa dirigido por Ali Tabrizi, conta como navios pesqueiros enormes estão destruindo o oceano mais do que o plástico. Também denuncia uma grande conspiração que envolveria multinacionais da pesca e alimentação, governos, crime organizado e, inclusive, duas das maiores ONGs de proteção oceânica.

O filme é narrado pelo próprio diretor e de maneira intimista, mostrando sua admiração pelo mar na infância, suas desilusões ao longo do processo de filmagem e suas impressões pessoais. Mostra também os bastidores da investigação feita em conjunto com sua companheira Lucy Tabrizi.       

Sua principal tese no documentário é que não existe uma pesca realmente sustentável. E os selos que existem atestando tal fruto do mar como “livre de matança de golfinhos” não tem como comprovar isso. Além disso, as organizações por trás desses selos estariam acobertando os danos que a pesca industrial provoca no oceano.

Essas acusações causaram revolta de muitas maneiras. Enquanto muitos acharam acertadas as denúncias e se voltaram contra a indústria da pesca, outros muitos apontaram uso de informações falsas e distorções das falas dos entrevistados. Esses últimos ainda indicam que o documentário pode prestar um desserviço à causa oceânica, ao desconfiar de todas as instituições e não apontar nenhuma confiável, apenas aconselhar: “não coma peixes”.

 

O diretor do documentário Seaspiracy, um homem branco com barba, aparece segurando uma barbatana de tubarão amarelada. Ele veste um gorro azulado, mochila azul e uma camiseta bege. Além de uma câmera pendurada em seu ombro.

Ali Tabrizi em mercado de barbatanas de tubarão. [Imagem: Divulgação/Netflix]

Para além da controvérsia, o filme é capaz de cumprir o papel de divulgar os problemas que envolvem a pesca industrial e as repercussões para o ambiente e para sociedade. Outro grande mérito são as imagens a bordo do Sea Shepherd, cargueiro de uma ONG que atua com ações diretas no mar, coibindo a pesca ilegal.

Por outro lado, o excesso de intimismo pode atrapalhar a experiência do espectador. A narração é contínua por todo filme, dando pouco espaço para descanso. Em algumas cenas, as imagens, que já são fortes, são exploradas também verbalmente pelo diretor. Isso faz com que o filme pareça ter muito mais do que seus 89 min.

Em outros momentos, a equalização de som do filme aumenta a trilha sonora mais do que o necessário, o que impede a compreensão da exaustiva narração, e prejudica tanto o narrador quanto a música.

O filme é feito pelos mesmos produtores de Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade (2014) e incrementa a lista de documentários com denúncias ambientalistas das últimas décadas, desde Uma Verdade Inconveniente (2006). Pode servir principalmente como peça de convencimento pelas imagens fortes, mas falha como peça informativa, já que alguns dos dados utilizados foram desmentidos ou estão desatualizados.

Nota do Cinéfilo: 2,5 de 5, Mediano.

 

Seaspiracy: Mar Vermelho está disponível para todos assinantes da Netflix. Confira o trailer legendado:

*Imagem da capa: Divulgação/Netflix

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